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Paddy Cosgrave: "Queremos ajudar as pessoas que vão construir as empresas do futuro em Portugal"

01 nov, 2022 - 12:10 • José Pedro Frazão

Abre esta terça-feira a Websummit em Lisboa que durante quatro dias recebe 70 mil participantes, incluindo 2600 empresas. Em ano de guerra, há uma grande delegação ucraniana, debates sobre cibersegurança, redes sociais, media e alterações climáticas. Uma das novidades é a presença de 500 jovens doutorados portugueses com livre trânsito para percorrerem os bastidores e acederem a oradores em privado.

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As portas abrem hoje às 16h e dos oradores estrangeiros anunciados para hoje destacam-se Lisa Jackson, vice-presidente da Iniciativas Ambientais da Apple, e Changpeng Zhao, co-fundador e CEO da Binance, para além de uma convidada surpresa cujo nome está guardado por razões de segurança.


Carlos Moedas, António Costa e António Costa e Silva vão também subir ao palco na noite de abertura juntando-se a Paddy Cosgrave. Em entrevista à Renascença, o presidente executivo e fundador da Web Summit (que já admitiu continuar em Lisboa após 2028) recomenda o palco da cibersegurança e defende que a Conferência também serve para incomodar os poderes políticos e tecnológicos

De que forma a Web Summit deste ano vai debater temas como a crise energética ou a Guerra na Ucrânia?

Serão dois tópicos muito importantes. Temos uma enorme delegação ucraniana com cerca de 59 startups ucranianas a participar em vários dos nossos programas, o que, face a tudo o que está a acontecer, é bastante incrível. Teremos políticos ucranianos e uma delegação na área do comércio muito mais ampla.

A guerra será um assunto que será discutido em diversos aspetos, tal como a questão da energia. A inflação está a atingir máximos históricos na Europa com um enorme impacto nos salários reais e afetando a atividade económica em toda a zona euro. Não sou especialista, mas haverá muitos oradores em palco a discutir o que está a acontecer e o que deve ser feito.


Com tanta presença ucraniana, esta Web Summit poderá ser lida com uma conferência anti-Rússia?

Na Web Summit ao longo dos anos ouvimos oradores anti-americanos ou anti-chineses.

Em 2019, o conselheiro tecnológico principal da Casa Branca atacou tanto o governo chinês que, no dia seguinte, o ministro das Relações Exteriores da China realizou uma conferência de imprensa especial em Pequim para rejeitar a chamada "desinformação" espalhada sobre a China no palco da Web Summit.

A Web Summit é um evento tão global com tantas vozes diversas que é inevitável que haja opiniões expressas em palco que sejam rejeitadas ou consideradas inadequadas por outra pessoa no evento.

Convidaram oradores russos?

No passado tivemos oradores russos e também estarão na Web Summit deste ano. Acredito que Garry Kasparov possa falar...

É uma presença habitual, mas não consta no programa deste ano.

Certamente teremos algumas mudanças. Somos uma empresa europeia e temos de aderir às regras da União Europeia em relação à guerra atual.

Vamos ouvir oradores do Brasil que certamente irão expressar uma enorme diversidade de opiniões sobre a Amazónia e o estado atual do ambiente.

A natureza da Web Summit é haver muito debate no palco. Muitas grandes empresas de tecnologia não têm uma vida fácil neste evento. Tendemos a colocar denunciantes em palco e tenho a certeza que muitas das grandes empresas de tecnologia não gostariam que o fizéssemos.

O nosso trabalho às vezes é criar conversas difíceis e desafiadoras e pisar os limites. Levamos muito a sério o feedback dos nossos participantes e se um grande contingente acredita que levamos as coisas muito mais longe do que no passado, retiramos convites a certos palestrantes.

Qual é o objetivo do programa de bolsas que lançaram este ano para os jovens portugueses?

Durante anos, temos vindo a proporcionar a um pequeno número de estudantes de universidades portuguesas a oportunidade de virem frequentemente ao Web Summit por apenas meio-dia.

Eles sentam-se no Altice Arena e ficam a cerca de 100 metros do palco. Não são bons lugares, provavelmente não foi uma grande experiência, embora os alunos tenham adorado. Na minha opinião, uma economia é impulsionada pela educação. Portugal investiu fortemente na educação. Há uma quantidade enorme de alunos de doutoramento e em programas de ciência de computação. Queremos dar a esses alunos uma experiência muito mais imersiva ao longo de três dias.

Permitir-lhes ir a qualquer palco ou conhecer qualquer expositor ajuda-os a navegar no evento, porque muitas dessas pessoas vão construir empresas no futuro em Portugal. E por isso acho que o programa de bolsas de estudo vai ajudar muito uma geração de jovens portugueses a começar no mundo das startups.

E, se pudermos ser úteis a qualquer um deles, claro que o seremos e esperamos que, no futuro, alguns deles voltem. Trabalhar para startups ou fundar as suas próprias empresas e, quem sabe, daqui a cinco anos ver alguns desses jovens estudantes no palco apresentando as suas empresas, seria incrível.

Já o ouvi dizer que queria montar novos palcos que apesar de tudo não têm surgido. Falou nomeadamente da possibilidade de uma área para debater agricultura, mas não há esse palco.

Eu cresci numa quinta, o meu pai era agricultor. Primeiro começou por trabalhar para a PwC, foi contabilista e, de forma pouco comum, tornou-se produtor agrícola. Normalmente, não é o caminho que as pessoas fazem, mas foi a direção que ele decidiu percorrer num sentido diria "agritech".

Por isso essa tecnologia aplicada ao setor agrícola é de grande interesse para mim. Eu não sei que interesse isso tem para outras pessoas, provavelmente há um pouco de preconceito pessoal da minha parte.

Ainda faremos isso um dia. No entanto, introduzimos alguns novos palcos. Acho que o que mais interessa é aquele que debate as questões da segurança. Eu acho que é importante a dois níveis. O primeiro é o da segurança pessoal.

Acho que há uma enorme quantidade de inovação. Olhando para um iPhone neste momento, acho que a Apple liderou o caminho para ajudar a garantir a privacidade e a segurança das pessoas. Mas, em segundo lugar, não se trata apenas do indivíduo. É sobre o estado-nação.

Estamos a entrar numa nova era de guerra cibernética, se acreditarmos nos relatos conhecidos. A atual guerra ilegal na Ucrânia envolve tipos de guerra cibernética nunca vistos antes. Portanto, teremos alguém do gabinete do secretário-geral da NATO e vários outros que vêm para falar sobre a mudança nas formas de guerra cibernética.

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  • Qual o retorno
    01 nov, 2022 Em termos de Empresas 14:35
    Dão-te o que pedes, e o retorno, apesar das falácias todas para desviar a atenção do dinheiro que sai para isto, o retorno é insignificante, exceto para bares, restaurantes e alojamento local.Novas empresas a dar trabalho à "geração mais qualificada de sempre", poucas ou nenhumas. Descobriste uma mina por cá. Não admira que nunca mais de cá saíste.

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