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Diário de Guerra

Dia 56. Rússia diz que enviou nova proposta de paz, mas Zelenskiy nega

20 abr, 2022 - 20:47 • João Carlos Malta

Mais um desencontro entre a Rússia e a Ucrânia, neste 56º dia de conflito. Os russos dizem ter enviado uma proposta de paz, mas Zelenskiy disse que nada recebeu. Isto no mesmo dia em que Putin disse tem em sua posse um novo míssil de longo alcance.

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O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse, nesta quarta-feira, que a Rússia apresentou à Ucrânia uma proposta de acordo que explicita os seus pedidos no âmbito das conversações de paz e que aguarda a resposta de Kiev.

Em conferência de imprensa, Peskov indicou que "o documento contém "formulações absolutamente claras e desenvolvidas. A bola está no seu campo (da Ucrânia), esperamos por uma resposta".

O porta-voz da Presidência russa não forneceu mais detalhes nem especificou qualquer prazo para esta resposta, tendo responsabilizado a Ucrânia pelo lento progresso nas negociações e criticado que Kiev se desvia constantemente de acordos previamente confirmados.

"A dinâmica de trabalho no lado ucraniano deixa muito a desejar, os ucranianos não demonstram uma grande inclinação para intensificar o processo negocial", disse.

No entanto, o presidente da Ucrânia negou as alegações feitas pelo porta-voz do Kremlin de que Moscovo forneceu a Kiev um novo documento para negociações de paz .

“Não ouvi nada sobre isso”, disse Volodymyr Zelenskiy na noite de quarta-feira.

"Estou convencido de que eles não nos enviaram nada”, o líder ucraniano.

Várias rondas de negociações de paz desde que a Rússia invadiu a Ucrânia há quase dois meses não tiveram sucesso.

Este dia ficou também marcado por o Ministério da Defesa da Rússia anunciar que testou um novo míssil balístico intercontinental, chamado "Sarmat".

O Presidente russo, Vladimir Putin, afirma que a nova arma deve servir de reflexão para quem ameaça a Federação Russa.

O "Sarmat" foi lançado a partir de Pletsetsk, no noroeste da Rússia, e atingiu um alvo em Kamchatka, no extremo oriente do país.

Soube-se hoje também que entre dez mil a 20 mil mercenários da empresa privada russa Wagner são combatentes sírios ou líbios, que estão a lutar ao lado das forças russas na Ucrânia, revelou um responsável europeu, citado pela agência France Presse.

Por cá, o Partido Comunista não vai assistir ao discurso do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, agendado para amanhã na Assembleia da República.

O anúncio foi feito esta quarta-feira pela líder parlamentar do PCP, Paula Santos, em conferência de imprensa no Parlamento.

O PCP será o único partido a boicotar o discurso de Volodymyr Zelenskiy. Paula Santos argumenta que a Assembleia da República vai dar palco a um Presidente belicista e complacente com neonazis.

“O PCP não participará numa sessão da Assembleia da República concebida para dar palco à instigação da escalada da guerra, contrária à construção do caminho para a paz, com a participação de alguém como Volodymyr Zelenskiy, que personifica um poder xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi, incluindo de caráter paramilitar, de que o chamado Batalhão Azov é exemplo”, sustentou a líder parlamentar comunista.

O Departamento do Tesouro norte-americano anunciou novas sanções contra uma rede de 40 indivíduos e empresas, liderada pelo oligarca russo Konstantin Malofeyev, que acusam de ajudar a Rússia a contornar as sanções impostas pelos países ocidentais pela guerra na Ucrânia. O banco comercial russo Transcapitalbank e a empresa russa de criptomoedas Bitriver e subsidiárias, também foram alvo de sanções.

Em França, a candidata à segunda volta das eleições, Marine Le Pen diz que “a invasão russa da Ucrânia é inaceitável” e defende o apoio a Kiev planos humanitário, financeiro e, também, no fornecimento de equipamento militar.

Já sobre as sanções a Moscovo, Marine Le Pen diz concordar, "mas não com uma sanção que proíba o gás e petróleo russos, porque não afetará a Rússia, mas irá prejudicar o povo francês”, com "consequências catastróficas”.

Também esta quarta-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, escreveu cartas aos Presidentes russo e ucraniano, Vladimir Putin e Volodymyr Zelenskiy.

António Guterres pretende deslocar-se a Moscovo e Kiev para reuniões com os dois líderes, com o objetivo de tentar um entendimento entre os dois países em guerra.

A notícia foi avançada esta quarta-feira por Stéphane Dujarric, porta-voz de António Guterres.

"Neste momento de grande perigo em termos de consequências, o secretário-geral deseja discutir medidas urgentes para trazer paz à Ucrânia e o futuro do multilateralismo com base na Carta das Nações Unidas e no direito internacional", disse o porta-voz.

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