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Lotação a 100% na nova temporada do Centro Cultural de Belém

21 set, 2021 - 17:42 • Maria João Costa

“Mundos” é o mote da temporada do CCB para os próximos meses. Em cartaz, uma ópera de Philip Glass, a peça de teatro ‘O Duelo’ encenada por Carlos Pimenta, a dança com o coreógrafo grego Dimitri Papaioannou ou o Festival Big Bang para os miúdos.

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“Chegou a altura de voltarmos à normalidade” anuncia o programador Delfim Sardo na apresentação da nova temporada do Centro Cultural de Belém. Dentro de menos de um mês, no início de outubro, as salas de espetáculo já poderão ter uma ocupação a cem por cento. Pensando nesta lotação, a equipa do CCB programou os próximos meses sobe a égide da palavra “Mundos”.

Depois da temporada anterior, com o mote “Entre”, apresentada durante a pandemia, agora o CCB desenvolve o conceito e acrescenta-lhe a palavra “Mundos”, como se estivesse a construir uma frase “Entre mundos”. Esses “Mundos” são, como referiu na apresentação Sardo, um “mil folhas” da diversidade cultural que o CCB acolhe.

Nos destaques da programação estão nomes grandes da cena internacional como o norte-americano Philip Glass que de 27 a 30 de janeiro apresenta no CCB a ópera “Orphée” encenada por si, ou o coreógrafo grego Dimitri Papaioannou que traz o espetáculo “Transverse Orientation” de 10 a 11 de dezembro, ao Grande Auditório. Mas há também nomes nacionais, como Olga Roriz que de 13 a 14 de janeiro apresenta a coreografia Insónia, ou Tónan Quito que de 4 a 5 de março apresenta a peça “Ensaio de Orquestra”.

Depois de um “período complexo, difícil com as equipas a trabalharem de forma intensa”, como descreveu Delfim Sardo na conferência de imprensa desta terça-feira, referindo-se ao ano pandémico, agora o CCB volta a apostar em mostrar “produtos diversos para públicos diversos”.

O administrador com o pelouro da programação e comunicação deu a conhecer alguns dos destaques, desde logo a continuação da relação com as Orquestras “parceiras”, a Sinfónica, a Metropolitana e a de Câmara que continuaram a encontrar no Grande Auditório espaço para os seus concertos.

No campo da ópera, além de Glass em janeiro, o destaque vai para a celebração dos 500 anos de Gil Vicente. O espetáculo “As Cortes de Júpiter” vai recuperar “uma partitura de Gil Vicente de 1521”, explicou Delfim Sardo, que acrescentou “é uma revelação e uma recuperação museológica de uma peça portuguesa que não estava disponível para o público”. Este espetáculo sublinhou André Cunha Leal – programador de música erudita do CCB – contará com a encenação de Ricardo Neves-Neves e música de Filipe Raposo, em estreia.

Os espaços do CCB vão também ser ocupados por “Concertos Ambulatórios”, a apresentar em locais menos óbvios daquele equipamento cultural, recuperando um pouco da memória do que já foi feito no passado na Festa da Música ou dos Dias da Música.

Na música vai manter-se a colaboração com o Museu do Fado, na iniciativa Há Fado no Cais que contará em novembro com espetáculos de Mísia, dia 4 e Hélder Moutinho no dia 19. Para dezembro está prevista a atuação da fadista Cuca Roseta, dias 18 e 19 num concerto com a Orquestra Metropolitana intitulado Fados de Natal.

Na programação de teatro, Delfim Sardo destacou a estreia da nova peça da atriz Sara Barros Leitão, vencedora do primeiro Prémio Revelação AGEAS Teatro Nacional D.Maria II. “Monólogo de uma mulher chamada Maria com a sua patroa” vai estar em cena na Black Box de 4 a 7 de novembro e é uma peça cujo título é “roubado clandestinamente a um texto do livro Novas Cartas Portuguesas”, diz o programa.

Ainda em novembro será apresentado no Grande Auditório a peça “O Duelo” com o ator Miguel Loureiro, numa encenação de Carlos Pimenta, a partir da novela de Heirich von Kleist, o autor que motiva um ciclo de conferências já em outubro e no qual participarão, entre outros, a ensaísta Maria Filomena Molder que traduziu a novela de Kleist e trabalhou com Pimenta na peça.

Na área do pensamento, além de dar continuidade ao ciclo de História de Arte com Fernando António Baptista Pereira, Raquel Henriques da Silva e Joana Cunha Leal, o CCB organizará em fevereiro um ciclo dedicado aos 500 anos de Gil Vicente, e promoverá entre março e outubro de 2022, as conferências “Diálogos de Estética” com curadoria do catedrático da Sorbonne, o português Jacinto Lageira que trará ao nosso pais, destacou Delfim Sardo, nomes como Jacques Rancière ou Alain Caillé.

A partir de abril do próximo ano haverá também um ciclo sobre o tema “Visualidades Negras” com curadoria da investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Filipa Lowdes Vicente.

Nesta “máquina multimodal” como lhe chamou o administrador Delfim Sardo, o CCB vai também acolher programação para os mais novos. Já em outubro decorre o Festival Big Bang entre os dias 22 e 23 com espetáculos que cruzam vários géneros musicais, um deles, “Estradas” tem como protagonista Salvador Sobral.

No campo da arquitetura, a Garagem Sul abre já na próxima semana duas novas exposições, uma delas, “At Play” com curadoria de David Malaud reflete sobre a arquitetura e os jogos. A outra, que também estará patente de 28 de setembro a 30 de janeiro será sobre “Fragmentos Arqueológicos da Arquitetura Portuguesa” e tem a curadoria de André Tavares.

Fazendo questão de referir que esta não é uma programação sua, mas sim da “instituição” e da equipa que a compõe, Delfim Sardo explicou que o CCB tem a programação pensada e preparada para os próximos meses, mas preferiu para já por a tónica no cartaz até janeiro. Lembrou que esta é uma “opção ecológica”, editando assim num só livro de programação os eventos previstos até janeiro, evitando o desperdício que aconteceu durante a pandemia quando os eventos foram cancelados e os livros foram para o lixo.

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