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Operação Influencer

“O que precisa? De uma chamada do PM?” Como Costa (não) aparece nas escutas

11 nov, 2023 - 17:29 • Fábio Monteiro

Nenhuma das escutas referidas da indiciação contém conversas de viva-voz do primeiro-ministro com nenhum dos arguidos. Costa aparece sempre na boca de outrem. Em algumas casos, surge como elemento de pressão.

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No despacho de indiciação do Ministério Público, a que a Renascença teve acesso, da Operação Influencer, António Costa aparece apenas de forma indireta. No documento de 124 páginas existem mais de uma centena de referências ao primeiro-ministro (agora demissionário).

Nenhuma das escutas referidas da indiciação contém, em todo o caso, conversas de viva-voz do primeiro-ministro com nenhum dos arguidos. Costa aparece sempre na boca de outrem. Em algumas casos, surge como elemento de pressão.

Por exemplo: quando o presidente da câmara de Sines ofereceu resistência a uma iniciativa da Start Campus, Afonso Salema, CEO da empresa, combinou com Miguel Borralho, diretor da Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), dizerem a Nuno Mascarenhas (também arguido no processo): “Vou dizer-lhe não somos nós a falar, é o António Costa.”

E referirem ainda: “Se o Escária [chefe de gabinete do primeiro-ministro] vai dizer ao Costa que esqueça os sonhos do datacenter porque existe uma arquiteta na Câmara que não quer trabalhar, o que achas que vai acontecer?”

Noutra conversa com o presidente da REN, Rodrigo Costa, Afonso Salema é apanhado a dizer também: “O que é que o Rodrigo precisa? De uma chamada do primeiro-ministro a dizer que ele precisa de fazer isso?”

Em algumas das escutas, António Costa aparece mesmo referido como “Deus”. A caminho de uma reunião com Nuno Mascarenhas, em que se fez acompanhar por Diogo Lacerda Machado, Afonso Salema afirma levar o melhor amigo do primeiro-ministro para “pôr o medo de Deus” sobre o autarca.

Na passada terça-feira, devido à possibilidade de o Supremo Tribunal de Justiça abrir um processo-crime relativamente à sua conduta, António Costa pediu a demissão do cargo de primeiro-ministro.

Marcelo Rebelo de Sousa aceitou e já convocou eleições para o próximo dia 10 de março de 2024.

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  • EU
    11 nov, 2023 PORTUGAL 19:21
    Aprendi quando era criança, como batizado que era, a NUNCA pronunciar o nome de DEUS em vão. Vou RECUAR uns tempos e vou lembrar o seguinte: já leram, concerteza aqui RR, EU pedir a quem REFERE " os Portugueses " que não fale por mim, pois eu sou eu e não outro. É com frequência que OUÇO dizerem " os portugueses " e eu não gosto. Devem dizer ALGUNS PORTUGUESES, porque assim não falam, DE ou EM mim. Se o Senhor Primeiro Ministro PROIBISSE quem trabalha DIRETAMENTE com Ele de falar ou PRONUNCIAR o seu NOME, já não aparecia nas ESCUTAS. É velho, quem cala consente. Já agora aproveito e digo AOS NOVOS, quando era Militar em Angola, sempre que saía para alguma OPERAÇÃO tirava as DIVISAS e quem as tivesse. Saíamos, andávamos e regressávamos TODOS de igual. Ou seja, AS PATENTES ficavam SEMPRE no Aquartelamento. Quero com isto dizer que É NORMA as PESSOAS sentirem-se MAIORES quando INVOCAM o nome dos seus SUPERIORES HIERÁRQUICOS. Assim, não se admirem porque ELES sentem-se BEM.

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