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Afinal há Juncker ou não?

27 jun, 2014 • Ricardo Conceição com Daniel Rosário e Francisco Sarsfield Cabral

Hoje é um dia particularmente importante, os líderes europeus estão reunidos em Bruxelas, para tentar “arrumar” de vez o assunto da sucessão de Durão Barroso. Analisamos este importante encontro dos “28”.

Juncker é, em teoria, o escolhido. Mas, para já, só mesmo em teoria, porque, vindo das ilhas britânicas, há um irredutível Primeiro-ministro, David Cameron, que não aceita de forma alguma a escolha de Juncker.

No entanto, “Cameron está isolado”, explica Daniel Rosário, uma vez que “o único eventual aliado é o Primeiro-ministro da Hungria. No entanto, o correspondente da Renascença em Bruxelas diz que “tudo aponta para que a decisão seja tomada de forma inédita por votação e não por consenso como aconteceu anteriormente”.

Francisco Sarsfield Cabral, comentador de assuntos económicos e europeus da Renascença, explica como é que fica a União Europeia aos olhos dos cidadãos, sobretudo depois do que foi dito na campanha eleitoral para as Europeias: “O problema tem sido basicamente o Reino Unido, porque os outros países estão de acordo sobre Juncker”, afirma o comentador.

Já em Bruxelas, como explica o correspondente da Renascença, Daniel Rosário, há esta percepção: que os eleitores se sentem “defraudados com esta discussão, depois de lhes ter sido prometido que tinham uma palavra a dizer na escolha do sucessor de Barroso”.

Basta recordar as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, conhecido comentador televisivo, que na campanha eleitoral disse que o importante era eleger Juncker, relegando para segundo plano, Paulo Rangel e Nuno Melo, os dois rostos da coligação do Governo.

“Podemos ver isto como as dores de parto de uma nova forma de tomar a decisão ao nível europeu”, afirma Daniel Rosário.

O correspondente da Renascença explica por que é que é tão significativo que a decisão seja tomada através de um voto e não por consenso: “ninguém votou directamente em Juncker ou em Schulz ou nos outros candidatos, mas indirectamente estavam a votar nos partidos que iriam propor esses nomes para presidente da Comissão Europeia”. Daniel Rosário acha que o próximo passo, a médio prazo, na revisão dos tratados, será impor a eleição directa destes candidatos.

...e depois da designação?
Depois de designado pelos Governos, o nome de Juncker ainda tem que ser votado pelo Parlamento Europeu (PE). Esse passo está acautelado pelos partidos dos líderes europeus. Nas últimas semanas o PE foi-se arrumando em grupos partidários e há três grupos que juntam 479 dos 751 eurodeputados e um dos primeiros pontos será precisamente a viabilização do candidato que sair da reunião deste Conselho Europeu. 

Cargos prontos a repartir
Que implicações pode ter para Portugal ser Juncker o escolhido? Pode ter algum impacto na escolha do comissário português? Na opinião de Daniel Rosário, há dois planos: “por um lado vários países já tentaram ir marcando terreno na negociação dos comissários e da distribuição de pastas, mas, para Portugal, Juncker ser o presidente da Comissão pode ser positivo porque se sabe da simpatia que ele tem pelo nosso país e porque Portugal esteve desde sempre do seu lado”.

No entanto, o correspondente da Renascença lembra que “a verdade é que Portugal teve nos últimos 10 anos o posto mais importante através de Durão Barroso, por isso é natural que não tenha agora uma pasta das mais importantes. É essencial que Lisboa negoceie a melhor pasta possível em ternos de comissário”.