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Eleições Brasil 2022

Lula será um 'mal menor' para os imigrantes brasileiros?

30 set, 2022 - 19:09 • Pedro Valente Lima

Faltam cerca de 48 horas para o dia de todas as decisões no Brasil. A Renascença foi ouvir as preocupações e expectativas dos imigrantes brasileiros no Jardim do Morro, em Vila Nova de Gaia.

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Este domingo, 2 de outubro, os brasileiros são chamados às urnas de voto para, entre outros cargos estaduais e federais, elegerem o presidente do Brasil. O favoritismo tem recaído, naturalmente, entre o atual líder, Jair Bolsonaro, e um velho conhecido, Lula da Silva.

Mas como é que os imigrantes brasileiros em Portugal olham para este novo passo decisivo na história do país? A Renascença foi ao Jardim do Morro, em Vila Nova de Gaia, ouvir o que alguns brasileiros esperam destas eleições gerais de 2022.

Para Nathan Fonseca, "o Brasil está em estado crítico" e é preciso que o país recupere economicamente. O jovem de 21 anos e aspirante a futebolista diz votar desde os 16 anos e que, entre Lula e Bolsonaro, tem a certeza que... vai votar em branco.

"Não há ninguém que possa representar o Brasil agora e vai demorar muito para reconstruir o Brasil que todo o mundo quer ver", justifica.

Ainda assim, admite que o candidato do Partido dos Trabalhadores seria um "mal menor": "Independentemente de o Lula ser uma pessoa incorreta, eu acho que ele foi a única pessoa que deu emprego a todo o mundo. Tanto que quando saiu do governo, houve mais de 20 milhões de desempregados".

Por outro lado, Nathan realça que o atual presidente, Jair Bolsonaro, "não é flor que se cheire". "Há muitas pessoas que confiam nele, mas ele não é inteligente o suficiente para comandar um país inteiro", aponta.

Lula da Silva é o candidato "dos trabalhadores, do povo"

Pamela Gonçalves, infelizmente, não irá poder votar, uma vez que não se inscreveu a tempo no voto em mobilidade. A empregada de restauração, de 24 anos, admite que, se pudesse, votaria em Lula da Silva que, para si, "está do lado dos trabalhadores, do lado do povo".

A jovem já não vai ao Brasil "há três, quatro anos". Passou boa parte da sua vida em Portugal, esteve emigrada na Bélgica nos últimos dois anos e regressou ao Porto há cerca de um mês.

Assistir de longe às eleições costuma deixá-la "de coração nas mãos". Aliás, há quatro anos, quando Bolsonaro foi eleito, admite ter "chorado" face aos resultados. Caso seja reeleito, Pamela admite ficar transtornada pelo povo brasileiro.

“Nós, brasileiros que estamos aqui na Europa ou noutro lugar… não é que a gente esteja fugindo, mas ainda pode tentar uma nova coisa. Quem está lá não pode nem sonhar. [Há] pessoas que são pobres e que não têm escolha ou possibilidade de fugir…", lamenta.

Como não vai poder cumprir o seu "dever cívico", Pamela deixa o apelo ao voto consciente: "Quero muito que as pessoas votem com muita convicção, em quem realmente nos pode ajudar a salvar o nosso país, que é incrível, que poderia ser muito melhor se estivessem boas pessoas no poder".

"Bolsonaro é uma pessoa de bem"

Do outro lado da barricada, Ursula Zabau não tem dúvidas. "Se Deus quiser", Jair Bolsonaro estár mais quatro anos no Palácio do Planalto.

A pasteleira de 47 anos é imigrante na Irlanda e está de férias em Portugal. No dia 2, sabe que o voto é no atual presidente, "porque ele é de Direita, contra o aborto, contra a legalização das drogas e a favor da família".

"É uma pessoa de bem. Se não houver fraude, vai ficar [decidido] no primeiro turno, mesmo", salienta.

Ursula mostra-se cética contra o favoritismo que tem sido apontado a Lula, acusando os média de "falar como se ele estivesse na frente": "Só que no Brasil, a realidade é completamente diferente, nem à rua ele pode sair, porque as pessoas o vaiam. Ele só consegue estar em espaços fechados".

Já Bolsonaro "arrasta multidões atrás dele". "Tenho 100% de certeza que tem o povo do lado dele, [pelo menos] as pessoas de bem".

Mas o que são 'pessoas de bem', que em Portugal também já fomos ouvindo falar? "Não são 'maconheiros', não gostam da desordem, são pessoas tolerantes", salienta Ursula. Ao contrário do "povo de esquerda", que é "completamente intolerante".

"Votar para quê? Para descobrir quem é o melhor ladrão?"

Mas há quem nem sequer vá votar - ou pelo menos deixa essa hipótese nas mãos do destino. Luís, de 24 anos, está em Portugal há seis meses e admite nunca ter votado na vida.

"Votar para quê? Para descobrir quem é o melhor ladrão?", exalta Luís.

Ainda assim, deposita maior confiança em Lula, que apesar de "ser ladrão", ainda vai "roubando para a gente", brinca. Quanto ao atual presidente, não restam dúvidas: "Bolsonaro não, jovem. Bolsonaro nega até comida".

Algo desligado da política do seu país, Luís apenas espera que futuros líderes brasileiros prestem maior atenção à pobreza. "A minha expectativa é só que o povo das favelas continue a sorrir, [que haja] menos preconceito, menos pobreza, direito à igualdade e que o governo nos ajude mais, [com] mais projetos para as favelas, para os ‘muleques’, porque o futuro são as crianças."

Haverá risco de fraude eleitoral?

Pamela Gonçalves admite que, na sua opinião, as últimas eleições foram, no mínimo, dúbias: "Não sei se usaram as urnas eletrónicas de forma correta, se houve alguma fraude... Eu acho que houve".

No entanto, está "muito convicta e com esperança" que desta vez seja diferente, especialmente "já no primeiro turno, para que a gente não fique ainda mais com o coração nas mãos".

Já Nathan acredita que, caso perca, Bolsonaro vai recorrer. "Vai procurar fazer alguma coisa para anular as eleições, tal como eu acho que as eleições de há uns anos atrás também, para mim, foram forjadas, porque havia candidatos muito mais favoritos do que ele".

De qualquer das formas, o jovem de 21 anos apenas espera que o presidente não seja reeleito: "Tudo o que Brasil precisa é alguém que não seja o Bolsonaro".

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