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México

A ascensão meteórica de Eustáquio até ao Cruz Azul. "Caixinha perguntou-me se queria arriscar"

25 abr, 2019 - 09:27 • Eduardo Soares da Silva

O médio internacional sub-21 português trocou o Desportivo de Chaves pelo Cruz Azul, em janeiro. Em entrevista a Bola Branca, a primeira desde que rumou ao México, Stephen Eustáquio explica a opção pelo campeonato mexicano e fala da grave lesão que colocou a carreira em "stand-by" durante meio ano.

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Stephen Eustáquio deixou o Chaves, no mercado de janeiro, e assinou pelo Cruz Azul, do México, após rumores que o associavam a clubes como Sporting e Mónaco. O médio, de 22 anos, releva o papel do treinador português Pedro Caixinha na decisão e esclarece que não pensa em voltar à Europa. No entanto, o azar bateu à porta no seu segundo jogo no clube, quando rompeu o ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, lesão que o afasta da competição até julho.

Em entrevista exclusiva a Bola Branca, a primeira desde que trocou o Desportivo de Chaves pelo Cruz Azul, Eustáquio explica os motivos que o levaram a rumar ao México: “É uma das maiores equipas do país. Queria jogar num clube grande, desta dimensão, que envolve a pressão de milhares de adeptos. Todas as decisões são avaliadas e criticadas. Precisava de sair do Chaves para crescer ainda mais e aceitei o desafio”.

O treinador do Cruz Azul é o português Pedro Caixinha, treinador com créditos firmados no país, depois de ter orientado o Santos Laguna entre 2012 e 2015. Na sua segunda temporada no Cruz Azul, contratou Eustáquio para substituir a perda de Iván Marcone, que rumou ao Boca Juniors.

“Pedro Caixinha ligou-me, queria contar comigo porque tinha perdido um médio para o Boca Juniors. Disse que já me andava a observar há muito e que tinha falado com o Rui Jorge [selecionador sub-21]. Perguntou se queria arriscar e eu disse que sim. Foi sem dúvida um dos principais responsáveis pela minha contratação”, diz Stephen.

Mauro Eustáquio, irmão mais velho do jovem médio, jogador do Cavalry FC, do Canadá, considera que a opção de Stephen foi “uma ótima escolha” e revela que aconselhou o irmão a aceitar o convite de Caixinha.

“O Cruz Azul é um clube com muita história e tem um treinador português que fez muita questão de o levar. O Caixinha é dos treinadores mais bem sucedidos no estrangeiro e dá-se muito bem no México. Disse-lhe isso, que achava que deveria ir, porque o Caixinha fez de tudo para o levar. Em Portugal, questionou-se a sua mudança, mas é preciso ter noção que o México é dos campeonatos mais competitivos do mundo. Há muitos jogadores que saem de lá para os grandes campeonatos europeus. Foi uma ótima escolha e está mais perto da seleção do Canadá, tanto para viagens como para observação”, considera.

Afirmação travada por grave lesão

Eustáquio rumou ao Cruz Azul, foi recebido em grande apoteose no aeroporto, mas o azar bateu à porta no seu segundo jogo na equipa. Entrou aos 57 minutos do jogo contra o Club Tijuana e, aos 82 minutos, teve de sair de maca, lesionado. Os exames médicos confirmaram o pior cenário: rotura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, que o afasta de competição durante seis meses, até julho.

“Quando vens para um projeto assim, pensas no que vais fazer, como pode correr, na adaptação e nos jogos. Num simples momento, veio tudo por aí abaixo. Paro oito meses, tenho de ser operado e fazer fisioterapia. Os meus objetivos ficaram todos em ‘stand-by’. Vim para o clube, queria dar tudo o que tinha, e agora não posso. São situações que acontecem, daqui a três meses estarei de volta e sei que vou ser feliz”, diz, entristecido, o médio luso-canadiano.

Bola Branca conversou também com o irmão de Stephen Eustáquio, Mauro, que, curiosamente, sofreu a mesma lesão, no ano anterior, e que aconselhou o irmão durante o duro período que ultrapassa: “Num espaço de um ano, tivemos a mesma lesão, e quase no mesmo minuto. Lesionei-me aos 84 minutos, ele aos 82. Foi inesperado para o dois. Falámos quase todos os dias e aconselhei-o ir a Portugal, a Leiria, para tratar a lesão".

Para Mauro, o mais importante na recuperação de uma lesão é o aspeto psicológico: "Digo-lhe que é preciso aceitar a lesão, não adianta chorar pelos cantos da casa. Mais de metade do trabalho de ultrapassar uma lesão é psicológico. Dizem que vamos perder massa, extensão, mas isso ganha-se. Sem a atitude certa, o processo fica mais difícil. Há dias muito difíceis, que vai doer, vai chorar, mas tem de aceitar e agarrar a oportunidade para voltar mais forte”.

Lesão à parte, Stephen diz que encontrou um clube muito profissional e um futebol bastante diferente daquele que estava habituado em Portugal: “É um grande clube. Surpreendeu-me a simpatia das pessoas, todos são muito humildes. É um clube com pessoas muito profissionais e amáveis. No futebol mexicano não se pensa tanto o jogo como em Portugal, mas tem uma intensidade e força fora do normal. Há muito a escola sul-americana, até porque há muitos argentinos na liga. São jogos de intensidade sempre no máximo e gosto muito disso”.

Regresso à Europa não está nos planos

A transferência de Eustáquio para o Cruz Azul causou surpresa em Portugal, depois do jovem médio, internacional sub-21 português, ter sido associado a clubes como Sporting e Mónaco. Stephen garante que não pensa em voltar à Europa e traça um único objetivo para o percurso no clube mexicano.

“Quero ser campeão no Cruz Azul. Assinei por cinco anos, sei que vou ser feliz aqui e vou gostar ainda mais de cá estar à medida que o tempo for passando. Se correr bem e ganhar a minha confiança e moral aqui no México, porquê sair? Só se aparecer algo em concreto que me faça voltar à Europa, para um bom clube, mas não penso nisso. Só quero voltar a jogar e ser campeão”, explica.

Ascensão meteórica e elogios a Luís Castro

Aos 21 anos, Stephen era já uma das principais figuras do Chaves e da seleção sub-21 portuguesa. A carreira começou, no entanto, muito longe do estrelato dos principais clubes portugueses. Formado no União de Leiria, Stephen representou durante três temporadas a equipa sénior do Torreense, do Campeonato de Portugal, e admite que nunda achava que poderia chegar à I Liga.

“Quando jogava no Torreense, no primeiro ano de sénior, sentia-me preparado para jogar o Campeonato de Portugal, mas nunca pensei que pudesse chegar à I Liga. Sabia que tinha de trabalhar, mas não achava que iria chegar a tal patamar”, explica.

2017/18 foi a temporada de afirmação para Stephen Eustáquio. Assinou pelo Leixões, na sua primeira experiência nos campeonatos profissionais e em janeiro rumou ao Chaves, para se estrear na I Liga. A segunda metade de temporada no emblema flaviense foi o melhor período na carreira, até à data.

“Só estive seis meses no Leixões, que é um grande clube e me deu a oportunidade de ir para o Chaves. Nessa altura já estava convencido que poderia jogar na I Liga. Demorei algum tempo a adaptar-me e depois já estava a jogar os 90 minutos com o Luís Castro. Foram os melhores seis meses da minha carreira até agora”, explica.

Apesar de ter dificuldades em escolher o melhor treinador com quem trabalhou, Stephen destaca Luís Castro como o que melhor trabalhou com os seus pontos fortes: “Foi quem percebeu melhor as minhas qualidades e tirou o melhor rendimento de mim. Para o estilo de jogo dele, fui um jogador que cresceu muito. Aproveitou o meu passe e agressividade, ao máximo”.

Depois de meia temporada no Chaves, em 2017/18, com Daniel Ramos e Tiago Fernandes no banco de suplentes, rumou continente norte-americano, onde vai continuar a carreira no Cruz Azul e também na seleção do Canadá.

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