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Entrevista Renascença

Pedro Adão e Silva avança para uma "grande reorganização orgânica da Direção-geral do Património Cultural"

21 jun, 2023 - 00:00 • Pedro Mesquita

​A ideia passa por criar uma nova entidade que garanta "um modelo de gestão ágil e capaz de mobilizar recursos, trazer os privados". Em entrevista à Renascença, a dois dias de um Conselho de Ministros em Évora dedicado à Cultura, o ministro Adão e Silva diz que "foi um erro", durante a Troika, concentrar todas as responsabilidades numa só Direção-geral.

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Entrevista ao ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva
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A estratégia de Adão e Silva passa por maximizar as receitas, garantir melhores orçamentos aos museus, e dar condições aos diretores para uma gestão mais ágil, capaz de atrair mais recursos e de permitir uma programação plurianual. Sem adiantar, ainda, os detalhes desta "reorganização", o ministro acredita que será um "virar a página na gestão dos nossos museus e monumentos nacionais".

Num outro plano, Pedro Adão e Silva admite que, neste momento de pressão turistica, "é matéria que merece reflexão" a entrada gratuita - nos museus e monumentos geridos pela Direção-Geral do Património Cultural - dos turistas que não residem em Portugal, aos domingos e feriados.

O que vai mudar na Direção-Geral do Património Cultural?

Desde o início do mandato que tenho insistido que reorganizar a Direção-Geral do Património Cultural é mesmo uma prioridade.

Sim, mas, para isso, que alterações é que vai introduzir?

Bom, uma grande reorganização orgânica. Hoje, a Direção-Geral do Património é uma estrutura que concentra muitas responsabilidades, muitos trabalhadores e, com isso, secundariza algumas das várias responsabilidades que tem. E nós precisamos de ter aqui uma entidade que consiga ter um modelo de gestão ágil, capaz de envolver a sociedade, mobilizar mais recursos, trazer os privados e, no essencial, que permita que todos aqueles que visitam os museus e os monumentos nacionais possam ter uma experiência diferente e melhor do que aquela que tem.

Será mais uma entidade intermédia, que pretende agilizar, mas pode ser mais uma pedra na engrenagem?

Não, não, bem pelo contrário. Nós tivemos aqui um processo de grande concentração de responsabilidades, numa única Direção-Geral. Ocorreu por alturas da Troika. Foi um erro, um erro muito penalizador do setor na última década, e nós precisamos de promover uma reorganização orgânica que ocorrerá em paralelo com o processo de desconcentração e da descentralização na cultura. E porquê? Precisamente para que quem dirige cada um dos museus nacionais, e cada um dos monumentos nacionais, os diretores efetivos tenham condições e capacidade para ter uma gestão mais ágil, para atrair mais recursos, para programar plurianualmente, para internacionalizar as nossas coleções e para que possamos investir mais no nosso património.

Haverá, por exemplo, maior autonomia dos museus, é o que está a dizer? Agilizada, no fundo, por essa tal nova entidade?

É. No essencial queremos ter uma estrutura que seja ágil e que permita virar a página na gestão dos nossos museus e monumentos nacionais.

Tenho assistido não apenas num, mas em vários museus, estarem cheios de turistas que não pagam um tostão à entrada, e o museu não ter dinheiro para comprar sequer uma lâmpada. Isso vai acabar?

Tem razão. Aos domingos e feriados os museus são gratuitos, os museus geridos pela Direção-Geral do Património Cultural, o que significa que são gratuitos também para os turistas. Eu acho que isso é uma matéria que merece reflexão. A gratuidade é fundamental, para que haja uma oportunidade para aqueles que residem em Portugal poderem visitar um dia por semana os nossos museus. Há uma questão que se coloca, é se isso deve também aplicar-se aos turistas que nos visitam. Isso é mesmo um tema, e é um tema em particular no momento em que a pressão turística aumenta tanto e que se concentra em alguns museus e monumentos nacionais. Por isso nós precisamos, por um lado, de maximizar as receitas e, por outro, dar condições para que os diretores possam gerir os seus orçamentos e que os orçamentos sejam melhores para os museus. Não é só mudar uma lâmpada...é também tomar decisões sobre a programação não apenas para o ano, mas para o ano seguinte e para o outro a seguir. São precisamente essas competências que são necessárias aos museus, e isso requer uma estrutura e uma organização muito mais ágil do que aquela que temos.

Só para concluir, que entidade vai ser esta? Quem a vai dirigir?

Repare, o Conselho de Ministros é um órgão colegial. Aquilo que for aprovado neste Conselho de Ministros, em Évora, dedicado à cultura, terá depois um período de discussão pública em várias entidades do setor. O que lhe posso dizer é que é uma solução muito ambiciosa. Corresponde a um virar de página e até a alguma ousadia naquilo que é o modelo que tem sido predominante na gestão dos museus e dos monumentos nacionais.

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