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Cidadãos aplaudem controlo fronteiriço. “É uma questão de segurança”

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Cidadãos aplaudem controlo fronteiriço. “É uma questão de segurança”

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02 dez, 2021 - 11:50 • Olímpia Mairos

Uma maior fiscalização nas fronteiras terrestres é uma das medidas para responder ao aumento do número de casos de Covid-19 em Portugal.

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Quem chega a Portugal pelas fronteiras terrestres tem de ter um certificado de vacinação ou de recuperação. Vindo de fora da União Europeia precisa ainda de teste negativo.

A operação de fiscalização da GNR na fronteira de Vila Verde da Raia, em Chaves, com seis militares, decorre sem problemas. Os condutores dos veículos são mandados parar de forma aleatória e têm que apresentar, tal como os restantes passageiros, o certificado de vacinação ou recuperação ou o teste de PCR ou antigénio.

Vasco Portal, um dos primeiros automobilistas a ser fiscalizado nesta operação, considera que “estas medidas são fundamentais para conter a propagação da Covid-19”.

“Acho importantíssimo este controlo, porque nos aproximamos da época natalícia, em que há muitos emigrantes a querer entrar no país, e da maneira que isto está, os casos a subirem cada vez mais, é fundamental não deixar entrar as pessoas sem regras”, diz à Renascença.

Também Carla Sofia, enfermeira em Verin, foi mandada parar pelos militares da GNR. Apresentou o certificado de vacinação e, em diálogo com os militares, agradeceu o “serviço que estão a prestar”, porque “é uma forma de evitarmos um aumento de casos na região”.

“É um processo rápido. Não se perde tempo nenhum e parece-me que é importante para evitarmos chegar aos números que chegamos o ano passado. Ainda pouco sabemos da nossa variante [Ómicron], mas mais vale prevenir do que remediar”, diz.

Já António Sousa considera que deveriam ser tomadas “medidas mais radicais”.

“A fronteira devia encerrar”, defende o engenheiro que vive em Oimbra, Espanha, e trabalha em Chaves, argumentando que “só assim é possível um controlo eficaz, porque quem não tiver certificado ou teste pode sempre seguir viagem pela autoestrada ao lado, onde não há qualquer controlo”.

Espanhóis enaltecem as medidas

Os espanhóis que passaram esta manhã na fronteira aplaudem a medida do Governo português.

António Feijó seguia com a esposa para uma consulta em Chaves. E aos militares só tiveram que apresentar os respetivos certificados de vacinação. Já deram a terceira dose da vacina, dizem que têm “todos os cuidados para não apanhar o vírus”.

“É bom porque, assim, estão a impedir a entrada de casos positivos e nós sentimo-nos muito mais seguros”, confidencia António.

Tal como António, também José Lopez estava prevenido e apresentou às autoridades portuguesas o “passaporte Covid”, para poder entrar em Portugal.

“Embora se perca um pouco de tempo, acho bem. É uma questão de segurança para todos”, diz o galego que trabalha num restaurante em Chaves.

Já Francisco Fernandez, que viajava com um colega, teve que voltar para trás. Apesar de afirmar que já está vacinado, não trazia consigo o certificado de vacinação.

“Não sabia que era necessário. Fui apanhado de surpresa. Passei aqui na segunda-feira e não foi preciso nada. Agora tenho que ir a uma farmácia fazer o teste e voltar porque trabalho numa pedreira e não posso faltar ao trabalho”, conta à Renascença.

Apesar do incomodo, este trabalhador transfronteiriço aplaude a medida, “porque é uma forma de controlar a pandemia”.

À Renascença, fonte da GNR garante que os automobilistas são sensíveis a estas ações e na sua maioria chegam com a documentação necessária.

Para entrar em Portugal pelas fronteiras terrestres, os cidadãos de países exteriores à União Europeia e dos países considerados de risco vermelho ou vermelho escuro sem certificado digital europeu de teste ou recuperação, precisam de teste PCR negativo ou comprovativo de teste rápido antigénio.

O teste PCR precisa de ser efetuado até 72 horas antes e o antigénio, com comprovativo laboratorial, até 48 horas. Quem não apresentar um dos testes referidos ou se recusar a fazer um dos testes indicados pelas autoridades terá de pagar uma multa de 300 a 800 euros.

As novas medidas, para responder ao aumento do número de casos de Covid-19 em Portugal, entraram em vigor às 00h00 de quarta-feira, coincidindo as restrições com o regresso à situação de calamidade, que vai manter-se até 20 de março de 2022.

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