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Cancelar eventos de verão? "Mais vale prevenir do que remediar", alerta especialista

11 jul, 2022 - 23:00 • João Malheiro

António Bento Gonçalves reconhece melhorias desde os incêndios de 2017, mas acredita que Portugal está "atrás do prejuízo há décadas". O professor e investigador da Universidade do Minho defende um programa nacional de educação florestal e uma melhoria na comunicação de risco das instituições.

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António Bento Gonçalves sobre a atual situação de contigência
António Bento Gonçalves sobre a atual situação de contigência

O especialista em incêndios e proteção civil, António Bento Gonçalvez, admite que pode fazer sentido cancelar grandes eventos, devido à situação de contigência, em que Portugal se encontra atualmente, devido ao risco de fogos.

Sem uma opinião defintiva sobre a realização da Concentração Motard em Faro, ou o Festival Super Bock Super Rock no final da semana - dois dos eventos em risco, na atual situação de contigência -, o professor e investigador da Universidade do Minho sublinha, à Renascença, que "mais vale prevenir do que remediar".

"Para isso também é preciso envolver especialistas de análise de risco para verificar se se justifica o adiamento ou cancelamentos destes eventos. Tudo tem de ser devidamente ponderado", refere.

António Bento Gonçalves reconhece melhorias desde os incêndios de 2017, mas acredita que Portugal está "atrás do prejuízo há décadas".

O presidente da Associação Portuguesa de Geógrafos apela a medidas de longo prazo, como, exemplifica, um plano nacional de educação florestal.

"Um dos grandes problemas é a utilização do fogo em alturas indevidas. Temos um território pouco resistente aos incêndios. É imprescindível apostar na educação, para termos uma cultura de autoproteção", considera.

"É preciso um programa nacional de grande quantidade, de várias décadas, que passe por vários ciclos políticos e vários governos", detalha, ainda.

António Bento Gonçalves aponta ainda a comunicação de risco como "outra lacuna da sociedade portuguesa".

"Temos especialistas que, raramente, são envolvidos nas campanhas de sensibilização e de formação. A comunicação nem sempre é bem feita", lamenta, apesar de, também aí, referir que já houve alguma melhoria desde 2017.

"Se não monotorizarmos bem, não sabemos o que estamos a fazer bem ou mal e potenciar o bem e corrigir o mal", conclui.

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