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Presidenciais EUA

Biden faz pré-declaração de vitória. Trump leva votações a tribunal

05 nov, 2020 - 01:39 • Reuters

No rescaldo das eleições, o Presidente republicano abriu três frentes de batalha legal para contestar os votos no Michigan, Wisconsin e Pensilvânia. Ao longo desta quinta-feira, as atenções estarão focadas nesses três estados e num punhado de outros onde as contagens não estão totalmente fechadas.

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Com a eleição ainda não totalmente garantida, o democrata Joe Biden seguia esta quinta-feira de madrugada à frente de Trump no voto popular e nos votos eleitorais do Colégio, mas continuava a não ser claro quem será o próximo Presidente.

Com cautela, Biden declarou ao final de quarta-feira que acredita estar a caminho da vitória nas presidenciais dos EUA frente ao Presidente republicano, Donald Trump, após projeções de que terá conquistado estados de redobrada importância como o Wisconsin e o Michigan, que deram a vitória a Trump em 2016.

À medida que as autoridades eleitorais de cada estado foram contabilizando boletins de voto madrugada adentro e ao longo de quarta-feira, a campanha do Presidente prometeu lançar um ataque judicial em várias frentes para exigir recontagens ou suspensões de contagens de votos.

Na corrida por um mínimo de 270 delegados no Colégio Eleitoral, o Wisconsin e o Michigan eram, como há quatro anos, dois dos estados mais importantes nestas eleições.

"Agora, depois de uma longa noite de contagem de votos, fica claro que estamos a conquistar suficientes estados para alcançar os 270 votos eleitorais no Colégio Eleitoral necessários para conquistar a Casa Branca", declarou Joe Biden ao cair da noite em Lisboa, ladeado pela sua parceira na corrida, a senadora Kamala Harris.

“Irei governar como um Presidente americano. Não haverá estados vermelhos e estados azuis quando eu ganhar. Apenas os Estados Unidos da América", prometeu.

As próximas batalhas

Ao longo do dia, a campanha de Trump foi anunciando processos judiciais para exigir a recontagem de votos no Wisconsin e para travar as contagens em curso no Michigan e na Pensilvânia, outro estado de peso no Colégio Eleitoral que continua a braços com um número impressionante de votos por correspondência.

Antes das eleições, o Supremo Tribunal dos EUA analisou se a Pensilvânia, que tem 20 delegados eleitorais, podia ou não incluir na contagem os votos por correio que chegassem ao longo desta semana, desde que com carimbo até 3 de novembro.

O coletivo de juízes autorizou que o estado contabilize todos os votos por correio que cheguem até sexta-feira, dia 6 de novembro. Contudo, alguns dos juízes conservadores sugeriram que estariam dispostos a reconsiderar a decisão. Por precaução, as autoridades da Pensilvânia vão contar esses votos separadamente.

A campanha de Trump não só quer que o Supremo reanalise a decisão sobre a Pensilvânia, como pretende que também a contagem no Michigan (16 delegados) seja suspensa. Já abriu um processo judicial para esse efeito, sob o argumento de que não lhes foi permitido acesso justo aos locais de contagem de votos, e vai exigir uma recontagem de votos no Wisconsin (10).

Em conjunto, as manobras legais de Trump traduzem um esforço alargado para contestar os resultados de uma eleição que na quarta-feira continuava por decidir, um dia depois de milhões de norte-americanos terem ido às urnas em plena pandemia de Covid-19.

Ao acordar no rescaldo das eleições, Trump recorreu ao Twitter para atacar a integridade das eleições, sugerir sem fundamento que os democratas querem roubar-lhe a vitória e até declarar-se vencedor das eleições quando uma larga maioria dos votos estava longe de estar contabilizada.

Face à série de tweets, Biden surgiu em vídeo a declarar que "cada voto tem de ser contado" e a prometer que "ninguém vai tirar-nos a democracia, nem hoje nem nunca".

"A América já chegou demasiado longe, a América já travou demasiadas batalhas, a América já sobreviveu a muito para deixar que isso aconteça."

As contas no Colégio Eleitoral

Neste momento, Trump está a tentar evitar tornar-se o primeiro Presidente em funções a falhar a reeleição desde a derrota do republicano George H. W. Bush em 1992, no final do seu primeiro mandato.

No Michigan, Biden ganhou com uma margem de 67 mil votos, ou 1,2%, e no Wisconsin por uma margem ainda mais reduzida, de 20 mil votos, o correspondente a 0,6%, apontam dados do Edison Research. Ao início de quinta-feira, vários jornais e agências já davam como garantida a vitória de Biden no Wisconsin; o Edison não embarcou nessa declaração de vitória, citando resultados pendentes.

A lei eleitoral do Wisconsin autoriza que um candidato peça recontagem se a margem de votos a separá-lo do rival for inferior a 1%, algo que a campanha de Donald Trump disse imediatamente que vai pedir.

Em resposta ao processo judicial já aberto no Michigan, Ryan Jarvi, porta-voz da procuradora-geral daquele estado, declarou que as eleições foram "conduzidas de forma transparente".

O processo de votação popular terminou na terça-feira (madrugada de quarta em Portugal), mas muitos estados costumam levar dias a contabilizar todos os votos condado a condado. Este ano, acresceu a essa realidade a pandemia de Covid-19, que levou a uma adesão massiva ao voto por correspondência.

À 1h da madrugada de quinta-feira em Lisboa, vários outros estados continuavam a ser seguidos de perto, incluindo o Arizona (11 votos no colégio), a Geórgia (16) e a Carolina do Norte (15) -- onde as contagens de votos ainda decorriam, deixando o resultado em aberto. Tudo também de olhos postos no Nevada, cujos 6 votos no colégio poderão ser decisivos para dar a vitória a Biden.

A essa mesma hora, e contando com o Wisconsin, Biden seguia à frente em votos no Colégio, com 253 delegados eleitorais, contra 214 para Trump.

Trump terá conseguido conquistar a Geórgia e a Carolina do Norte, ainda que as autoridades eleitorais deste último estado tenham já avisado que só no final da semana é que deverão ter todos os votos contados.

A liderança que o republicano conseguiu manter durante horas na Pensilvânia foi reduzindo à medida que mais votos foram sendo contados, num estado onde a população aderiu em massa ao voto por correspondência. Ainda com a votação longe de estar concluída, um dos gestores de campanha de Trump, Bill Stepien, veio a público declarar a vitória do Presidente no estado.

Biden, por sua vez, disse sentir-se "muito bem" em relação às suas hipóteses de conquistar a Pensilvânia. Para ter alguma hipótese de vencer, sem o Wisconsin e o Michigan, Trump teria de garantir vitórias na Pensilvânia, na Geórgia e na Carolina do Norte -- este último onde o seu rival continuava à frente na contagem.

Biden parece também estar em rota para se tornar o segundo candidato democrata à presidência a conquistar o Arizona nos últimos 72 anos -- outro estado que Trump conquistou em 2016.

Ao longo do dia pós-eleitoral, Biden foi avançando não só em número de delegados como no voto popular, assegurando uma margem confortável de três milhões de votos a mais em relação ao rival.

Trump venceu em 2016 com menos três milhões de votos populares do que Hillary Clinton graças à conquista de um punhado de estados-chave, incluindo aqueles onde a campanha republicana já abriu processos judiciais para contestar os resultados.

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Antes da ida às urnas, especialistas em Direito Eleitoral tinham alertado para a possibilidade de o processo eleitoral se arrastar em litígios estado a estado, para lá de 3 de novembro, relacionados com questões como o direito ou não de os estados incluírem nas suas contagens votos por correspondência que cheguem ao destino depois do dia eleitoral, desde que com carimbo postal até esse dia.

As duas campanhas têm exércitos de advogados preparados para quaisquer disputas judiciais -- e pelo menos três já estão em marcha.

O dia seguinte, quatro anos depois

O contencioso rescaldo eleitoral pôs fim a uma campanha carregada de ataques e marcada por uma pandemia que já matou mais de 233 mil norte-americanos e deixou milhões de pessoas sem emprego. A par disso, os EUA estão também há vários meses a lidar com uma onda de protestos contra o racismo e a brutalidade policial.

Com tudo em aberto e sem um claro vencedor, apoiantes dos dois candidatos acorreram às redes sociais para expressar a sua ira, frustração e receios, sem ideia de quando estarão resolvidas as eleições. Em várias cidades, incluindo frente à Casa Branca, em Washington DC, milhares de pessoas organizaram-se em protestos exigindo que cada voto seja contabilizado.

Até esta semana, Trump foi sugerindo repetidamente e sem provas que estas eleições iam ser fraudulentas por causa dos votos por correspondência, apesar de especialistas eleitorais garantirem que instâncias de fraude são muito raras no complexo e minucioso processo de eleições do país.

A seguir à votação, voltou à carga com o mesmo tipo de acusações no Twitter, horas depois de ter aparecido em público na Casa Branca para declarar vitória numa eleição que estava ainda mais longe de estar decidida àquela hora. Tanto o Twitter como o Facebook sinalizaram múltiplas publicações do Presidente por promoverem desinformação e conterem declarações enganadoras.

"Estávamos a preparar-nos para ganhar estas eleições. Francamente, ganhámos estas eleições", começou por escrever o Presidente na sua conta, antes de se lançar num longo e renovado ataque ao processo eleitoral. "Isto é uma fraude gigante na nossa nação. Queremos que a lei seja usada de maneira apropriada. Iremos até ao Supremo Tribunal. Queremos que a votação seja suspensa."

Trump não apresentou ainda qualquer prova que sustente as suas alegações de fraude nem explicou como é que pretende lutar contra os resultados no Supremo.

Para além de presidenciais, as eleições de terça-feira nos EUA também serviram para decidir que partido controla que parte do Congresso nos próximos dois anos. Ao contrário do que muitos chegaram a prever, não parece ter havido uma viragem no Senado; ao início de quinta-feira, os republicanos estavam prestes a renovar a maioria.

Apesar de terem perdido um assento na Câmara dos Representantes, os democratas conseguiram conquistar outros dois ao Partido Republicano numa câmara onde também já tinham maioria. Perto das 2h desta quinta-feira, faltavam ainda atribuir cinco assentos na câmara baixa do Congresso - no Alasca, Michigan, Carolina do Norte e dois na Geórgia.

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