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Autárquicas 2021

Vitórias esmagadoras, fiascos e falta de comparência. Os melhores e os piores resultados das autárquicas

28 set, 2021 - 17:01 • Hélio Carvalho

A noite eleitoral terminou com o PSD a crescer em número de câmaras e com as maiores percentagens de vitória da noite. Os concelhos com maior abstenção são de zonas mais populosas.

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Numas autárquicas marcadas pela abstenção, a pequena ilha do Corvo deu uma lição de afluência ao voto. A Renascença analisou os resultados por concelho e ninguém votou tanto (em percentagem) no PSD como em Sernancelhe. O PS é rei e senhor em Vizela e o CDS em Velas. Mas também há o outro lado da moeda.

No final da noite eleitoral, cada partido puxou para si o título de vencedor das autárquicas. Os melhores resultados vão para o PSD que, além de ter conquistado mais câmaras que em 2017, leva para casa as maiores percentagens de vitória, nos distritos de Braga e Viseu.

Salvaterra de Magos protagonizou um dos desfechos mais renhidos e surpreendentes entre Chega e Bloco. Já um concelho da Madeira mostrou-se mais liberal que o resto do continente.

Veja os números e as percentagens que marcaram a noite de domingo.

No final do jogo, ganha a abstenção

Começando pela abstenção, 46,35% dos eleitores registados não votaram. A participação foi pior do que em 2017, mas melhor do que em 2013, ano em que foram menos pessoas às urnas para as autárquicas.

A lutar contra a tendência do país, o concelho com a menor taxa de abstenção nas autárquicas do último domingo foi o Corvo, no arquipélago dos Açores. O PS venceu com maioria absoluta na pequena ilha onde apenas 20,57% das pessoas não votaram - o Corvo tem 350 eleitores e 278 foram votar.

No continente, o concelho com menor taxa de abstenção é Freixo de Espada à Cinta. O PS conquistou esta câmara ao PSD, um município que nunca elegeu o mesmo candidato três vezes seguidas. A abstenção neste município do distrito de Bragança foi de 22,18%.

Olhando para o "top 10" dos concelhos com menor abstenção, vemos que a maioria são municípios mais pequenos e localizados em zonas mais rurais, como Castelo de Paiva (Aveiro), Lajes das Flores (Açores), Crato (Portalegre) ou Arronches (Portalegre).

Por outro lado, o concelho de Sintra leva o "título" de município com maior taxa de abstenção. Basílio Horta, do PS, perdeu a maioria absoluta e viu o Chega eleger um deputado municipal, num cenário em que 59,88% dos eleitores faltaram às eleições.

No geral, as maiores percentagens de abstenção nas autárquicas do último domingo foram registadas nos concelhos com maior densidade populacional.

No "top 10", além de Sintra, estão Loulé, Olhão, Albufeira e Lagos (distrito de Faro), Setúbal (Setúbal) e Amadora (Lisboa). Nenhum destes concelhos teve uma participação superior a 43%, ou seja, não foram votar pelo menos 57% dos eleitores.

Évora por 273 votos e um bastião PSD

Feitas as contas a quem não votou, vejamos o balanço dos vencedores. Um dos combates mais disputados da noite foi Évora, onde a eleição deixou a CDU sob pressão. O concelho, que é dos comunistas desde 2013, esteve quase a voltar para as mãos do PS.

Mas a CDU aguentou e venceu Évora com a percentagem de vitória mais pequena destas eleições: 27,44% dos votos. O PS conseguiu o segundo lugar com 26,27%. Contas feitas, a coligação liderada pelo PCP segurou a autarquia por 273 votos.

A seguir na lista está o concelho de Sabrosa, onde a escassa percentagem de vitória do PS, com 28,86%, representa uma das mais pequenas margens de vitória destas eleições: os socialistas seguraram a câmara com apenas 65 votos a mais que uma das duas candidaturas independentes ao município.

Os dois primeiros resultados fechados da noite foram dois concelhos que ficaram, de forma esmagadora, nas mãos do PSD. Sernancelhe (Viseu) é o concelho com maior percentagem de vitória destas eleições, com os sociais-democratas a vencerem com 81,89% dos votos. Este valor traduz-se em 3.228 votos contra apenas 369 votos do PS no segundo lugar.

Logo a seguir está Terras de Bouro, onde o PSD também venceu, com 76.08% dos votos.

Melhores resultados vão para o "centrão"

Como vimos, a maior percentagem de vitória do PSD foi Sernancelhe, onde oito em cada dez eleitores votaram nos sociais-democratas liderados por Carlos Silva.

A vitória de outro Carlos, Moedas, na Câmara de Lisboa, naquele que foi o maior momento da noite eleitoral, é, meramente em termos estatísticos, uma das piores percentagens de vitória deste sufrágio. Contando coligações, os "piores melhores" resultados do PSD foram em Albufeira e em Lisboa, com percentagens de vitória inferiores a 35%.

O Partido Socialista conseguiu o seu melhor resultado em Vizela, onde Victor Hugo Salgado foi reeleito presidente da Câmara Municipal com uma esmagadora maioria absoluta de 74,09%. Do outro lado da moeda, a pior percentagem de vitória do PS foi a já mencionada reeleição em Sabrosa, com 28,86%.

O pior resultado do PSD, excluindo coligações pequenas com partidos como o PPM, o MPT, o PDR ou o Aliança, foi em Sines (Setúbal), onde conseguiu 3,34%. Já para o PS, o pior resultado - com o mesmo critério de excluir coligações pequenas - foi o terceiro lugar com 5,27% em Carrazeda de Ansiães (Bragança).

Saindo do chamado "centrão" e olhando para os outros partidos, o CDS-PP surge como o partido com melhor resultado da noite, excluindo PSD e PS (e respetivas coligações, nas quais se incluem a vitória do PSD/CDS-PP em São Vicente, na Madeira, e do PS/Livre em Felgueiras).

O melhor resultado da noite do CDS-PP foi em Velas, concelho nos Açores. O partido segurou uma das suas seis câmaras com 66,34%. Por outro lado, o pior resultado do partido de Francisco Rodrigues dos Santos foi em Castelo de Paiva (Aveiro), onde conseguiram apenas 0,39%.

A CDU teve uma noite difícil, perdendo nas contas totais seis câmaras em relação de 2017 (caiu de 24 para 19). Mas a delegação do partido em Monforte tem razões para sorrir, pois aumentou a sua maioria em relação a 2017 e conseguiu o melhor resultado destas eleições para os comunistas: 62,37%. Évora foi a vitória mais sofrida e menos cotada da noite; já a CDU de Aguiar da Beira (Guarda) teve o pior resultado do partido, com apenas 0,31%.

Salvaterra vale melhor resultado ao Chega

Estreante em eleições autárquicas, o Chega de André Ventura esticou-se para chegar a uma grande quantidade de concelhos e conseguiu eleger 19 vereadores, mas falhou o objetivo definido pelo líder do partido de extrema-direita de ser a terceira força política mais forte (à semelhança das presidenciais).

O melhor resultado do Chega foi o segundo lugar em Salvaterra de Magos - um concelho que chegou a ser liderado pelo Bloco de Esquerda entre 2001 e 2009. Obteve 13,30% neste concelho mas, em termos percentuais, a melhor pontuação foi 14,35% em Moura - André Ventura concorreu à presidência da Assembleia Municipal, mas foi apenas eleito deputado municipal. O pior resultado do Chega foi 0,76% em Cabeceiras de Basto (Braga).

Salvaterra de Magos (Santarém) foi também palco do melhor resultado do Bloco de Esquerda, onde o partido chegou aos 13,14% (apesar do resultado que deixou o partido mais satisfeito terá sido a eleição do seu primeiro vereador de sempre no Porto, na pessoa de Sérgio Aires). O Bloco, que continua a não conseguir repetir em termos autárquicos a sua dimensão na Assembleia da República, viu em Portalegre o seu pior resultado: 0,41%.

Do que resta dos partidos com representação parlamentar nacional, o PAN teve o seu melhor resultado em Vila Franca de Xira (Lisboa), com 3,87%, enquanto que o pior resultado foi em Santarém (1,14%).

Já os dois lados da moeda da Iniciativa Liberal, outro estreante nestas autárquicas, surgem no arquipélago da Madeira: 12,40% em São Vicente e 1,04% em Santa Cruz. Estes resultados excluem coligações.

Uma curiosidade: o melhor resultado do PAN continua a ser inferior ao melhor resultado do Aliança (partido fundado por Pedro Santana Lopes), cuja candidatura liderada pelo líder Paulo Bento em Torres Vedras (Lisboa) chegou aos 5,18%.

Finalmente, o pior resultado percentual de todas as candidaturas a câmaras municipais vai para o Ergue-te. O partido de ideologia fascista ficou-se pelos 0,08% na cidade do Porto - o que corresponde a apenas 80 votos em 101.101 boletins.

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