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Papa evoca em Cuba os presos, discriminados e perseguidos

27 mar, 2012 • Filipe d'Avillez

“Confiei à mãe de Deus o futuro da sua Pátria, pedindo-Lhe que avance por caminhos de renovação e de esperança, para o bem maior de todos os cubanos”, afirmou esta terça-feira Bento XVI, que aludiu ainda à liberdade religiosa.

Papa evoca em Cuba os presos, discriminados e perseguidos
Papa evoca em Cuba os presos, discriminados e perseguidos
No segundo dia da visita a Cuba o Papa esteve no santuário de Nossa Senhora da Caridade, em El Cobre, de onde dirigiu aos cubanos palavras de encorajamento e consolação. Bento XVI lembrou "as pessoas que sofrem por estarem privadas de liberdade, ou que passam por graves momentos de dificuldade", e deixou-lhes também uma mensagem de esperança: "Confiei à mãe de Deus o futuro da sua Pátria, pedindo-Lhe que avance por caminhos de renovação e de esperança, para o bem maior de todos os cubanos”.
No seu segundo dia em Cuba, o Papa dirigiu aos cubanos palavras de encorajamento e consolação, que não sendo explicitamente políticas, remetem para temas mais delicados relacionados com a governação do país.

Bento XVI referiu que pediu a Maria, de forma especial, “por aqueles que estão privados da liberdade” e “daqueles que estão longe dos seus entes queridos”, palavras significativas num país onde ainda há muitas pessoas atrás das grades por delitos políticos ou de consciência e que conta com uma grande diáspora, motivada sobretudo pela natureza do regime.

O Papa disse que confiava à Virgem Maria o futuro de Cuba, “pedindo-Lhe que avance por caminhos de renovação e de esperança, para o bem maior de todos os cubanos”.

Nesta sua visita ao santuário de Nossa Senhora da Caridade, em El Cobre, Bento XVI referiu-se também explicitamente aos “cubanos descendentes daqueles que para aqui vieram trazidos da África”. Os afro-cubanos, como são conhecidos, representam cerca de um terço da população e queixam-se de racismo e discriminação sistemática.

A liberdade religiosa não foi esquecida, mas a referência foi feita de forma curiosa. O Papa lembrou os agricultores e as suas famílias “que desejam viver intensamente nos seus lares o Evangelho e oferecem também as suas casas como centros de missão para a celebração da Eucaristia”, o que realça, sem o dizer explicitamente, o facto de não existir em Cuba espaços adequados para a livre prática religiosa.

Também os jovens ouviram da boca do Papa palavras especialmente dirigidas a eles. "Para que sejam verdadeiros amigos de Cristo e não cedam às propostas que deixam atrás de si a tristeza", bem como a população haitiana, representada em Cuba por uma grande comunidade, e "que sofre ainda as consequências do conhecido terramoto de dois anos atrás".

Bento XVI terminou o seu curto discurso com um apelo ao activismo entre os cubanos, convidando-os a “trabalharem pela justiça” e “perseverantes no meio das provações”.

O Papa fez questão de sublinhar a intenção consoladora da sua visita. “Recebei o carinho do Papa e levai-o por todo o lado, para que a consolação e a fortaleza na fé sejam sentidas por todos”, pediu.

Bento XVI, que fez questão de dizer que estava no santuário na qualidade de peregrino, parte ainda hoje para Havana, onde prossegue a sua visita.