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Estudo OCDE

Efeito Covid-19. Redução da esperança de vida, mais emprego precário, cansaço e depressão

25 nov, 2021 - 09:16 • João Malheiro

Relatório identifica uma média de 16% de excesso de mortalidade, entre março de 2020 e maio de 2021. Idosos, mulheres e minorias mais expostos aos efeitos da pandemia. Custo de vida está a ficar mais elevado.

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A pandemia da Covid-19 "tocou em todos os pontos do bem estar das pessoas" e teve efeitos duros nas componentes mentais e financeiras, na Europa.

Num estudo, divulgado esta quinta-feira, a OCDE registou uma média de 16% de excesso de mortalidade, entre março de 2020 e maio de 2021, o que levou a uma redução de sete meses na esperança média de vida da OCDE, em 2020.

A organização destaca que apoios públicos "aguentaram os níveis de rendimento médio disponível das famílias", porém a média de horas laborais baixou e quase uma em três pessoas admitiram sentir dificuldades financeiras, no último ano.

Dados de 15 países da OCDE indicam que mais de 25% da população estavam em risco de sofrer de depressão ou ansiedade.

No início de 2021, um terço das pessoas da OCDE admitiram estar demasiado cansadas depois do trabalho para se dedicarem a tarefas domésticas.

Numa média conjunta de 22 países da OCDE, 19% admitiu sentir solidão e 27% dizem sentir-se isolados do resto da sociedade.

Em 12 países da OCDE, a maioria dos adultos inquiridos sentem que os seus países "estão mais divididos agora do que antes da pandemia".

Idosos, mulheres e minorias mais expostos aos efeitos da pandemia

A OCDE destaca que o impacto da Covid-19 variou consoante idade, género e etnia.

As faixas etárias mais avançadas foram, naturalmente, as mais expostas à mortalidade da pandemia, enquanto as mais jovens acusaram um declínio da saúde mental e da ligação social.

O estudo realça também que minorias étnicas sofreram mais do dobro da mortalidade da Covid-19 e trabalhadores destas comunidades "tiveram mais probabilidade de perderem os seus empregos", durante a pandemia.

Em termos de género, também há divisões, segundo os dados. Há um excesso de mortalidade maior em homens, mas as mulheres têm mais probabilidade de sofrer de "Covid longa", tiveram mais danos na sua saúde mental e sentiram-se mais isoladas.

Os dados da OCDE indicam ainda que há mais mulheres na linha da frente do combate à pandemia. Em sentido contrário, mulheres representam apenas 35% dos membros das task forces contra a Covid-19, em 27 países da OCDE.

Emprego precário e custos de vida mais caros

O estudo da OCDE realça que o teletrabalho "ajudou a proteger as pessoas e os seus empregos, em particular os bem pagos, mas não foi uma opção para a maioria dos trabalhadores".

Dados de 11 países da organização indicam que trabalhadores com rendimentos mais baixos tiveram o dobro da probabilidade de ficarem parados, durante a pandemia, do que os de rendimentos mais elevados.

Desempregados tiveram mais do dobro de probabilidades de sentirem solidão e isolados da sociedade.

Treze por cento dos jovens entre os 15 e os 29 anos não tinham emprego, não estavam em formação ou num nível de educação, o que "apaga os progressos feitos depois da crise de 2008", alerta a OCDE.

Uma em cada cinco famílias europeias da OCDE têm dificuldades em pagar as contas mensais e uma em cada sete sentem que vão perder o emprego em três meses.

Por outro lado, "há novas pressões nos custos de vida". A média do preço da habitação na OCDE aumentou quase 5%, em 2020, e o preço de rendas subiram quase 2%. O relatório destaca ainda "o aumento dos custos da energia", que também se fez sentir, em Portugal.

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