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Economista recomenda ao Governo leitura de encíclica do Papa

25 fev, 2013

“Muitos membros do Governo dizem-se católicos e, portanto, deviam respeitar também as palavras do seu líder espiritual", afirma João Duque.

O Governo devia ler a encíclica do Papa Bento XVI “Caridade na Verdade”, aconselhou o economista João Duque, no início de uma semana de debates na Renascença sobre o pontificado de Bento XVI.

“O Governo devia ler isto, porque eu acredito que muitos membros do Governo se dizem católicos e, portanto, deviam respeitar também as palavras do seu líder espiritual”, afirma o presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

João Duque aponta como exemplo a aposta nas exportações, “muitas vezes feita à custa da diminuição do valor do trabalho”.

“Sociedade ‘yuppie’ faliu completamente”
No debate desta segunda-feira na Renascença sobre os ensinamentos que Bento XVI nos deixa em termos de doutrina social, Guilherme d’Oliveira Martins destacou a última mensagem de Ano Novo, onde o Papa critica duramente a globalização e a especulação financeira.

O presidente do Tribunal de Contas considera que a crise actual ameaça a dignidade humana e a justiça, e vai ser preciso imaginação e inteligência para ultrapassar as dificuldades. 

“De algum modo nós percebemos que a sociedade ‘yuppie’, que construímos nos últimos 20 anos, faliu completamente. Bento XVI disse que essa sociedade faliu, essa sociedade do ganho financeiro a curto prazo, essa ideia de aumentar a velocidade da circulação monetária e ter a ilusão de que se está a criar riqueza, é uma ideia que não leva à justiça”, frisa Oliveira Martins.

Bruto da Costa, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz, destaca como inovação do Papa Bento XVI a noção de dom.

A Renascença traz esta semana à antena debates que assinalam a última semana do pontificado de Bento XVI, sempre depois do jornal das 19h00.