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Cristãos perseguidos do Iraque fazem pedido ao mundo. "Rezem por nós"

01 ago, 2014 • Ângela Roque

Patriarca de Bagdad faz apelo à oração pela Igreja do Iraque, pelos cristãos, pela paz e também pelos muçulmanos, porque o que está a acontecer no Iraque afecta todos.

Cristãos perseguidos do Iraque fazem pedido ao mundo. "Rezem por nós"

O Patriarca de Bagdad convocou um dia mundial de oração pelos cristãos do Iraque e pela reconciliação no país, que vai decorrer na próxima quarta-feira , 6 de Agosto.

O apelo de D. Louis Sako foi divulgado pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS). Catarina Martins explica que o convite à oração se estende a todos, porque não são apenas os cristãos que estão a ser perseguidos.

"D. Louis Sako, o Patriarca caldeu de Bagdad, pediu-nos para todos juntos encontrarmos um dia em que toda a Igreja pudesse estar em oração pela Igreja do Iraque, pelos cristãos, pela paz e também pelos muçulmanos, porque o que está a acontecer no Iraque não afecta só a comunidade cristã. É uma oração ecuménica em que todos podem participar e rezar pela paz e pela reconciliação no Iraque”, explica Catarina Martins, da Ajuda a Igreja que Sofre, em declarações à Renascença.

A jornada de oração vai decorrer no Dia da Transfiguração do Senhor. O Patriarca de Bagdad está a organizar também uma oração ecuménica nesse dia, no Iraque, "para que haja de facto oração ao longo de todo o dia por esta intenção da paz e reconciliação no Iraque", refere Catarina Martins.
 
O apelo para um dia mundial de oração pelos cristãos no Iraque está a ser divulgado pela AIS nos 19 países em que a fundação está presente.

“Através das redes sociais não sabemos quantos mais é que iremos atingir, mas o objectivo é atingir o maior número de pessoas porque é preciso dar a conhecer o que se passa no Iraque e é preciso, através da oração, tocar alguns corações, para que possa haver alguma mudança de atitude por parte de quem está à frente destes grupos radicais que estão a tomar conta de algumas zonas do Iraque”, afirma Catarina Martins. 

Fuga de cristãos 
No terreno prossegue a tomada de cidades pelos radicais islâmicos sunitas, que só admitem a sua religião. Todos os outros ou se convertem ou são expulsos, o que tem causado a fuga em massa da população.

Catarina Martins lembra que só em Mossul, em apenas 48 horas, 500 mil pessoas deixaram a cidade, a maioria cristãos. Fugiram sem nada e não têm possibilidade de regressar ou recuperar as suas casas. Têm estado a ser acolhidas no Curdistão. A responsável do secretariado da AIS em Portugal diz que os bispos iraquianos receiam que a situação se agrave e lamentam a indiferença da comunidade internacional.

De acordo com uma notícia avançada esta sexta-feira pela agência Zenit, os últimos cristãos que restavam na cidade de Mossul foram assassinados pelos radicais do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL). As 25 pessoas, que estavam internadas num hospital, foram mortos no dia 19 deste mês. 

Leia aqui a mensagem do Patriarca de Bagdad, D. Louis Sako.