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Covid-19

"Infeção natural faz-se sempre à custa de mortalidade", alerta especialista

29 dez, 2021 - 23:05 • João Malheiro

O diretor do serviço de Infecciologia do Hospital Curry Cabral indica que "uma imunização feita desta forma corre sempre o risco das variantes sofrerem novas mutações, que as tornam mais infecciosas e mais mortais". Fernando Maltez considera que a redução do período de isolamento "tem uma base científica".

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O diretor de infecciologia do Hospital Curry Cabral, Fernando Maltez, avisa que a adoção de uma estratégia de infeção natural perante a nova variante Ómicron da Covid-19 "faz-se sempre à custa de morbilidade, comorbilidade e mortalidade".

"Deixar isso correr faz-se sempre à custa de pessoas que vão morrer. Sejam uma, duas, dez, 15. São mortes", alerta o especialista, à Renascença.

A visão decorre de uma sugestão do epidemiologista Manuel Carmo Gomes que, esta terça-feira, disse que Portugal pode ter de mudar de atitude na contenção da Covid-19 devido à elevada transmissibilidade da variante Ómicron, se se comprovar que provoca menos doença grave do que as variantes anteriores.

"Se realmente é muito menos grave do que a Delta em populações muito vacinadas, como é a nossa, talvez faça mais sentido deixar que as pessoas se imunizem naturalmente. Nunca advoguei teorias de imunidade de grupo por infeção natural, mas estamos numa situação completamente diferente, com a população praticamente toda vacinada e uma variante que, para já, não parece ser muito preocupante em hospitalizações", afirmou Carmo Gomes, à Lusa, esta terça-feira.

Para além do risco, em aumento de mortalidade, Fernando Maltez indica que "uma imunização feita desta forma corre sempre o risco das variantes sofrerem novas mutações, que as tornam mais infecciosas e mais mortais".

"O processo tem de passar sempre por vacinação global e equitativa por todo o mundo. E a vacinação terá de acompanhar a evolução genómica das variantes", aponta.

"Temos de pensar sempre na vacinação e na sua evolução e também num antivírico eficaz. Foi sempre essa a regra para o controlo de qualquer doença infecciosa", acrescenta, ainda, o especialista.

Redução do período de isolamento "tem base científica"

A Direção-Geral da Saúde vai anunciar esta quinta-feira de manhã a decisão sobre a redução para cinco dias do período de isolamento de pessoas infetadas com a Covid-19.

O anúncio foi feito esta quarta-feira à noite pela Diretora-Geral da Saúde em declarações à RTP3.

Graça Freitas diz que "Portugal está a equacionar a redução do período de isolamento, que está em fase de avaliação. A base é a probabilidade do que vai acontecer e o que se sabe sobre a história natural da doença: o período de incubação, transmissão e em que esta variante é mais infeciosa. É com base na informação que nos vai chegando que se consegue prever um equilíbrio entre a segurança e evitar que fiquem retidas em isolamento demasiado tempo", disse.

Já o diretor de infecciologia do Hospital Curry Cabral considera que esta decisão "tem uma base científica".

"De facto, a partir dos cinco dias, parece significativa a diminuição da capacidade de transmissão do vírus", explica, à Renascença.

Controlo da transmissão "depende de cada um de nós"

Fernando Maltez acredita que o número de casos diários vai aumentar e que isso vai provocar "uma subida proporcional da pressão sobre os hospitais e os serviços de saúde".

"Se este crescimento não for travado, se as medidas de contenção não forem respeitadas, os serviços de saúde vão passar por severas dificuldades", indica.

O infecciologista destaca que "é importante, mais do que nunca, que se olhe para os números diários e se respeite as regras" de combate à pandemia.

"Não podemos de forma nenhuma, nesta fase, abrandar nas medidas de contenção nem no processo de vacinação", defende, à Renascença

O diretor de infecciologia do Hospital Curry Cabral considera, ainda, que a capacidade de testagem à Covid-19, em Portugal, "está muito boa", mas "não é por aí que vamos controlar a infeção".

"Ao ritmo de testagem e de novos casos, é impossível que as autoridades de saúde tenham a capacidade para fiscalizar e interromper todas as cadeiras de transmissão", aponta.

"Depende de cada um de nós. Já todos sabemos como é que isto se transmite e como é que se pode interromper. Temos de ter a iniciativa de nos resguardar", conclui Fernando Maltez.

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