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Marcha pela justiça climática junta mil pessoas em Lisboa. “Vim lutar pelo futuro da minha filha”

07 nov, 2021 - 21:20 • Joana Gonçalves

As líderes do PAN e Bloco de Esquerda marcaram presença no protesto contra a inação climática, que decorreu na véspera do arranque da segunda semana da COP 26, a conferência das Nações Unidas sobre o clima.

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"Partilhem amor, não CO2", lê-se no cartaz que carrega Maya, na marcha pelo Clima, em Lisboa. Foto: Joana Gonçalves/ RR
"Partilhem amor, não CO2", lê-se no cartaz que carrega Maya, na marcha pelo Clima, em Lisboa. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Gustavo Garcia, pai de Maya, viajou de Coimbra a Lisboa de propósito para participar no protesto contra a inação climática.  Foto: Joana Gonçalves/ RR
Gustavo Garcia, pai de Maya, viajou de Coimbra a Lisboa de propósito para participar no protesto contra a inação climática. Foto: Joana Gonçalves/ RR
“Vim lutar pelo o futuro da minha filha Maya", defendeu Gustavo Garcia, natural de Porto Rico.Foto: Joana Gonçalves/ RR
“Vim lutar pelo o futuro da minha filha Maya", defendeu Gustavo Garcia, natural de Porto Rico.Foto: Joana Gonçalves/ RR
Marcha pelo clima junta mil pessoas em protesto contra as alterações climáticas, na capital.  Foto: Joana Gonçalves/ RR
Marcha pelo clima junta mil pessoas em protesto contra as alterações climáticas, na capital. Foto: Joana Gonçalves/ RR
A marcha pela justiça climática juntou cerca 500 mil pessoas em todo o mundo, segundo avança a organização.  Foto: Joana Gonçalves/ RR
A marcha pela justiça climática juntou cerca 500 mil pessoas em todo o mundo, segundo avança a organização. Foto: Joana Gonçalves/ RR

De punho ao alto e com um pequeno coração de cartolina ao peito, Maya junta-se ao coro de protesto que grita palavras de ordem contra a inação climática. Ao lado, o pai dita o ritmo da marcha, entre centenas de pessoas que percorrem a Avenida Almirantes Reis, numa manifestação pela justiça climática.

“Estamos a lutar pela ação climática, que é urgente, necessária e o único caminho possível. Exigimos ação dos Governos”, explica Gustavo Garcia.

O homem de 36 anos, natural de Porto Rico, vive há dois anos em Portugal, em Coimbra, e viajou até à capital de propósito para marcar presença nesta marcha. “Vim lutar pelo futuro da minha filha Maya, pelo futuro de toda a humanidade e pela justiça social, que é um elemento básico de qualquer sociedade democrática”, conta à Renascença.

A criança que o acompanha interrompe orgulhosamente o pai e mostra o cartaz que carrega. “Make love, not CO2”, lê-se em letras pretas sobre fundo vermelho. Para a família esta é também uma “luta pela sobrevivência”, defende Gustavo.

"Porto Rico está no Caribe, é uma das regiões mais afetadas pela crise climática. Muitas ilhas e terrenos do Porto Rico vão desaparecer. É a nossa existência que também está em jogo. Não é suficiente o blablabla”, reitera.

Rita Silva, 23 anos, protesta contra a inação dos Governos face às alterações climáticas. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Rita Silva, 23 anos, protesta contra a inação dos Governos face às alterações climáticas. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Mais de mil pessoas manifestaram-se esta tarde em Lisboa a favor da justiça climática. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Mais de mil pessoas manifestaram-se esta tarde em Lisboa a favor da justiça climática. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Vários residentes da Avenida Almirante Reis foram até à varanda espreitar a manifestação, que arrancou às 15h00, deste domingo. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Vários residentes da Avenida Almirante Reis foram até à varanda espreitar a manifestação, que arrancou às 15h00, deste domingo. Foto: Joana Gonçalves/ RR
"Queremos solução, não poluição", lê-se num dos cartazes. Foto: Joana Gonçalves/ RR
"Queremos solução, não poluição", lê-se num dos cartazes. Foto: Joana Gonçalves/ RR

Uns metros à frente, Rita Silva lidera um grupo de jovens do Bloco de Esquerda. De megafone em riste, provoca: “Não há que?”. “Não há planeta B”, respondem as dezenas que a seguem.

“Juntei-me à marcha da justiça climática porque é umas das grandes lutas da minha geração. Temos que unir a nossa voz para que isto se traduza em medidas concretas: mais ferrovia, menos aeroportos, escolhas energéticas mais sustentáveis”, esclarece a jovem de 23 anos, natural do Porto.

“É preciso deixar de pôr o lucro à frente da vida das pessoas e do ambiente. Enquanto membros da União Europeia temos uma responsabilidade ainda maior, na implementação de medidas e em pressionar os outros Estados membros a fazer o mesmo. Acho que a nossa responsabilidade é coletiva”, acrescenta, em referência ao papel de Portugal na luta global contra a crise climática.

Para Rita Silva, a geração de que faz parte é aquela que mais vai sofrer com a atual inação dos líderes mundiais e “é por isso que sentimos esta urgência de sair às ruas”.

“Somos a geração que menos contribuiu para os impactos que sentimos atualmente, mas vamos ser a geração que mais os vais sentir, porque vamos viver, com sorte, mais 50 ou 60 anos, a sofrer essas consequências”, defende.

Junto a Rita está a coordenadora do Bloco de Esquerda. Para Catarina Martins, a 26.º conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP 26), que decorre em Glasgow, tem sido “uma enorme decepção".

"Assistimos a um desfilar de boas intenções, mas nenhuma medida concreta para a descarbonização da economia, nenhuma medida concreta para travar o aquecimento global”, afirmou a bloquista.

Já a deputada do PAN Inês de Sousa Real criticou a ausência do primeiro-ministro na manifestação e pediu metas "mais ambiciosas".

Gonçalo Portela marcou presença no protesto para “reivindicar uma luta séria contras as alterações climáticas”. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Gonçalo Portela marcou presença no protesto para “reivindicar uma luta séria contras as alterações climáticas”. Foto: Joana Gonçalves/ RR
A marcha pela justiça climática terminou na Alameda. Foto: Joana Gonçalves/ RR
A marcha pela justiça climática terminou na Alameda. Foto: Joana Gonçalves/ RR
A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, apelidou de "enorme decepção" a 26.º conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP 26), que decorre em Glasgow.
A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, apelidou de "enorme decepção" a 26.º conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP 26), que decorre em Glasgow.
A marcha começou no Martim Moniz, percorreu a Avenida Almirante Reis e terminou com uma concentração na Alameda. Foto: Joana Gonçalves/ RR
A marcha começou no Martim Moniz, percorreu a Avenida Almirante Reis e terminou com uma concentração na Alameda. Foto: Joana Gonçalves/ RR

Gonçalo Portela, que esteve presente no protesto para “reivindicar uma luta séria contras as alterações climáticas”, partilha a mesma visão e diz-se pouco confiante no resultado da reunião entre líderes mundiais e especialistas, que termina a 12 de novembro.

“Acho que por um lado é suficiente o progresso no carvão, mas por outro lado existem muitos outros temas que precisam de ser abordados de uma maneira mais séria”, alertou.

Para Catarina, 26 anos, trata-se de procurar soluções para “o grande problema das próximas décadas”. “Sem conseguirmos resolvê-lo tudo o resto não interessará para absolutamente nada”, reitera.

“Vim aqui hoje porque estou cansada da frustração constante que sinto com a falta de ação global dos Governos, empresas e pessoas. Venho aqui pedir às pessoas presentes na COP26 que, por favor, levem as coisas a sério e parem de dizer coisas que não vão cumprir”, apela a jovem.

A marcha pela justiça climática juntou mais de mil pessoas em Lisboa, num movimento que somou cerca 500 mil por todo o mundo, no dia anterior, de acordo com a organização. Para além do combate contra as alterações climáticas, manifestam-se contra o racismo e a favor da igualdade de género.

"Venho aqui pedir às pessoas presentes na COP26 que por favor levem as coisas a sério e parem de dizer coisas que não vão cumprir”, apelou Catarina, de 26 anos.
"Venho aqui pedir às pessoas presentes na COP26 que por favor levem as coisas a sério e parem de dizer coisas que não vão cumprir”, apelou Catarina, de 26 anos.
Alguns curiosos espreitaram da janela a manifestação, que juntou um milhar de pessoas. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Alguns curiosos espreitaram da janela a manifestação, que juntou um milhar de pessoas. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Para além do combate contra as alterações climáticas, os jovens manifestam-se contra o racismo e a favor da igualdade de género. Foto: Joana Gonçalves/ RR
Para além do combate contra as alterações climáticas, os jovens manifestam-se contra o racismo e a favor da igualdade de género. Foto: Joana Gonçalves/ RR

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  • Bruno
    07 nov, 2021 aqui 23:25
    A China está-se nas tintas para as marchas que ocorrem.em Lisboa. Na verdade, ninguém quer saber do assunto porque isso implica mudar radicalmente de estilo de vida. Os governos, oportunistas como são, vêm aqui uma oportunidade de aplicar taxas e taxinhas, como se pagamento do imposto capturassem CO2 da atmosfera. Mais vale nos irmos mentalizando que a humanidade não tem futuro e ainda bem que assim é.

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