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Conselheiros de Estado divididos

20 mai, 2013

Soares preferia falar sobre a crise actual e Jardim afirma-se impotente, porque "nada vai mudar" com o Conselho de Estado. Marcelo diz que Cavaco quer estabelecer pontes com o PS. Marques Mendes lembra que o “pós-troika” é já para o ano.

A convocatória de Cavaco Silva para a reunião do Conselho de Estado, que o tema do “pós-troika”, gerou um coro de críticas. Muitos dos conselheiros defendem a necessidade de discutir o agora e não o depois do programa de assistência.

O histórico socialista Mário Soares confessa que “gostaria de discutir mais a situação do país do que a situação da ‘troika’, mas isso não sou eu o responsável”.

Também o social-democrata madeirense Alberto João Jardim diz que vai à reunião do Conselho de Estado com um sentimento de “impotência”. “Não vai resolver nada” lamenta.

O também conselheiro Marcelo Rebelo de Sousa revela que muitas pessoas lhe têm perguntado “porque vamos debater isto”, quando há “tantos problemas até lá”.

Pois Marcelo acredita que a “ideia do Presidente, se eu imagino alguma coisa, é baixar a temperatura, desdramatizar”. Por outro lado, acrescenta, Cavaco Silva vai “tentar recriar pontes com o PS para o futuro”.

Na opinião de Marques Mendes “faz sentido começar a falar e preparar o ‘pós- troika’, porque é daqui a um ano”. Em segundo, afirma, “com a convocação do Conselho de Estado, acho que ele faz uma ponte de consenso com o PS”, lembrando que “o ‘pós- troika’ já vai ser em grande medida no próximo Governo”.

O “mais provável é que o próximo Governo seja do PS e não propriamente da actual maioria”, acrescenta Marques Mendes.

Os conselheiros estão divididos, mas o primeiro-ministro considera que se trata de um assunto actual. Pedro Passos Coelho recorda que Portugal tem de “preparar-se também, em termos da nossa economia, das nossas perspectivas financeiras, para o período a seguir a esse programa de assistência económica e financeira”, considera Passos Coelho.

A reunião, que está marcada para as 17h00, no Palácio de Belém, foi convocada há uma semana pelo chefe de Estado, que já explicou que considera “importante ouvir a reflexão dos conselheiros de Estado sobre matérias de relevância clara em Portugal, à medida que se aproxima o fim do programa de assistência financeira mas também para obter indicações para a posição portuguesa a ser defendida, pelo Governo português, no Conselho Europeu do mês de Junho”.

O Conselho de Estado é um órgão consultivo do presidente e não tem poder vinculativo.