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Decisão histórica

BCE vai comprar 60 mil milhões de euros de dívida por mês

22 jan, 2015 • Paulo Ribeiro Pinto

Bancos terão mais incentivos a emprestar ao sector privado, famílias e empresas. A medida anunciada por Mario Draghi vai durar pelo menos até Setembro de 2016.

BCE vai comprar 60 mil milhões de euros de dívida por mês
O Banco Central Europeu anunciou esta quinta-feira uma decisão histórica: a instituição liderada por Mario Draghi vai avançar para a compra de divida no valor de 60 mil milhões de euros por mês, pelo menos até Setembro de 2016. A decisão foi anunciada esta quinta-feira. Os eventuais prejuízos do banco com compra de activos vão ser partilhados por todos os bancos centrais nacionais.

O Banco Central Europeu anunciou esta quinta-feira uma decisão histórica: a instituição liderada por Mario Draghi vai avançar, a partir de Março, para a compra de dívida no valor de 60 mil milhões de euros por mês, pelo menos até Setembro de 2016.

Portugal poderá beneficiar em cerca de mil e 500 milhões de euros do programa de compra de dívida, segundo cálculos da Renascença.

"No âmbito deste programa alargado de compras, a combinação de compras de activos públicos e privados vão somar um total de 60 mil milhões de euros. Pretendemos manter o programa activo até ao final Setembro de 2016 e vai continuar até ao momento em que comecemos a registar uma evolução sustentável da inflação", anunciou Draghi em conferência de imprensa em Frankfurt, na Alemanha.

A compra de obrigações dos Estados-membros vai ser feita de acordo com o peso de cada país no capital do banco central e parte do risco de prejuízos vai ser partilhado pelos bancos centrais nacionais.

O presidente do BCE, Mario Draghi, acredita que este programa vai ser suficiente para travar a queda dos preços, reanimar a economia da Zona Euro e criar empregos.

"Acreditamos que as medidas tomadas hoje vão ser eficazes, vão aumentar a expectativa para a inflação a médio prazo e basicamente enfrentamos a situação económica na Zona Euro", disse o presidente do órgão europeu.

"Existem muitos canais para que estas medidas se tornem eficazes. A primeira é o efeito do equilíbrio dos balanços dos bancos. Ao substituir obrigações por dinheiro, os bancos terão mais incentivos a emprestar ao sector privado, famílias e empresas. Em segundo lugar tem um efeito sobre as expectativas da inflação”, acrescentou.

Draghi deixou também o aviso: a compra de dívida pública não pode servir de desculpa aos Estados-membros para relaxarem as reformas estruturais.

“É crucial que as reformas estruturais sejam implementadas sem demoras, de forma credível e eficaz. Isso vai, não só, aumentar de forma sustentada o crescimento na Zona Euro, como também vai aumentar as expectativas sobre rendimentos mais elevados encorajando as empresas a aumentar o investimento presente e estimulando a actividade económica”, disse o presidente do BCE.

Mario Draghi aconselha os países a utilizarem a “margem de manobra existente para implementar políticas orçamentais mais amigas do crescimento”.

Reacções e consequências
Segundos depois do anúncio da decisão, a cotação do euro face ao dólar começou a cair. Às 15h00, o euro valia pouco mais que um dólar e 14 cêntimos, a cotação mais baixa desde 2003.

Os juros da dívida pública também estão a cair, incluindo em Portugal, enquanto as bolsas continuam a subir: a praça de Lisboa encerrou a valorizar mais de 2,3%.

A chanceler alemã foi a primeira a comentar a decisão do BCE. Angela Merkel avisa que esta medida não retira aos líderes europeus a responsabilidade de reformarem as respectivas economias. A chanceler falou em Davos, na Suíça, onde decorre o Fórum Económico Mundial.

[Notícia actualizada às 17h37]