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Diário de Guerra

Dia 84. Costa vai a Kiev ainda esta semana. Rússia estará a enfrentar dificuldades na guerra

18 mai, 2022 - 19:54 • André Rodrigues

Além do primeiro-ministro, também o presidente da Assembleia da República aceitou um convite para ir a Kiev. Moscovo anunciou a rendição de 959 soldados de Azovstal. Primeiro soldado russo julgado por crimes de guerra na Ucrânia declarou-se culpado pela morte a tiro de um civil de 62 anos.

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O primeiro-ministro vai a Kiev a convite do seu homólogo ucraniano. A notícia chegou durante a tarde, depois de o Presidente da República ter quebrado o segredo, assinalando a coincidência de António Costa visitar a capital ucraniana ao mesmo tempo que ele, Marcelo, vai estar em Timor-Leste para a tomada de posse presidencial de José Ramos-Horta, exatamente no dia em que o país assinala os 20 anos da sua independência.

De passagem por Bucareste, a capital da Roménia, Costa foi confrontado pelos jornalistas com o facto de ter sido o Chefe do Estado a anunciar a sua ida à Ucrânia, ainda esta semana.

Não disse a data em que iria e afastou qualquer eventual mal-estar com a inconfidência do Presidente: "O senhor Presidente da República anunciou está anunciado, se anunciou fez seguramente bem”, rematou Costa.

Também Augusto Santos Silva, o Presidente do Parlamento português, disse que sim ao convite do seu homólogo ucraniano para ir a Kiev.

Santos Silva garantiu que a visita ocorrerá assim que for oportuno e não vai sozinho.

“São deslocações que envolvem o presidente [da Assembleia da República] e delegações parlamentares. Deslocar-me-ei brevemente à Suécia e serei também acompanhado por uma delegação parlamentar, mas, dadas as circunstâncias que se vivem na Ucrânia, tudo isso será tratado com a discrição indispensável. Posso dizer que será logo que seja oportuno e as condições o permitam”, avançou.

Ainda no plano diplomático, estão formalmente apresentados os pedidos de adesão da Suécia e da Finlândia à NATO. Jens Stoltenberg aceitou a pretensão dos dois vizinhos nórdicos. Do outro lado do Atlântico, e enquanto suecos e finlandeses aguardam a tramitação do processo de entrada na Aliança Atlântica, Joe Biden assegurou que os EUA vão trabalhar com os seus candidatos a parceiros NATO em caso de uma eventual resposta agressiva da Rússia.

Em Ancara, o Presidente Erdoğan voltou a avisar que a Suécia não deve esperar uma aprovação do seu pedido de adesão à NATO, a menos que repatrie os militantes curdos, que a Turquia classifica como terroristas.

Horas depois, um porta-voz do Chefe do Estado turco referiu que a adesão da Finlândia e da Suécia só vai ser possível se ou quando forem dadas garantias claras de que a Turquia não precisa de ter preocupações acrescidas com a sua segurança nacional.

Enquanto isso, em Moscovo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo anunciou a expulsão de 85 funcionários diplomáticos da França, Espanha e Itália em resposta a medidas semelhantes desses países.

Já em Kiev, a embaixada dos EUA retomou a sua atividade, quase três meses após o seu encerramento.

Da frente diplomática para o terreno, o dia ficou marcado pelo anúncio da Rússia de que já se renderam 959 combatentes ucranianos que se encontravam acantonados no complexo siderúrgico de Azovstal, o último reduto da defesa da cidade portuária de Mariupol.

O Ministério da Defesa russo não esclarece o que vai acontecer aos combatentes que vão abandonando a fábrica e também não se sabe quantos permanecem, ainda, nos túneis de Azovstal.

No entanto, segundo o Ministério da Defesa ucraniano, há cada vez mais soldados russos que recusam participar nos combates na Ucrânia. Os casos estarão a ser ocultados e, segundo Kiev, os militares mais renitentes estão a ser "enviados para a área mais perigosa da linha de frente na esperança de que sejam mortos rapidamente".

Noutro plano, o primeiro militar russo a ser julgado por crimes de guerra na Ucrânia declarou-se culpado. Vadim Shysimarin, de 21 anos de idade, era comandante de uma viatura blindada está acusado de ter disparado uma AK-47 contra um homem desarmado de 62 anos na região nordeste de Sumy, poucos dias depois do início da ofensiva russa na Ucrânia.


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