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Conclave

Quem vai escolher o próximo Papa?

12 mar, 2013 • Filipe d’Avillez

Há seis países que têm praticamente metade dos cardeais eleitores. Língua portuguesa está modestamente representada, com sete cardeais: dois portugueses e cinco brasileiros. Há mais dois cardeais que falam fluentemente português - Ivan Dias e Sean O’Malley.

Quem vai escolher o próximo Papa?
Apesar de existirem 117 cardeais que reúnem as condições para votar no Conclave, apenas 115 o farão. O cardeal indonésio Julius Darmaatmadja anunciou que não ia a Roma por razões de saúde e o cardeal escocês Keith O’Brien viu o seu nome envolvido num escândalo sexual e por isso também optou por não participar. Dois outros cardeais ponderaram faltar por motivos de saúde, mas ambos já garantiram que vão marcar presença.

Com 115 cardeais eleitores será necessário o voto de 76 para conseguir a maioria de dois terços para eleger o novo Papa. A idade média dos cardeais é de 71 anos. Curiosamente, repete-se exactamente o que se passou no Conclave de 2005, em que de 117 cardeais elegíveis apenas 115 participaram e a idade média era também de 71 anos.

O cardeal mais velho no Conclave é o alemão Walter Kasper, que completou 80 anos a 5 de Março, mas que pode participar uma vez que ainda tinha menos de 80 quando foi declarada a Sede Vacante. O mais novo é o cardeal indiano Baselios Cleemis Thottunkal, com apenas 53 anos.

Há 71 cardeais na casa dos setenta anos, 38 na casa dos sessenta e apenas cinco na casa dos cinquenta. Kasper será, pelo menos até ao dia 18 de Março, o único octogenário.

Geograficamente, Itália é o país com mais cardeais, 29, seguido dos Estados Unidos, com 11, e depois a Alemanha, com seis. Apesar de ser o país com maior número de católicos do mundo, o Brasil está em quarto lugar no colégio dos cardeais, com cinco, empatado com Espanha e Índia.

Mas o país de origem não é a única forma de agrupar os cardeais. Estes podem ser vistos pela perspectiva do bloco regional ou até da língua. Assim, a América do Norte tem 14 cardeais - os 11 dos Estados Unidos e mais três do Canadá. Se agruparmos por língua, então há 16 cardeais de países ocidentais de língua inglesa. O número aumenta para 29 se forem incluídos os 13 cardeais de ex-colónias britânicas, que, por isso, falam fluentemente inglês.

Apesar deste último facto, a Grã-Bretanha é uma das ausências mais notadas neste conclave, depois da desistência do cardeal escocês. O Arcebispo de Westminster, em Inglaterra, é tradicionalmente feito cardeal, mas o actual ainda não foi elevado a essa condição e o arcebispo emérito já não é eleitor.

Bloco latino
Cardeais de língua espanhola são 19, incluindo a América Latina, e francófonos são 12, se bem que dois deles estão incluídos também entre os anglófonos, por serem do Quebeque.

A língua portuguesa está modestamente representada, com sete cardeais: os dois portugueses e cinco brasileiros, isto apesar de haver pelo menos mais dois cardeais no Conclave que falam fluentemente português - Ivan Dias, da Índia, cujos pais eram goeses, e Sean O’Malley, dos Estados Unidos, que estudou português e espanhol na universidade e tem fortes ligações a Portugal. Até os falantes de alemão estão mais bem representados, com oito cardeais.

Neste aspecto, nota-se outra importante ausência neste Conclave, uma vez que os países africanos de língua portuguesa não estão representados por qualquer cardeal eleitor.

Se porventura os cardeais da América Latina se decidissem unir, então representariam um total de 19 votos. África, porém, contaria apenas com 11, apesar de ser uma das zonas no mundo actualmente com mais católicos e onde a Igreja sente mais energia. A Ásia conta apenas com 10 cardeais.

No Colégio dos Cardeais há ainda quatro eleitores que pertencem a Igrejas Católicas Orientais. Estas Igrejas, que mantêm as suas próprias tradições litúrgicas e espirituais e o seu próprio direito canónico, que em muitos casos permite a ordenação de homens casados, estão em plena comunhão com Roma. Teoricamente, também um destes cardeais pode ser eleito Papa. Consta que no Conclave que elegeu João XXIII o então Patriarca da Igreja Católica Arménia, Krikor Bedros XV Aghajanian, esteve muito perto de obter uma maioria de votos.

Depois de eleito, o novo Papa vai ser anunciado publicamente pelo nome próprio, em latim. Vertendo os nomes de todos os cardeais para latim, vemos que o mais popular é "João" (Iohannes) ou variantes desse nome. Com este incluem-se o brasileiro João Braz de Aviz, o americano Sean O’Malley e o cardeal John Tong Hon, de Hong Kong.