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Rock In Rio Lisboa à beira de esgotar último dia. "Nos meus sonhos, voltamos ao Parque Tejo em 2026"

20 jun, 2024 - 16:48 • José Pedro Frazão

Em entrevista à Renascença, Roberta Medina diz que o Rock In Rio Lisboa quer ficar em definitivo no Parque Tejo, estando em conversações nesse sentido com as câmaras de Lisboa e de Loures. A mulher-forte do festival troca uma melhoria no conforto pelo aumento da lotação. Já o pai, Roberto Medina, diz que vai ser o maior evento de música da Europa no primeiro local que visitou em Lisboa para fazer o festival em 2004.

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Uma hora com Roberto e Roberta Medina. "Rock In Rio no Parque Tejo será o maior festival da Europa"
Uma hora com Roberto e Roberta Medina. "Rock In Rio no Parque Tejo será o maior festival da Europa"

O Rock In Rio Lisboa deve esgotar três dos quatro dias da edição deste ano, na estreia do Parque Tejo como nova localização do evento que cumpre 20 anos de concertos na capital portuguesa. É a primeira vez que acontece na história do Rock In Rio Lisboa, sublinha Roberta Medina, a líder da edição portuguesa do festival, numa entrevista à Renascença sobre as duas décadas do evento. “Em Portugal, cada dia destes são quatro MEO Arena. Não é expectável que isso aconteça num festival de música”, diz a filha de Roberto Medina.

O novo espaço no Parque Tejo terá alterações na gestão do público já este fim-de-semana, depois de um aumento acentuado de queixas de festivaleiros relacionadas sobretudo com a organização do espaço e acesso a alimentação. Apesar de ter mudado a localização para um espaço com mais 30 mil metros quadrados do que no Parque da Belavista, o aumento da lotação do evento não está nos planos imediatos de Medina.

“Primeiro quero expandir em mais conforto, face aquilo que porventura nessa edição não tenhamos sido capazes de entregar. Ainda temos muito espaço para utilizar ali dentro. Não tenho aqui a intenção de aumentar em termos de público”, diz Roberta Medina, reconhecendo que o último fim-de-semana forneceu “informações novas que vamos ter que aprender”.

Negociações para ficar no Parque Tejo

Os Medina querem estabelecer o Rock In Rio no novo local. “Estou louca para poder dizer que ficamos para sempre no Parque Tejo”, confessa Roberta Medina, que diz que se vai “trabalhando” nesse sentido e não apenas com Carlos Moedas. “Temos duas câmaras municipais, de Lisboa e Loures, e cinco juntas de freguesia com quem nos relacionamos. Uma boa notícia é que não houve nenhum problema de impacto de ruído, foi super tranquilo, a não ser as buzinas do povo na saída. Em 2026, nos meus sonhos, voltamos para o Parque Tejo com muitas novidades.”

Mais confiante mostra-se o fundador do festival. “Não é só o Rock In Rio que vai ficar ali para sempre. A cidade vai crescer rapidamente para ali mais rápido do que está sendo. Moedas tem mais é que assinar”, afirma Roberto. A filha Roberta lembra o compromisso de “escutar todos os intervenientes”, mas reconhece que “tem tudo para ficarmos ali”.

Duas visitas separadas por 20 anos

“Sabe que o primeiro lugar onde fui há 20 anos foi ali?”, surpreende Roberto Medina na entrevista onde recorda o início do projeto em Portugal. “ Falei com os responsáveis de Loures e Lisboa. Não podia ser porque tinha uma coisa de lixo de origem química, com contaminação”, explica o fundador do Rock In Rio, numa provável referência ao antigo aterro sanitário de Beirolas, entretanto alvo de intervenção da Câmara de Lisboa para permitir a construção do altar-palco central da Jornada Mundial da Juventude.

A informação surpreende a filha Roberta que sempre julgou que o lugar visitado pelo pai junto ao Tejo fosse noutra zona junto à Ponte Vasco da Gama.

A hipótese de mudança começou a ser noticiada em janeiro de 2023, quando, em primeira mão, a Renascença deu nota de “contactos informais” entre autarquia e organização nesse sentido.

Roberta Medina diz que não passaram de rumores, mas poucos dias antes do início da Jornada Mundial da Juventude, em julho de 2023, recebeu um convite de Carlos Moedas para ir ver o Parque Tejo. “Chegou a dar-me um arrepio na coluna. Pensei que ele ia convidar-nos para ir para lá. Eu tinha visto imagens aéreas do Parque Tejo e dizia: ‘nem pensar, como explico ao público que está acostumado à Belavista que saio de uma concha natural perfeita, com árvores, lindinho, para um parque descampado plano? Não vai acontecer’. Aceitei o convite e fui visitar o local. Combinámos que não podia ter ninguém lá para não ‘criar fofoca’ de que o Rock In Rio estava a ir para lá”, conta Roberta Medina relatando a visita secreta ao Parque Tejo com Carlos Moedas. A produtora lembra-se de sair do carro e inverter o seu pensamento. “Como é que eu vou resolver a situação para sair da Belavista? Porque realmente o parque é absolutamente divinal”, recorda a líder do Rock In Rio Lisboa.

Belavista estava “no limite”

Os Medina, pai e filha, garantem que não havia plano para mudar de local, mas afirmam hoje que o parque estava “no limite” para as intenções da organização. “Estávamos há muito tempo a querer crescer e investir mais em música, palcos e atrações”, explica Roberta que assegura que já pensava em alternativas como uma ‘passarela’ para o Campo de Golfe junto ao Parque da Belavista. “ Tínhamos essa angustia de não poder criar mais ali no Parque”, complementa Roberto Medina. “A Belavista é um parque muito difícil de operar. Não é à toa que não acontecem tantas coisas assim na Belavista”, remata Roberta.

Roberto Medina fala agora num “novo patamar” do Rock In Rio Lisboa, festival que “ganhou maioridade em todos os sentidos” como um filho que sai de casa dos pais. O publicitário brasileiro acredita que a nova localização vai trazer mais europeus e o Rock In Rio deixará de ser o maior evento de música de Portugal para ser “o maior evento de música da Europa”. Medina diz-se enamorado pelo local e pelo enquadramento do palco principal junto ao Tejo, ao ponto de ter pago um anúncio de página inteira nos jornais brasileiros.

“Nunca fiz isso. A foto é boa para o Rock In Rio e boa para Portugal. Já é outro evento. Vai ver que terá mais anunciantes, cada vez mais gente. Eles [organização do Rock In Rio Lisboa] vão ter de pensar em abrir mais um outro dia. Vai ver, esse local agora mudou o padrão”, aposta o pai Medina em jeito de provocação à filha Roberta.

Pode ler esta sexta-feira na íntegra uma entrevista de fundo a Roberto e Roberta Medina, que passa em revista os 20 anos do Rock In Rio Lisboa e os 40 anos desde o primeiro Rock In Rio no Brasil.

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