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Fundação Francisco Manuel dos Santos

Assédio, natalidade, política, internet. O que pensam, sentem e fazem os jovens portugueses

27 nov, 2021 - 00:01 • José Pedro Frazão

Um estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos conclui que os jovens estão satisfeitos com a democracia, não vivem sem as redes sociais, admitem sair das suas cidades e estão mais próximos do álcool do que do tabaco. O relatório de mais de 450 páginas confirma também as tendências de assédio e violência, atingindo sobretudo as mulheres jovens.

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Quatro em cada dez jovens entre os 15 eos 34 anos dizem ter sofrido alguma situação de assédio ou de violência pelo menos uma vez, fosse nos locais onde estudaram, nos locais onde trabalharam ou nas suas relações de intimidade.

Os dados constam de um estudo encomendado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos à consultora PRM a uma amostra online de 4904 jovens recolhida em junho de 2020. A faixa etária analisada tem correspondência em 2,2 milhões de portugueses, segundo dados do INE/ Pordata.

A prevalência dos casos de assédio é maior nas mulheres ( 53% em comparação de 32% nos homens) que relatam sobretudo " assédio moral num ou mais dos locais onde estudaram" (26 %) "violência psicológica nas suas relações de intimidade" (23 %) e "assédio físico ou sexual fora do âmbito da sua intimidade" (22 %).

O estudo inclui 27 páginas sobre a atitude dos jovens em relação à política, à sociedade, ao meio ambiente e a várias questões controversas.

No plano da natalidade, desejo de ter mais do que um filho está evidente em pelo menos dois parâmetros. Entre os que gostariam de ter mais filhos, o número médio de filhos adicionais que gostariam de ter é de 1,4. Entre os 56 % de jovens que não têm filhos e gostariam de ter, o número ideal de filhos situa-se, para a maioria, em dois.

Os jovens que não revelam qualquer tipo de crença ou pertença a religião estão em minoria (42% ) face a 50% de crentes católicos e 8% de outras confissões de denominações religiosas. Entre os jovens católicos, a maioria afirma participar em menos de uma celebração por mês.

Entre as situações controversas "que se justificam sempre ou quase sempre", a inseminação artificial ou fertilização in vitro recolhe a maioria das opiniões positivas, com 71%. Segue-se a eutanásia com 60%, as "barrigas de aluguer" com 54%. Num plano mais negativo estão a pena de morte, o não pagamento de impostos, o aborto e nos extremos - ou seja nas situações que a maioria dos jovens acha que não se justificam nunca ou quase nunca - estão o suicídio e a violência por motivos políticos.

Petições, Eleições e Televisões

Os homens jovens revelam maior interesse na política do que as mulheres, apesar delas votarem com maior frequência, sendo que a escolaridade potencia esse interesse e uma opinião declarada sobre a sua posição política. Globalmente, consideram que a democracia em Portugal "funciona bem ou muito bem" e ocupam maioritariamente uma "posição intermédia entre a esquerda e a direita".

Curiosamente, há um detalhe no capítulo político que faz alguma distinção de género. "Há pouco mais de mulheres no extremo da esquerda (33 % face a 26 % dos homens), enquanto entre os homens há um pouco mais no extremo da direita (35 % face a 26 % das mulheres)", pode ler-se no estudo.

4 em cada 10 jovens assinou uma petição no último ano. É a acção social em que mais jovens participaram. Dizem-se maioritariamente responsáveis por tentar reduzir as

alterações climáticas, sendo adeptos sobretudo da reciclagem de resíduos e do uso de energias renováveis.

A televisão é o meio preferido para se informarem sobre actualidade politica e social, bem acima da imprensa digital e das redes sociais e deixando o fundo da tabela para a imprensa em papel.

É mesmo líquido que estão na Net

A maioria dos jovens utiliza a internet entre 1 e 5 horas diárias, mas 26% dos inquiridos supera esse tempo de utilização. 97% dos jovens dizem-se utilizadores de redes sociais e na sua maioria encontram-se lá até 2 horas por dia. A grande maioria costuma jogar no computador, na consola ou no telemóvel (85 %).

Na sua maioria, os jovens dormem bem, em torno de 7 horas e meia, mas com dificuldades em acordar de manhã. Para além das horas de sono repartem o tempo restante em casa e fora dela. Na sua residência, dizem que só 40% do tempo é exclusivamente para si, num total de quase três horas e meia. Apenas 17% fazem alimentação com regimes específicos e quase dois terços dizem praticar desporto ou alguma actividade física de forma frequente.

O alcoól está presente nas suas vidas. Os não-consumidores de bebidas alcoólicas são a minoria ( 29 % dos jovens analisados nste estudo) e são também menos os que se delaram fumadores de tabaco (24%). Quase um terço experimentou pelo menos uma vez marijuana ou haxixe mas apenas 3% declaram que consomem drogas duras.

O estudo também inquiriu os jovens sobre a dimensão do seu círculo de "bons amigos". Nos homens jovens é composto, em média, por 8,4 pessoas e no das mulheres é composto, em média, por 5,6 amigos.

Mudar de vida para outra cidade no país é um cenário plausível para pouco mais de umt erço dos jovens que residem em Portugal. Três em cada 10 inquiridos "têm a certeza de que iriam viver para o estrangeiro", sendo que as mulheres jovens estão menos disponíveis para emigrar.

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