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Legislativas 2022

Em debate sobre Economia, Saúde, Justiça e TAP, Costa e Rio só convergiram na intensidade

13 jan, 2022 - 23:58 • João Malheiro

O debate entre António Costa e Rui Rio foi um duelo de mais de uma hora que deu pouco azo a consensos. O atual primeiro-ministro defendeu o seu legado governativo e apelou a mais investimento no SNS e aumento dos salários. O líder do PSD pediu mais rigor e apoios às empresas e prometeu privatizar a TAP.

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António Costa e Rui Rio debateram, esta quinta-feira, durante cerca de uma hora e um quarto temas como a Economia, a Saúde, Justiça e a TAP, mas só acabaram por convergir na intensidade que aplicaram na forma como defenderam as suas ideias e contra-argumentaram as do adversário.

O primeiro tema da discussão transmitida pelos três canais generalistas de Portugal foram as soluções governativas que podem resultar do dia 30 de janeiro.

António Costa insiste que, caso perca as eleições, sairá de cena. Diferente será o cenário em caso de vitória com maioria relativa.

Aí, António Costa assegura que fará o que tem de ser feito, que é “conversar com os partidos na Assembleia da República, no modelo clássico seguido, por exemplo, no primeiro governo do engenheiro Guterres onde, diploma a diploma, íamos negociando”.

Do outro lado do debate, Rui Rio acusou Costa e o PS de serem responsáveis pela crise política que precipitou estas legislativas.

E o líder social-democrata considerou que há "outro perigo", que passa pela substituição de António Costa por Pedro Nuno Santos.

"Aí ainda temos uma situação pior, porque aí não temos uma geringonça temos o Bloco de Esquerda mesmo dentro do Governo e com ministros do Bloco, e isso é um perigo para o país”, disse.

Rio critica política económica do PS. Costa quer aumentos salariais

O debate seguiu para a Economia. Rui Rio voltou a defender as propostas que apresentou na sexta-feira e que são o grande destaque do programa eleitoral do PSD.

Questionado sobre a questão dos impostos, o líder do PSD destaca a importância das "empresas, que criam emprego", defendendo querer baixar primeiro o IRC e só depois o IRS.

“Se olharmos à governação do país desde 1995, verificamos que há uma degradação dos rácios todos. Temos de fazer diferente. Um dos aspetos nucleares é a carga fiscal. Temos de mudar o modelo. Temos de apostar nas exportações e no investimento e só depois distribuir a riqueza”, explica Rui Rio.

António Costa, na resposta, começa por prometer "uma redução do IRS muito forte para todas as famílias que têm filhos".

O líder do Partido Socialista garantiu, durante o debate frente a Rui Rio, que existe um consenso, "incluindo dos empresários, sobre a necessidade de aumentos salariais".

Rui Rio, por sua vez, volta a criticar a política económica do Partido Socialista, dizendo que este se encontra "muito à esquerda, a empobrecer o país e a pagar salários de miséria".

PS defende reforço do SNS. Rio quer contratualizar com o privado

Na Saúde, os dois candidatos também propuseram soluções distintas para os problemas do setor.

O atual primeiro-ministro quer "continuar a reforçar" o SNS e rejeita "pegar nos recursos do Estado e reforçar ao lado", referindo-se ao privado.

"O reforço dos recursos humanos é um reforço do serviço prestado ao utente", defende.

Já Rui Rio critica o estado atual do SNS e que é preciso dois tipos de resposta: "uma de imediato e outras estruturais".

"O sistema não tem funcionado. É preciso melhorar e aumentar a contratualização com o privado, para que os portugueses sejam atendidos e façam as cirurgias em tempo aceitável", refere o social-democrata.

"É mais serviço a melhor preço", aponta ainda.

Na Justiça, Rio é "perigoso" e Costa "populista"

O debate à volta da Justiça foi, sobretudo, marcado por uma troca de argumentos à volta do programa do PSD.

António Costa classifica como “perigoso” as ideias dos sociais-democratas para a área da Justiça.

Em causa, segundo o líder do PS, está a proposta social-democrata de uma maioria de não magistrados nos Conselhos Superiores da Magistratura e do Ministério Público, o que, para Costa, é “subordinar o Ministério Público e o Conselho Superior da Magistratura ao poder político”.

As afirmações de António Costa levaram a um dos momentos mais crispados do frente a frente. “Não pode haver uma maioria de magistrados porque têm tendência ao corporativismo”, defendeu Rui Rio. Quanto à proposta do provedor, garantiu que “o provedor não é nenhum fiscal”. “Isto é populismo o que dr António Costa aqui trouxe”, acusou.

Estado "salvou a TAP", mas Rio quer voltar a privatizar

A última parte do debate foi dedicada à TAP e este tratou-se do momento em que os ânimos ficaram mais exaltados.

O atual primeiro-ministro destacou que o Estado "salvou a TAP do buraco do senhor Neeleman" e que o plano de reestruturação apresentado pelo Governo "é claro e foi validado pela comissão europeia".

"Várias companhias mostraram interesse em adquirir capital da TAP", indicou, ainda.

Já Rui Rio voltou a defender que "a TAP não devia ter sido nacionalizada" e que "não é aceitável" a forma como a companhia aérea opera, em Portugal.

"Dizem que é bandeira, mas só serve aeroporto de Lisboa e não liga a nada. E serve de forma indecente. Um espanhol que faz ponte em Lisboa para ir a S. Franscisco paga 190 euros. O português que vá no mesmo voo paga 697 euros". apontou, de forma aguerrida.

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