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Começou a "Sede Vacante". A barca aguarda um novo pescador

28 fev, 2013 • Filipe d’Avillez

A partir deste momento e até à eleição do novo sucessor de São Pedro, o Papa não é nomeado nas missas. Próximo pontífice deve ser eleito até à Páscoa.

Começou a "Sede Vacante". A barca aguarda um novo pescador
Começou a "Sede Vacante". A barca aguarda um novo pescador
As últimas horas de Bento XVI como Papa foram intensas e juntaram milhares de peregrinos em Castel Gandolfo para a despedida. Bento XVI comoveu-se na varanda da sua nova residência temporária e prometeu que vai rezar pela Igreja. A guarda suíça fechou as portas do palácio às 8h em ponto, hora de Itália, colocando um ponto final no pontificado de Bento XVI.
Mais de mil milhões de católicos estão, neste momento, sem pastor supremo. Às 19h00 de Lisboa, 20h00 em Roma, entrou em efeito a resignação de Bento XVI, anunciada a 11 de Fevereiro.

Apesar da raridade de ter um Papa Emérito vivo, ao longo dos últimos dois mil anos a Igreja já se habituou a lidar com a sucessão apostólica da Sé de Roma. Desta vez, o contexto pode mesmo ter sido benéfico, dando à máquina burocrática da Santa Sé mais tempo para preparar o Conclave que nas próximas semanas irá escolher um novo Papa.

O eleito, seja quem for, sucede a São Pedro e não a Bento XVI. Na linguagem da Igreja, todos os Papas sucedem a São Pedro, aquele que foi escolhido por Cristo e sobre o qual fundou a sua Igreja.

Nas próximas horas, o anel de Papa de Bento XVI é destruído, tal como seria se tivesse morrido. O Governo da Igreja passa para o Colégio Cardinalício, no qual estão representados todos os cardeais, independentemente de terem mais de 80 anos e não poderem, por isso, votar no Conclave.

Os cardeais reúnem-se nas Congregações Gerais. Na teoria, podem fazê-lo já a partir desta sexta-feira, mas, segundo o director da Sala de Imprensa da Santa Sé, a primeira reunião deverá decorrer só a 4 de Março.

Nessa reunião, os cardeais decidem se querem antecipar, ou até eventualmente adiar, o começo do Conclave. Tudo indica que deve ser antecipado e que vai começar antes de 15 de Março. O encontro dos cardeais eleitores pode decorrer indefinidamente, mas o novo Papa deve ser eleito até à Páscoa, que este ano surge no calendário a 31 de Março.

A nível prático, a vida decorre como normal para a maioria dos católicos. Liturgicamente, e sobretudo porque Bento XVI não morreu, a única diferença é que o Papa deixa de ser nomeado nas missas.

A partir do momento em que o Papa resigna, praticamente todos os prefeitos de congregações pontifícias cessam automaticamente funções. A decisão de substituí-los ou de reconduzi-los fica assim ao critério do próximo Papa. Ainda assim, há algumas excepções, entre as quais se destaca o penitenciário-mor da Santa Sé, responsável pelas indulgências, sinal da importância que a Igreja atribui a esta questão. O actual prefeito é o cardeal português D. Manuel Monteiro de Castro.

Já a Guarda Suíça, cuja função é exclusivamente a de proteger o Papa, é desmobilizada para se reagrupar apenas no momento em que for eleito um novo Sumo Pontífice.