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Há um novo doce conventual em Portugal

07 set, 2023 - 23:00 • Liliana Carona

Chamam-se peixinhos de Santo António, e é uma criação das Monjas Concepcionistas Franciscanas, que vivem em clausura no Mosteiro de Viseu. Onze irmãs lançaram inclusivamente uma marca, a Conceptio Art, para vender os seus produtos.

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Reportagem sobre o doce peixinhos de santo antonio
Ouça a reportagem da jornalista Liliana Carona

São de diferentes tamanhos, os peixinhos que saem das mãos das Irmãs do Mosteiro de Santa Beatriz, em Viseu. A doçaria conventual surgiu há seis anos, por impulso das monjas mais novas, entre elas a irmã Madalena, 27 anos, que aceitou o repto de criar os peixinhos de Santo António.

“Temos um frade franciscano amigo que está na comunidade de Santo António, em Lisboa, e como tínhamos iniciado a experiência de produzir doces há pouco tempo, sugeriu-nos, porque não fazem um doce relacionado com o Santo António?” recorda a monja concepcionista franciscana que ainda chegou a frequentar o primeiro ano de Direito, antes de há 8 anos ter decidido entrar neste convento.

Com a ajuda da Irmã Inês, de 25 anos, todas as terças-feiras moldam peixinhos, sem o suporte de qualquer forma de bolos. Tudo é feito manualmente e com significado bíblico. “Por haver essa tradição de Santo António, como o povo não acolhia, a sua pregação, ele virava-se para os peixes, em sinal de protesto. Procurámos dar essa forma de peixe aos bolinhos”, explica a monja Inês, que há sete anos entrou no Convento de Santa Beatriz.

“Vim de Lisboa. Terminei o secundário e vim. Comecei a questionar-me e fui vendo que não fazia sentido estar à procura de outra coisa, se Deus me estava a chamar”, afirma sorridente.

A receita tem nos seus ingredientes côco, chocolate, ovos e farinha, e a particularidade de ser tudo à mão: “Notam-se mais, porque são feitos à mão, e cada irmã tem a sua visão de peixe. E comentamos umas com as outras, o teu está muito gordo. Todas temos mãos diferentes e saem peixes diferentes. Ainda houve alguns testes, até conseguirmos ajustar as quantidades para ser mais fácil moldar, demorou um bocadinho”, sorri a Irmã Madalena, que há 6 anos, também contribuiu para que iniciassem a doçaria conventual naquele mosteiro.

“Criámos a Conceptio Art. E essa marca surgiu com esse objetivo, dar uma identificação ao que fazemos, aos doces, artesanato, trabalhos de costura e bordados”, explica à Renascença. O resultado das vendas é aplicado na própria subsistência do Mosteiro e em ações de caridade.

Um doce simples à base de côco e chocolate, embalado numa caixa, cujo design foi concebido dentro do próprio Mosteiro. “Fazemos bolos todas as semanas e quando há encomendas extraordinárias tiramos um dia só para isso. O design da caixa foi concebido pela irmã Leonor, formada em Design, Arte e Multimédia, e sempre teve esse dom natural” revela a Irmã Madalena.

Para encontrar a iguaria, “podem ir a Lisboa à casa de Santo António, vir ao nosso Mosteiro ou ao nosso site, ou a uma loja no Porto, a loja Adoramos, que tem produtos de todos os conventos e mosteiros do país. Cada caixa custa 3.50€”, revela a Irmã Inês.

Rotina de oração

A Irmã Madalena que ainda completou o primeiro ano da faculdade em Direito, na Universidade Católica em Lisboa, assume não estar nada arrependida da decisão que tomou há oito anos.

“Estou muito feliz. Esse ano foi um ano de confirmação, para amadurecer a decisão e vim numa ideia de descobrir e não imaginei ficar tanto tempo”, confessa, sem deixar de assumir que muitos ainda não compreendem o seu modo de vida.

“Depende muita da sensibilidade de cada um, existem várias opiniões e perspetivas. Existem pessoas que compreendem e outras a quem não lhes faz sentido, mas aceitamos a liberdade de opinião. Recebemos muitos pedidos de oração, por telefone, à porta, pelo site. Confiam que a nossa oração de intercessão possa ser escutada por Deus. Para nós é muito importante, rezamos em comunidade, em conjunto, é uma forma de estarmos presentes e unidas ao sofrimento das pessoas. O nosso foco principal é a oração, este assumir, esta responsabilidade que temos, de todas estas intenções que nos são confiadas e depois temos as nossas tarefas com a casa”, esclarece.

Apesar de viverem em clausura, contam que também participaram da Jornada Mundial da Juventude. “Não estivemos fisicamente presentes, mas acompanhámos por meio da televisão e para nós também foi um participar e viver esse momento. Fizemos uma vigília noturna, um momento muito forte entre nós e também fomos família de acolhimento, com 7 peregrinos”, recorda a Irmã Madalena, salientando que “o papel da mulher na Igreja é muito importante e não pode estar de lado, porque tem uma missão muito importante no mundo”.

A Ordem da Imaculada Conceição, conhecida também como Monjas Concepcionistas Franciscanas, dedica-se à contemplação, serviço e celebração do mistério de Maria na sua Imaculada Conceição.

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