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"Podem vir mil militares." Analista diz que paz depende apenas dos guineenses

27 abr, 2012

A vida vai voltando lentamente ao normal na Guiné, mas há salários em atraso e instituições fechadas.

"Podem vir mil militares." Analista diz que paz depende apenas dos guineenses
Nem um milhão de militares conseguirão impor a estabilidade e a paz na guiné-Bissau se o próprio povo não tiver essa vontade. É a opinião do analista político Fafali Koudawo, reitor de uma das principais universidades guineenses.

“Seiscentos, mil ou um milhão de militares estrangeiros não conseguirão manter a estabilidade na Guiné se os guineenses não quiserem. O problema não é o número de militares, é a vontade do povo guineense de trabalhar para que haja paz e estabilidade no próprio país. É uma questão nacional”, defende, em declarações ao correspondente da Renascença na Guiné, Amadou Uri Djaló.

“A participação internacional será apenas uma ajuda. Para que tenhamos a paz aqui, o rumo é o diálogo interno, uma via de reconciliação interna e uma visão comum, em direcção a um futuro novo de estabilidade. Isto, sim, é garantia de paz. O resto são apenas muletas”, conclui.

É a resposta ao anúncio, na quinta-feira, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que vai enviar um contingente militar para a Guiné-Bissau e dirigiu um ultimato de 72 horas aos golpistas, para que se retirem e permitam o início da transição política.

Reunidos em cimeira extraordinária na Costa do Marfim, os líderes da CEDEAO anunciaram o início imediato da preparação de uma força regional constituído por entre 500 e 600 militares, como contributo para estabilizar a situação.

Certo é que, mais de duas semanas após o golpe, o impasse no país prossegue. A maioria das instituições públicas do país está paralisada, devido à greve geral decretada pelas maiores centrais sindicais do país, que exigem o restabelecimento mais rápido da ordem constitucional.

O salário de Abril não foi pago, mas o comando militar que controla o país desde dia 12 de Abril afirma, em comunicado, que é provável que os funcionários públicos possam receber, na próxima semana, os seus ordenados.

Na capital, Bissau, há poucos militares nas ruas. Os bancos retomaram a actividade, mas com horário reduzido até que o país volte à normalidade.

Várias pessoas começaram já a regressar às suas casas.