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Vacinação 5-11. "Não há duas vozes na Ordem dos Médicos", garante Miguel Guimarães

10 fev, 2022 - 01:08 • André Rodrigues

Em causa está uma queixa apresentada por 16 médicos contra o presidente do colégio de pediatria. A título pessoal, Jorge Amil Dias defende uma reavaliação da vacinação pediátrica contra a Covid-19, posição contrária à da Ordem dos Médicos.

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O bastonário da Ordem dos Médicos garante que "não há duas vozes" no organismo que regula a profissão. É a resposta de Miguel Guimarães às divergências com o presidente do colégio da especialidade de pediatria que, por mais do que uma vez, expressou posições contrárias à vacinação pediátrica contra a Covid-19, contrariando a linha oficial.

Esta quarta-feira, 16 clínicos, entre os quais o pneumologista Filipe Froes, que coordena o gabinete de crise da Ordem dos Médicos para a pandemia, solicitaram ao Conselho Disciplinar daquele organismo uma avaliação de conduta pelas afirmações contra a vacinação de crianças sem a fundamentação que se exige a um médico com a responsabilidade acrescida de dirigir o colégio da especialidade pediátrica.

"Eu percebo que o Dr. Jorge Amil Dias, quando interveio, teve o cuidado, nalguns casos, pelo menos, de referir que estava a falar como pediatra e não como presidente do colégio", reconhece Miguel Guimarães.

No entanto, em declarações à Renascença, o bastonário da Ordem dos Médicos, lembra que "quando está a falar, todos os jornalistas o rotulavam como presidente do colégio de pediatria e isto gerou alguma confusão nas pessoas".

A posição do presidente do colégio de pediatria foi, de resto, alvo de críticas por parte de comentadores políticos, como Luís Marques Mendes, que sugeriu que as posições de Amil Dias, contrárias à linha oficial, significava, na prática, que a Ordem estaria a falar a duas vozes, em matéria de vacinação pediátrica contra o SARS-CoV-2, causando perturbação e dúvidas na sociedade.

Para Miguel Guimarães, não podem restar dúvidas: "pela Ordem falará o bastonário e a Ordem não deve criar mais dúvidas junto da sociedade civil. Isso é que não pode acontecer", porque "mesmo quando as pessoas não invocam a sua categoria dentro da Ordem, é muito difícil tirarmos a capa à segunda-feira e vestirmos na terça-feira. As pessoas olham sempre para nós por aquilo que, no momento, estamos a representar".

Bastonário não interfere em matéria disciplinar

Sobre eventuais consequências disciplinares desta queixa apresentada por 16 clínicos ao Conselho Disciplinar, Miguel Guimarães diz não conhecer o seu conteúdo, nem os argumentos.

Mas, mesmo que soubesse, "essa é uma matéria dos conselhos disciplinares, não tem nada a ver com o Conselho Nacional da Ordem". Logo, não é da competência do bastonário.

Questionado, também, sobre o timing desta queixa e sobre o facto de o próprio bastonário poder avançar com uma ação junto dos órgãos disciplinares da Ordem em casos como este, sem ter de esperar por uma ação externa à Ordem, Miguel Guimarães argumenta que não tem por hábito discutir questões relacionadas com os colégios de especialidade enviando exposições para os conselhos disciplinares.

As exceções são os casos de "médicos que prevaricaram de forma clara, objetiva e reiterada e há alguns casos conhecidos", como o caso do bebé sem rosto, de Setúbal, em que foi o próprio bastonário a enviar uma queixa para o Conselho Disciplinar da Ordem dos Médicos.

"Em termos práticos, as questões que têm a ver com a representatividade, com o facto de haver opiniões diferentes, são discutidas no órgão nacional da Ordem", conclui Miguel Guimarães.

Jorge Amil Dias. "Nunca falei em nome da Ordem"

Contactado pela Renascença, o presidente do colégio de pediatria não comenta a queixa apresentada contra si na Ordem dos Médicos e garante "respeito pelo estatuto da Ordem dos Médicos".

"Nunca falei em nome da Ordem e o senhor bastonário sabe bem disso", assegura Jorge Amil Dias.

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