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Itália

Giorgia Meloni. Quem é a líder da extrema-direita que reclama o poder em Itália?

26 set, 2022 - 21:30 • Lusa

Mais de 50 milhões de italianos foram chamados a votos, este domingo, para escolher os membros da Câmara dos Deputados e do Senado. No final, quem saiu vitoriosa foi mesmo Giorgia Meloni. Durante a campanha, procurou “suavizar” a sua imagem internamente e credibilizá-la externamente, contrariando o radicalismo de direita que rivais e potenciais parceiros tentaram colar-lhe.

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Itália prepara-se para ter a primeira mulher a chefiar um Governo. No seu discurso da noite eleitoral, em Roma, a presidente do partido Irmãos de Itália (FdI), Giorgia Meloni, subiu ao palco para reclamar vitória nas legislativas e reivindicar a liderança do próximo Executivo.

Embora sem dados definitivos, disse haver uma indicação clara: “a de que os italianos escolheram um governo de centro-direita liderado pelo Irmãos de Itália”, garantindo que o partido irá governar "para todos".

De acordo com resultados parciais, a coligação de direita e extrema-direita – liderada pelo FdI e que reúne ainda a Liga, de Matteo Salvini, e o partido conservador Força Itália, de Silvio Berlusconi – obteve cerca de 43% dos votos nas legislativas.

O bloco de centro-esquerda, liderado pelo Partido Democrático, de Enrico Letta, deverá conseguir 26% dos votos.

Estas poderão ser as eleições menos participadas dado que a taxa de abstenção poderá atingir os 36%.

Mas, afinal, quem é a líder da extrema-direita que agora reclama para si o poder em Itália?

Durante a campanha, Giorgia Meloni procurou “suavizar” a sua imagem internamente e credibilizá-la externamente, contrariando o radicalismo de direita que rivais e potenciais parceiros tentaram colar-lhe.

Sob a liderança de Meloni, o partido Fratelli d’Italia (FDI, Irmãos de Itália), de extrema-direita, tornou-se no elo mais forte do centro-direita do país, um lugar que tomou à Liga, de Matteo Salvini, e que a leva por isso a reclamar a chefia de um Governo de coligação a três, se houver acordo com os outros partidos de direita.

Sílvio Berlusconi, líder da Força Itália e um dos parceiros da possível coligação, diz temer que Meloni e as suas posições extremas afastem os eleitores do seu partido.

Argumento usado também pelo mais perigoso rival de Meloni, Enrico Letta, líder do Partido Democrático italiano (PD, centro-esquerda).

Para suavizar esta imagem de si e do partido, adianta a imprensa italiana, em plenos preparativos para a campanha eleitoral, Giorgia Meloni, 45 anos, terá instruído as direções regionais do FdI a alertarem os membros para evitar declarações mais extremas, menções à ideologia fascista e para não fazerem em público a “saudação romana”, que consiste em estender o braço direito, num gesto semelhante à saudação nazi.

A jornalista, deputada e antiga eurodeputada, fundadora e presidente do Irmãos de Itália, tem tentado construir uma imagem mais respeitável na Europa Comunitária.

Em Bruxelas, quando foi presidente do partido Conservadores e Reformistas Europeus (ECR), Meloni tornou-se o rosto da extrema-direita europeia no exterior, ganhando legitimidade ao envolver-se com instituições da UE, em vez de rejeitar a integração da UE como um todo.

"Ou ganha a Europa comunitária, do [programa] Next Generation EU, do Erasmus e da esperança, ou ganha a Europa [do Presidente húngaro, Viktor] Órban, do [partido espanhol] Vox e da [líder da extrema-direita francesa] Marine Le Pen”

A líder do FDI continua a defender posições radicais em muitas questões, por exemplo ao declarar a sua oposição – como relembrou o jornal "Politico" numa análise – ao que chamou de “lobbies LGBT” e imigração, num evento de campanha em Espanha em apoio ao partido de extrema-direita Vox.

Mas, ao discursar no início deste ano na Conferência de Ação Política Conservadora, por exemplo, foi uma das vozes mais fortes a apelar à ação contra a Rússia.

O Irmãos da Itália é membro — com oito eurodeputados — do grupo parlamentar dos Conservadores e Reformistas Europeus (ECR) no Parlamento Europeu, a que presidiu e agora copreside com os polacos do Direito e Justiça (PiS) e que integra 19 partidos de 15 países, incluindo os espanhóis do Vox.

No início deste ano, o ECR de Meloni apoiou a eurodeputada centrista Roberta Metsola como líder do Parlamento Europeu, permitindo a este grupo nomear um vice-presidente.

Em dezembro, o festival anual de Atreju — um evento para a juventude italiana de direita fundado por Meloni em 1998 — convidou e conseguiu ter como oradores ministros e o Comissário para a Promoção do Estilo de Vida Europeu, Margaritis Schinas, atual vice-presidente da Comissão Europeia.

Mais de 50 milhões de italianos foram chamados a votos, este domingo, para escolher os membros da Câmara dos Deputados e do Senado. No final, quem saiu vitoriosa foi mesmo Giorgia Meloni.

Uma força de extrema-direita pode agora liderar a Itália pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

No seu discurso, Giorgia Meloni apelou a um clima sereno, de confiança nas instituições, e disse que o seu principal objetivo é “reconstruir a relação entre o Estado e os cidadãos". Só o tempo dirá se essa postura vai manter-se e qual poderá ser a relação da "nova" Itália com o resto da Europa e do mundo.

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