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Habitação, Emprego e Saúde. Quais os melhores concelhos para viver

22 set, 2021 - 14:50 • Joana Gonçalves

Dados do INE traçam um retrato das diferenças entre litoral e interior. A Renascença reúne os principais indicadores-chave do desempenho dos 308 municípios portugueses: Habitação, Emprego, Educação, Saúde e Ambiente.

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Vila Flor, no distrito de Bragança, é o município português onde arrendar casa é mais barato. Foto: Joana Bourgard/RR
Vila Flor, no distrito de Bragança, é o município português onde arrendar casa é mais barato. Foto: Joana Bourgard/RR
Com 17,2% de desempregados no total da população ativa residente, Albufeira é o concelho onde este indicador atinge o valor mais elevado, a nível nacional. Foto: Luís Forra/ Lusa
Com 17,2% de desempregados no total da população ativa residente, Albufeira é o concelho onde este indicador atinge o valor mais elevado, a nível nacional. Foto: Luís Forra/ Lusa

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Comprar e arrendar casa? Bragança tem os preços baixos

Sem ligação direta de transportes públicos que una os dois municípios, a distância entre Vila Flor e Lisboa supera em muito os 400 quilómetros de estrada e as mais de sete horas de viagem que os separam. Da demografia, à saúde, educação, emprego, segurança e até gestão ambiental, é na habitação que a diferença entre os dois concelhos mais se faz notar.

Apesar de não ser o município com menor número médio de alojamentos por quilómetro quadrado, posição ocupada por Monforte, no distrito de Portalegre, é em Vila Flor que as rendas alcançam o valor mais baixo do país.

Os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), revelam que, em 2020, o preço mediano de arrendamento por metro quadrado neste município de Bragança se fixou nos 1,86 euros. Um valor cerca de três vezes inferior à mediana nacional (5,61€) e seis vezes menor do que a mediana de preços praticados em Lisboa, no mesmo ano (11,46€).

Arrendar casa é mais barato nas regiões do interior Norte e Centro do país. Os preços aumentam exponencialmente no litoral e no sul de Portugal. Loures, Lagos, Loulé, Albufeira e Portimão estão entre os 15 municípios portugueses onde arrendar casa é mais caro.

O valor médio de compra e venda de casa segue a mesma tendência. O distrito de Bragança surge, novamente, no topo da lista de preços mais acessíveis, com Carrazeda de Ansiães a liderar a tabela. Um prédio urbano, que inclui alojamentos familiares, terrenos para construção e edifícios que se destinem a habitação, comércio, indústria ou serviços, custa em média 12.259 euros, neste município.

Em Lisboa, a mesma propriedade custa cerca de 38 vezes mais. De acordo com o valor médio de transações realizadas em 2019, o preço de um prédio urbano na capital superou os 461 mil euros. Seguiram-se Cascais (348.436€), Loulé (316.280€), Lagos (243.735€) e Monchique (243.435€).

E foi precisamente nas regiões onde o custo da habitação é mais elevado que se verificou a maior quebra de faturação durante a pandemia de Covid-19, entre março e dezembro de 2020. O Algarve atingiu o maior decréscimo, face ao período homólogo, com uma quebra de 27,4%, superior à média nacional (14,3%).

Ferreira do Zêzere regista menor taxa de desemprego, mas salários ficam aquém da média nacional

A relação entre desemprego e poder de compra em Portugal não é linear e a pandemia parece ter agitado ainda mais as águas. Albufeira, concelho da região do Algarve, é exemplo disso mesmo.

O município fixou-se em 2017, último ano de que há registo, entre os 15 concelhos portugueses com maior poder de compra per capita. Mas as quebras no sector do turismo, em resultado da epidemia de Covid-19, fizeram disparar o desemprego e atiraram o município para a pior posição da tabela.

Com 17,2% de desempregados no total da população ativa residente, Albufeira é o concelho onde este indicador atinge o valor mais elevado, a nível nacional.

Em lugar oposto está Ferreira do Zêzere que, em 2020, registou a menor taxa de desemprego. Mas se, à primeira vista, este resultado afasta o emprego da lista de prioridades municipais, um olhar mais atento põe fim à dúvida.

Os dados mais recentes do INE revelam que os salários neste concelho ribatejano, avaliados pelo ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem, ficam aquém da média nacional, numa diferença que supera os 200 euros. E o poder de compra é também 32% inferior à média do país.

O município com a média salarial mais baixa foi, em 2019, Celorico de Basto, em Braga. Seguiram-se Marvão, em Portalegre, e Mondim de Basto, em Vila Real, os únicos concelhos onde o ordenado médio se fixou abaixo dos 800 euros mensais.

Já Alcochete (2.011€), Sines (1.869€), Castro Verde (1.796€), Oeiras (1.748€) e Lisboa (1.669€) ocupam as cinco posições cimeiras. E é, precisamente, o concelho de Alcochete aquele que regista o maior aumento do salário médio, face aos cinco anos anteriores.

Há, contudo, cinco municípios onde o ordenado médio regista um decréscimo, em igual período: Vila do Porto, nos Açores, Torre de Moncorvo, em Bragança, Vieira do Minho, em Braga, Azambuja, em Lisboa, e Sabrosa, em Vila Real.

Educação. Lisboa e Porto lideram em número, Viana do Castelo na promoção de equidade

Um olhar sobre o mapa de distribuição de instituições de ensino pelo país torna claro que é nas capitais de distrito e municípios limítrofes que o número de escolas e universidades ou politécnicos atinge o máximo nacional. Do ensino pré-escolar ao superior a tendência mantém-se.

Já a diferença entre instituições públicas e privadas segue a distribuição inversa. Os concelhos mais afastados dos grandes centros urbanos concentram, na sua maioria, o maior número de escolas públicas, em percentagem do total de instituições.

Mas maior oferta não é, necessariamente, sinónimo de melhor qualidade de ensino. O Ministério da Educação divulgou este ano, pela primeira vez, um indicador que permite avaliar a promoção do sucesso educativo dos alunos mais carenciados.

Viana do Castelo foi o distrito português que liderou no novo indicador de equidade, em ano de estreia. De acordo com os resultados, referentes ao ano lectivo 2018-2019, o agrupamento de escolas de Ponte de Lima apresentou o melhor desempenho no ensino básico, enquanto o agrupamento de escolas Sidónio Pais, em Caminha, ocupou a posição cimeira no ensino secundário.

Os primeiros resultados deste novo instrumento apontam para um grande desequilíbrio regional na promoção do sucesso dos alunos mais carenciados. As regiões no litoral Norte, como é o caso dos distritos de Viana do Castelo ou Braga, registam o melhor desempenho a nível nacional, já Beja e Bragança, distritos do sul e interior de Portugal apresentam os valores mais baixos de equidade.

Para Pedro Freitas, investigador na área da economia da educação da NOVA SBE, este desequilíbrio é um reflexo das desigualdades regionais do país e pode ser explicado, em parte, pelo critério de alocação dos alunos às escolas.

Em entrevista à Renascença, em maio, altura em que foram divulgados os resultados do ranking das escolas 2020, o especialistas defendeu uma alteração no critério de alocação dos alunos às escolas, que passe pela criação de “margens dentro das vagas das escolas” para alunos que possam querer inscrever-se em estabelecimentos que ficam fora da sua área de residência. Uma medida que visa pôr fim a este "ciclo vicioso e quebrar as desigualdades".

Sines é o maior emissor de CO2, Mação soma a maior percentagem de gastos em ambiente

Em 2019, último ano de que há registo, Mação foi o concelho que mais gastou em ambiente (23,4%), em percentagem do total de despesas municipais. A proteção da biodiversidade e paisagem representou cerca de 83% deste gasto, no mesmo ano.

Nas piores posições da tabela ficam os concelhos da Nazaré, Covilhã e Corvo, com menos de 1% do total de despesas alocadas ao ambiente.

Sines, que lidera desde 2015 em emissão de CO2, também está entre os municípios que menos gastam em despesa ambiental (3,5%).

De acordo com o relatório sobre as emissões de poluentes atmosféricos por concelho, divulgado pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Vila Franca de Xira está no top 10 dos maiores emissores nacionais dos três principais gases com efeito de estufa: dióxido de carbono (CO2), Metano (CH4) e óxido nitroso (N2O).

Aveiro garante médicos de família, Algarve ocupa o pior lugar da tabela

O Serviço Nacional de Saúde soma, de acordo com os dados mais recentes da PORDATA, cem hospitais em território continental. Mais de 30% das unidades hospitalares do SNS situam-se em apenas três concelhos: Lisboa, Coimbra e Porto.

Pelo menos, 211 municípios portugueses não têm qualquer unidade hospitalar pública.

Apesar de não concentrar o maior número de hospitais, nem sequer de centros de saúde, é o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Aveiro Norte que assegura a maior percentagem de utentes com médico de família atribuído.

No último lugar da tabela estão o ACES do Algarve Barlavento e Sintra, com mais de 27% dos utentes sem médico de família, em agosto de 2021.

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  • Fernando Santos
    23 set, 2021 Quarteira 18:36
    O mercado de trabalho em Portugal continua a ser uma vergonha no Algarve principalmente. Na área do turismo é precário e ainda por cima mal pago. Ainda a Empresas temporarias a pagar 5 euros por hora em plena época alta aonde se trabalho sem direitos e respeito e na época baixa fica se sem trabalho. Dizem por ai que os Portugueses não querem trabalhar pois eu digo quem trabalha em Portugal tem de ser muito trabalhador.

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