Costa do Marfim

Missionários da Consolata lançam projecto para tirar crianças dos campos

23 mar, 2014 • Ângela Roque

"Estamos a seguir cinco crianças. Queremos contar as histórias delas, as suas dificuldades, mas também mostrar a sua alegria e a sua capacidade de lutar por um futuro melhor", afirma o padre António Fernandes. Para ouvir no programa “Princípio e Fim”.
"Inspirit" é o mais recente projecto dos Missionários da Consolata para atrair colaboradores para as suas missões de assistência social. O ponto de partida é uma aldeia da Costa do Marfim, onde vão alfabetizar as crianças que não vão à escola porque têm de trabalhar.

A iniciativa tem estado a ser divulgada na Internet, onde os Missionários partilham as imagens do dia-a-dia dos meninos de Marandallah, uma aldeia muçulmana a 500 quilómetros de Abidjan.

"Estamos a seguir cinco crianças. Queremos contar as histórias delas, as suas dificuldades, mas também mostrar a sua alegria e a sua capacidade de lutar por um futuro melhor", sublinha o padre António Fernandes, Provincial dos Missionários da Consolata.

Na Costa do Marfim, o trabalho infantil afasta da escola entre 70% a 80% das crianças: “Não podem ir à escola, porque têm de trabalhar nos campos de cacau ou guardar o gado e as escolas públicas só funcionam de dia". Por isso, os Missionários querem criar “centros de alfabetização, para as ensinar à noite", acrescenta.

Esta é, assim, a primeira obra social do "Inspirit" e está em fase de recolha de fundos e de voluntários, através do site. Mas há várias formas de ajudar: "também se pode contribuir a partir de casa, com ideias. Às vezes, as pessoas estão impossibilitadas de partir, mas podem disponibilizar-se por exemplo, para ajudar a traduzir textos", sublinha o padre António Fernandes.

O projecto quer unir "todos os credos, culturas e nacionalidades em torno da ajuda às crianças". Os Missionários da Consolata querem estendê-lo a outros locais e missões.

Novos desafios
Os Missionários da Consolata são actualmente mil em todo o mundo. "Sempre vivemos para África e para a América, na formação de missionários, mas há sempre novos locais, perto ou longe, que precisam da nossa presença", diz o padre António Fernandes. Em breve, vão abrir em Angola e Taiwan.

Em Portugal, estão no Norte (Porto e Braga), no Centro (Fátima e Figueira da Foz) e na região de Lisboa (no Cacém).

Para este responsável, "o grande desafio hoje é repensar o papel de um Instituto Missionário em Portugal, como as casas e obras que tínhamos ao serviço da formação dos missionários, que hoje não temos, podem ser repensadas para o serviço da comunidade”. Até porque há cada vez mais "novas periferias onde é preciso chegar".

E conclui: “somos responsáveis por criar clima e espaços de fraternidade. Acho que esse é o grande desafio que temos hoje como missionários".

A entrevista ao padre António Fernandes é transmitida este domingo no programa "Princípio e Fim", a partir das 23h30 na Renascença.