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Diário de Guerra

Dia 41 de guerra. NATO antecipa controlo russo total de Donbass, Zelenskiy fala na ONU

05 abr, 2022 - 20:33 • João Malheiro

Esta terça-feira, ficou a saber-se que o conflito na Ucrânia já provocou a morte de 18 jornalistas. A invasão russa provocou ainda pelo menos 1.430 civis, incluindo 165 crianças, e feriu 2.097.

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O dia 41 da guerra entre Rússia e Ucrânia ficou marcado pelas declarações de Volodymyr Zelenskiy no Conselho de Segurança da ONU.

Já o secretário-geral da NATO alertou que tudo indica que a Rússia vai controlar a "totalidade do Donbass".

Esta terça-feira, ficou a saber-se que o conflito na Ucrânia já provocou a morte de 18 jornalistas. A invasão russa provocou ainda pelo menos 1.430 civis, incluindo 165 crianças, e feriu 2.097.

A guerra já causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de mais de dez milhões de pessoas, das quais 4,1 milhões para os países vizinhos.

A Renascença resume os principais momentos de mais um dia de guerra.

Zelensky na ONU acusa acusa militares russos de "matar por prazer"

O presidente ucraniano falou durante a tarde desta terça-feira, pela primeira vez, na reunião do Conselho de Segurança da ONU. O encontro contou com a presença de António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, e a discussão esteve, sobretudo, focada no cenário que foi encontrado em Bucha.

"Não houve um único crime que os russos não tenham cometido em Bucha. Mataram por prazer", disse o chefe de Estado ucraniano perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas, numa intervenção por vídeoconferência.

Zelenskiy acusou a Rússia de “colonialismo”, por retirar “centenas de milhares” de ucranianos do seu país, entre as quais duas mil crianças, criticando a passividade do Conselho de Segurança das Nações Unidas perante a ofensiva russa.

“Querem transformar ucranianos em escravos silenciosos”, afirmou Zelenskiy.

O líder ucraniano pediu uma reforma imediata do Conselho de Segurança das Nações Unidas que passe pela "remoção da Rússia, como um agressor e fonte de guerra e de forma a que não consiga bloquear decisões sobre as suas próprias agressões, a sua própria guerra".

“Temos de fazer tudo o que está nas nossas mãos para dar às futuras gerações uma ONU eficaz”, disse Zelenskiy.

Zelenskiy promete prisão para líderes russos

O presidente da Ucrânia disse que fará os possíveis para garantir que todos os crimes de guerra alegadamente cometidos pela Rússia serão investigados e terão consequências.

"Hoje em dia as pessoas não são executadas, mas todas as Skabeevas [apresentadora e comentadora de política pró-Putin], tagarelas dos programas da noite, mentirosos das linhas da frente e os seus chefes em Moscovo deviam lembrar-se: o final das vossas vidas será por trás das grades", declarou Volodymyr Zelensky, num novo vídeo.

As autoridades de Kiev acreditam que o número de vítimas civis da ocupação russa pode ser superior em Borodyanka e noutras cidades libertadas do que em Bucha.

O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, visitou Bucha, nos arredores de Kiev, onde cerca de 400 civis terão sido mortos pelas tropas russas, e avisou que "o homicídio em massa de civis" pode ser ainda pior noutras zonas que estiveram ocupadas pelas tropas russas.

"Há informação de que o número de vítimas pode ser ainda maior em Borodyanka e noutras cidades libertadas. Em várias locais das regiões de Kiev, Chernihiv e Sumy, os invasores fizeram coisas nunca vistas, nem sequer durante a ocupação Nazi, há 80 anos", sublinhou, no mesmo vídeo.

Secretário-geral da NATO diz que Rússia vai controlar "totalidade do Donbass"

A Rússia está a reforçar o dispositivo militar "para assumir o controlo da totalidade do Donbass", leste da Ucrânia, e "estabelecer uma ponte terrestre com a Crimeia", anexada por Moscovo em 2014, disse esta terça-feira o secretário-geral da NATO.

Estamos numa fase crucial da guerra", assinalou Jens Stoltenberg, no decurso de uma conferência de imprensa, na véspera de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Aliança.

O secretário-geral da NATO referiu que as tropas russas deixaram a região de Kiev e o norte da Ucrânia, estando o regime de Vladimir Putin a deslocar um grande número de militares em direção a leste na Rússia.

"Vão rearmar-se, receber reforços em efetivos, porque registaram muitas perdas, e reabastecer-se para lançar uma nova ofensiva muito concentrada na região do Donbass", disse Stoltenberg, acrescentando: "É nessa região que estão concentradas a maior parte das forças ucranianas".

Portugal dá ordem de expulsão a dez funcionários da embaixada da Rússia

O Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou, esta segunda-feira, que dá duas semanas a dez funcionários da embaixada russa para abandonarem o território nacional.

Em comunicado, o gabinete de João Gomes Cravinho explica que o Governo "notificou, esta tarde, o Embaixador da Federação Russa da sua decisão de declarar persona non grata dez funcionários dessa missão diplomática, cujas atividades são contrárias à segurança nacional".

No mesmo texto, o Governo esclarece que "nenhum destes dez elementos é diplomata de carreira e que disporão de duas semanas para abandonar o território nacional".

UE quer proibir importação de carvão russo

A Comissão Europeia propôs esta terça-feira uma proibição de importação pela União Europeia (UE) de carvão russo, que vale à Rússia quatro mil milhões de euros por ano, e a expulsão de quatro bancos russos do mercado financeiro europeu.

Em causa está um novo pacote de sanções proposto pelo executivo comunitário e anunciado à imprensa em Bruxelas pela líder da instituição, Ursula von der Leyen, visando tornar estas medidas restritivas “mais amplas e mais severas” para a economia russa, nomeadamente após as alegadas execuções de civis cometidas pelas tropas russas.

“Os quatro pacotes de sanções [anteriormente adotados pela UE] atingiram duramente e limitaram as opções políticas e económicas do Kremlin. Estamos a ver resultados tangíveis, mas claramente, tendo em conta os acontecimentos, precisamos de aumentar ainda mais a nossa pressão e, por isso, hoje, propomos dar mais um passo nas nossas sanções”, explicou a responsável.

Segundo Ursula von der Leyen, as novas sanções — que terão de ter aval dos Estados-membros — incluem “uma proibição de importação de carvão proveniente da Rússia, no valor de quatro mil milhões de euros por ano”, com vista a “cortar outra importante fonte de receitas para a Rússia”.

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