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Guerra Israel-Hamas

Portuguesa no Líbano. A vida faz-se “um dia de cada vez" entre "ânimos muito exaltados"

25 out, 2023 - 07:10 • André Rodrigues

Rita Dieb é de Beirute há quase 20 anos, desde que casou com um libanês. Perante a ameaça de alastramento da guerra entre Israel e o Hamas, esta portuguesa, natural de Santarém, defende-se do medo, procurando levar uma vida tão normal quanto a situação permite. Regressar a Portugal? Não agora, mas "se a situação se tornar muito grave, pomos essa hipótese".

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Estamos todos muito apreensivos”. O desabafo é feito à Renascença por Rita Dieb, uma portuguesa a residir em Beirute que não esconde o receio de que a guerra entre Israel e o Hamas possa atravessar a fronteira para o país que é, também, o seu há quase 20 anos, desde que casou com um cidadão libanês.

Com o escalar das provocações e das trocas de fogo, cada vez mais frequentes na linha sul do território que confronta com Israel, esta portuguesa reconhece que os pouco mais de 100 quilómetros de distância até à fronteira são, na verdade, muito pouco para conseguir ignorar o clima de “muito receio, prudência e cautela”.

Os ânimos estão muito exaltados”, ilustra Rita Dieb, quando se refere às manifestações junto à Embaixada norte-americana: “embora não haja confrontos, nem tiroteios, não são manifestações nada pacíficas e isso também nos causa um receio maior” e alimenta o medo de que o Líbano possa ser arrastado para uma guerra com consequências, no mínimo, imprevisíveis.

Enfrentar o medo “um dia de cada vez”

Apesar de estes voltarem a ser tempos extraordinários, que trazem à memória uma sucessão de conflitos passados a par com um sentimento de insegurança e de instabilidade, Rita Dieb diz que o país procura diluir receios, tentando levar a vida com a normalidade possível.

“Nós continuamos a trabalhar, as escolas continuam abertas. Algumas escolas já enviaram planos de emergência, caso seja necessário os familiares irem buscar os seus filhos. Mas continuamos a fazer o nosso dia a dia normal”, conta.

Até nos supermercados, Rita Dieb descreve um cenário de aparente normalidade, seja notória “uma maior afluência, mas nada de alarmante. Estamos todos a tentar viver o dia a dia, um dia de cada vez. E vamos acompanhando o desenrolar dos acontecimentos”.

Até que há um momento da conversa em que surge a pergunta: como é que viu o ataque do Hamas contra Israel, a 7 de outubro?

"Perdoe-me, mas vou abster-me", responde a luso-libanesa que prefere não se alongar em considerações, preferindo inserir esses acontecimentos no quadro mais alargado de "um conflito que já dura há bastante tempo e que é muito complicado”.

Numa análise retrospetiva da história do Líbano, Rita fala de “um povo e um país demasiadamente fustigados, seja por guerras anteriores, seja pela explosão do porto em 2020, da qual ainda não nos recompusemos”.

Ainda assim, e na soma de todas as parcelas desta complexa equação, esta portuguesa espera não ter de trocar quase duas décadas de vida construída em Beirute por um regresso às origens portuguesas, em Santarém.

Espero que não seja preciso… mas caso a situação se torne muito grave, pomos essa hipótese”, conclui.

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