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Diário de Guerra

Dia 85. Rússia dá 14 dias a cinco funcionários diplomáticos portugueses para abandonarem o país

19 mai, 2022 - 20:05 • André Rodrigues

Ucrânia rejeita negociar cessar-fogo. Kremlin disponível, se Kiev pedir. Justiça ucraniana pediu a pena de prisão perpétua para soldado russo que já admitiu ter matado um civil em Sumy. A Finlândia impõe condições para a adesão à NATO: "Ninguém virá até nós para nos impor armas nucleares ou bases permanentes, se não as quisermos", disse a primeira-ministra Sanna Marin.

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Ao 85.º dia de guerra na Ucrânia, a Rússia anunciou à embaixadora portuguesa em Moscovo a decisão de expulsar cinco funcionários diplomáticos.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, os cinco funcionários “terão de abandonar a Rússia no prazo de 14 dias”.

O Governo já repudiou esta decisão e o primeiro-ministro fala em “retaliação sem motivo”.

Em declarações esta quinta-feira esta tar na Roménia, onde visitou o contingente com 221 militares portugueses inseridos na missão de reforço do flanco leste da NATO, António Costa ressalvou, no entanto, que esta atitude não tem como consequência uma rutura no relacionamento diplomático entre Lisboa e Moscovo.

O chefe do Governo disse, ainda, que Portugal está preparado para manter e, até, reforçar as missões no leste, caso o conflito na Ucrânia se prolongue ou, no mais indesejável dos cenários, se alastre.

NATO, sim. Mas a Finlândia tem condições

Depois de formalizada a candidatura finlandesa à Aliança Atlântica, a primeira-ministra do país definiu linhas vermelhas.

Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Sanna Marin assegurou que ninguém poderá impor a instalação de bases da NATO ou de armamento nuclear.

"Ninguém virá até nós para nos impor armas nucleares ou bases permanentes, se não as quisermos”, referiu a chefe do Governo de Helsínquia.

Sanna Marin diz, mesmo, que “a questão não se coloca”.

Já sobre as reticências da Turquia à adesão finlandesa – Ancara alega que tanto a Finlândia como a Suécia albergam terroristas, numa alusão aos militantes curdos do PKK – a primeira-ministra finlandesa aconselha “calma” e mostrou total abertura para “responder a quaisquer dúvidas que possam existir e corrigir quaisquer mal-entendidos”.

Impasse na guerra?

Com quase três meses de conflito volvidos, são mais as movimentações nos terrenos da diplomacia do que no campo de batalha.

Em vários pontos-chave do conflito, no sul e no leste da Ucrânia, forças de ambos os lados estão praticamente em ponto de mira, mas os avanços são residuais.

Moscovo reclama vitória em Azovstal e atualizou para perto de 1.700 o número de combatentes ucranianos que se renderam após mais de 80 dias de resistência acantonada no complexo siderúrgico de Mariupol.

Já Kiev argumenta que o exército russo está muito longe dos objetivos que fixou para o Donbass.

No pingue-pongue da retórica, o Governo ucraniano anunciou que não quer negociar mais nenhuma trégua com Moscovo e exigiu a retirada total das forças russas de solo da Ucrânia.

"Não nos ofereçam um cessar-fogo: é impossível sem a retirada total das tropas russas", escreveu hoje o conselheiro do Presidente ucraniano Mykhailo Podoliak e membro do grupo de negociação ucraniano na rede social Twitter.

Mas o lado russo até se mostra disposto a negociar a paz, desde que Kiev o peça.

"Sei que não me poderá perdoar”

A frase foi hoje proferida pelo soldado russo de 21 anos que está a ser julgado em Kiev pela morte de um civil ucraniano em Sumy, nos primeiros dias do conflito.

A procuradoria ucraniana pede a prisão perpétua para o primeiro militar de Moscovo julgado por crimes de guerra.

Depois de ontem se ter declarado culpado, Vadim Shyshymarine dirigiu-se à viúva do homem que matou pedindo perdão: "Sei que não me poderá perdoar, mas peço o seu perdão".

Na resposta, visivelmente emocionada, Kateryna Shelipova respondeu com uma pergunta: “Porque é que vieram aqui? Para nos proteger? De quem? Do meu marido que mataram?”

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