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Congresso da UGT

"Queremos que o Diálogo Social seja a base do crescimento", garante Ministra do Trabalho

23 abr, 2022 - 20:58 • Ana Carrilho

O elogio à disponibilidade constante da União Geral de Trabalhadores para apostar no diálogo e na Concertação foi sobejamente elogiada por vários intervenientes durante a manhã, nomeadamente pelo atual presidente do Conselho Económico e Social, Francisco Assis, e que deverá ver o seu mandato renovado nos próximos dias.

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A Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho esteve no Congresso da UGT, que decorre até este domingo, em Santarém, para garantir que o Executivo está apostado no Diálogo Social. E como há atraso, devido à queda do Governo, agora é preciso acelerar para negociar a Agenda para o Trabalho Digno e um Acordo de Rendimentos e Competitividade, que o primeiro-ministro quer concluir até ao fim do primeiro semestre.

Ana Mendes Godinho deixou também uma ideia que, obviamente, foi muito aplaudida pelos mais de 700 delegados ao Congresso da UGT: “A austeridade não foi, não é, não pode ser, nunca será, a solução para os problemas do país. Os tempos de crise não podem ser pretexto para o ensaio de modelos ideológicos que se baseiam no castigo ou no corretivo aos trabalhadores, no travão ao bem - estar das famílias, no salve-se quem puder”.

O elogio à disponibilidade constante da União Geral de Trabalhadores para apostar no diálogo e na Concertação foi sobejamente elogiada por vários intervenientes durante a manhã, nomeadamente pelo atual presidente do Conselho Económico e Social, Francisco Assis, e que deverá ver o seu mandato renovado nos próximos dias.

Para Assis, é bem claro que “a UGT tem prestado serviços inestimáveis Portugal” e “sem esta central sindical nunca teriam sido assinados acordos de Concertação Social”.

Do Presidente da República – numa gravação - veio também um elogio à UGT, “que acompanha o avanço da Democracia portuguesa”.

Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que vem aí um novo ciclo 8coincidente para a U”GT, Governo e Presidência) muito exigente e cheio de desafios, que fazem apelo também à criatividade. Com a recuperação da pandemia, o enfrentar dos efeitos da guerra na Ucrânia e o desafio do uso dos fundos estruturais, nomeadamente o PRR: tem de se muito de reconstrução e de resiliência, não poe ser apenas de recuperação”, sublinhou o Presidente.

UGT tem de estar preparada para responder a velhos e novos problemas

“O sindicalismo hoje não e é o mesmo e nem se faz da mesma maneira de como nós éramos jovens”, alertou a antiga sindicalista Maria Helena André, num recado claro para o futuro Secretário-Geral, Mário Mourão, que assumirá o cargo amanhã, no final do XIV Congresso da UGT, que decorre em Santarém.

Esta manhã, Maria Helena André esteve no Congresso a representar a OIT (Organização Internacional do Trabalho), onde tem o cargo de Diretora do Departamento de Atividades dos Trabalhadores.

Dirigindo-se diretamente a Mário Mourão, disse-lhe que vai receber “um bebé”: desejou-lhe “que tenha a capacidade de pôr a UGT no centro da tomada de decisões, no país e na Europa” e lembrou-lhe que o Sindicalismo hoje é diferente daquele que praticavam quando ambos se conheceram, na juventude.

“Há velhos e novos problemas, mas sobretudo, há pessoas e muitas não têm cultura de organização sindical. A responsabilidade dos sindicatos é responder-lhes e para eles, também é uma questão de sobrevivência: têm de se reinventar.

A antiga sindicalista, que também já foi ministra do Trabalho, sublinhou que nestes novos tempos há situações laborais pouco claras e “temos obrigação de ir à procura das pessoas, dando-lhes respostas. Isso, na prática, implica saber quais são os anseios e necessidades dos trabalhadores”.

Para isso, defende Maria Helena André, não há melhor instituição que a Comissão Permanente de Concertação Social e o Diálogo Social.

Manifestou ainda o desejo de que a UGT continue a ser a defensora dos trabalhadores portugueses, “mas de forma inovadora”.

Está na hora de ultrapassarmos as clivagens dos anos 70 entre as duas centrais

Entre os convidados nacionais e internacionais estiveram também representantes das confederações patronais e da CGTP. Foi a primeira vez que um membro da CGTP falou num congresso da UGT

Fernando Gomes, líder da Corrente Sindical Socialista da INTER deixou bem claro que as duas centrais portuguesas têm de deixar de estar de costa voltadas: “Está mais do que na hora de ultrapassar as grandes clivagens dos anos 70, através de convergências sindicais entre a UGT e a CGTP, que sirvam a classe trabalhadora, as suas famílias e o povo em geral.

E Fernando Gomes salientou que “ao nível de sindicatos das duas confederações, sem se abdicar dos princípios de cada organização, já há exemplos dessa convergência, com a negociação coletiva, com resultados muito positivos para os trabalhadores”. Uma prática que, defendeu o sindicalista da Intersindical, também deveria ser seguida em várias matérias a discutir na Concertação Social.

Ucrânia e 25 de Abril: uma manhã de emoções e homenagens

Boa parte da manhã de trabalhos do Congresso foi dedicada à Ucrânia, à Revolução de Abril e à homenagem a Salgueiro Maia.

Depois das fotografias dos sindicalistas que faleceram durante este mandato, todos os congressistas se puseram de pé e acompanharam o hino da Ucrânia, tendo em fundo a bandeira do país.

Seguiu-se um minuto de silêncio e a intervenção do 1.º secretário da Embaixada, que agradeceu todo o apoio que o governo e a população portuguesa têm dado ao seu país, nomeadamente no acolhimento de refugiados.

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