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Estudo OCDE

Pandemia contribuiu para excesso de mortalidade em Portugal no início de 2021

25 nov, 2021 - 09:10 • João Malheiro

Relatório indica que excesso de mortalidade, na segunda semana do ano, foi de 75%, muito acima da média da maioria dos países da OCDE. Confiança dos portugueses no Governo aumentou para 61%, em 2020. Sentimento de solidão aumentou em todo o mundo.

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O excesso de mortalidade, em Portugal, disparou nas primeiras semanas de 2021, estando muito acima da média conjunta de 33 países da OCDE, segundo dados de um estudo da organização, divulgados esta quinta-feira.

Em Portugal, na segunda semana do ano, o excesso de mortalidade situava-se nos 75%, um aumento exponencial, comparado com as últimas semanas de 2020, em que chegou a estar abaixo dos 25%.

O início de 2021 foi marcado pela terceira vaga da pandemia da Covid-19, altura em que se registou o maior número de casos e de óbitos diários da doença, em Portugal.

O excesso de mortalidade, entretanto, baixou para números negativos, com o progredir do ano.

Em média, entre março de 2020 e maio de 2021, o excesso de mortalidade em Portugal foi de 16%, igual à média conjunta de 33 dos 38 países da OCDE.

61% dos portugueses confiam no Governo

Depois de um aumento, entre 2016 e 2017, e de uma queda entre 2018 e 2019, a confiança dos portugueses no Governo aumentou, em 2020.

Segundo dados da OCDE, a confiança no Executivo aumentou de 44% para 61%.

É o melhor registo do Governo português nos estudos da OCDE, desde que António Costa tomou posse como primeiro-ministro.

Em média coletiva de 35 países da OCDE, a confiança nos governos nacionais aumentou de 45% para 49%.

Solidão e isolamento da sociedade aumentam

Os sentimentos de solidão e de isolamento da socidade aumentaram, desde o início da pandemia, quer em Portugal, quer no resto da OCDE.

Entre abril e junho de 2020, 12% admitia sentir solidão, enquanto entre fevereiro e março já eram 19%.

Numa média conjunta de 22 países da OCDE, o aumento foi de 14% para 19%, nos mesmos períodos de tempo.

Já o sentimento de isolamento da sociedade também está a aumentar, mas em menor escala, em Portugal, que no resto da OCDE.

Entre junho e julho de 2020, 11% assumiam sentir-se assim, enquanto 18% dizia o mesmo já entre fevereiro e março de 2021, em Portugal.

Na média coletiva de 22 países da OCDE, o aumento foi de 19% para 27%, na mesma altura.

Depois de estar em queda, desde 2016, o sentimento de baixa satisfação de vida tem estado a aumentar, em Portugal, desde 2019.

19% diz ter uma satisfação baixa, em 2020, um número mesmo assim abaixo de 2016, em que quase 30% respondeu dentro desta categoria.

Rendimentos e dívida mantêm-se estáveis

O rendimento médio disponível das famílias manteve-se estável e teve um aumento cumulativo de 1%, em Portugal, e 2%, na OCDE, entre o quarto trimestre de 2019 e o de 2020.

No mesmo período de tempo, a dívida das famílias manteve-se estável nos 112% do rendimento disponível, enquanto em média coletiva de 20 países da OCDE, desceu de 119% para 118%.

Já a dívida pública aumentou de 123% para 139% do PIB, em Portugal, entre o quarto trimestre de 2019 e o de 2020.

Entre 2019 e 2020, 11% de jovens, entre os 15 e os 29 anos, não estiveram empregados, em treino ou num nível de educação, em Portugal. Um número que se manteve estável nos últimos anos três anos.

Em média coletiva de 30 países da OCDE, registou-se um aumento de 13% para 14% de jovens nas mesmas condições, durante o mesmo período.

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