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O diálogo entre Isabel Stilwell e João Botelho

12 dez, 2014 • Maria João Costa

A escritora de biografias históricas e o realizador de "Os Maias" foram os entrevistados do programa "Ensaio Geral", na livraria Ferin, em Lisboa.

A escritora Isabel Stilwell diz que a sua maior qualidade é aceitar desafios e o seu pior defeito é "não conseguir estar calada". Duas características essenciais para garantir uma boa conversa no "Ensaio Geral" em que entrevistámos também João Botelho, o realizador de "Os Maias", o filme que já se tornou na pelicula portuguesa mais vista de 2014.

Em comum, os convidados do programa gravado ao vivo na Livraria Ferin, em Lisboa, têm o facto de gostarem de trabalhar personagens, sobretudo com personalidades.

Isabel Stilwell é autora de várias biografias de rainhas portuguesas, como a Rainha D.Amélia, D.Maria II, D.Filipa de Lencastre. Mas é também autora de livros infantis como "Histórias para os avós lerem aos netos" ou da recente agenda "Os dias de uma mãe que não é perfeita nem quer ser". João Botelho tem levado a literatura ao cinema com “Os Maias”, de Eça de Queirós, ou "A corte do Norte", de Agustina Bessa Luis, ou Fernando Pessoa com "O filme do Desassossego.

Na conversa o realizador começou por dizer que “o cinema não é uma arte”. Para João Botelho o cinema “é o ladrão das outras artes que tragicamente acabou no centro comercial”. O cineasta que lamenta o negócio montado à volta da sétima arte “com a Coca-Cola e as pipocas” diz que hoje o cinema “é feito para miúdos”. Ao mesmo tempo, o realizador de “O filme do Desassossego” regozija-se com o facto de andar pelo país a apresentar o seu mais recente filme e ter visto o “regresso dos adultos ao cinema”. Segundo afirma, “os adultos foram escorraçados, não têm paciência para comer e beber”, mas agora têm ido ver “Os Maias”.

Na conversa em que João Botelho disse que só fez “filmes sobre Portugal”, a escritora Isabel Stilwell explicou o porquê das biografias das “suas rainhas”. Ao público a autora mostrou-se satisfeita por contribuiu para levar a história aos portugueses “para lá daquilo que são as datas e tratados que afastou tanta gente da História”. A autora disse que lhe dá “gozo numa feira do livro ver pessoas de 17, 18 anos a dizerem que agora gostam de História”.

A escritora do livro infantil “Histórias para os avós lerem aos netos” gosta da ideia de ter um livro seu adaptado ao cinema. Já João Botelho concluiu que “o cinema deve inquietar”. O realizador de “A corte da noite” sublinha que a sétima arte deve “incomodar qualquer coisa, porque senão não serve para nada”.

O programa "Ensaio Geral", da Renascença, é mensalmente gravado ao vivo na Livraria Ferin, em Lisboa, numa parceria entre a Renascença, a Ferin e a Booktailors.