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Inflação e crise energética

AHRESP reage com cautela a apoios do Governo. "Tudo o que for acima de zero é bom, resta saber se é suficiente"​

21 set, 2022 - 20:44 • Ana Carrilho

Congresso da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal realiza-se entre 14 e 15 de outubro, logo após a entrega da proposta de Orçamento de Estado para 2023 no Parlamento. Governantes vão ouvir muitas preocupações dos empresários do setor.

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O presidente da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) considera que as medidas de apoio às empresas para mitigar os efeitos da inflação e da crise energética são positivas, mas insuficientes.

“Somos daqueles que dizem que tudo o que for acima de zero é bom, resta saber se é suficiente”, disse Carlos Moura, esta quarta-feira, num encontro com jornalistas para apresentar as linhas gerais do congresso daquela associação, que se realiza em Coimbra, entre 14 e 15 de outubro.

O presidente da AHRESP referiu-se, em particular, às medidas de apoio às empresas, nomeadamente do alojamento turístico e à restauração. Entre o momento do anúncio e a sua concretização – com muita burocracia – passam cerca de seis meses, por vezes, quase um ano.

É por isso que a AHRESP, até ao fim da semana, vai apresentar ao Governo, partidos e Presidente da República, uma lista com 27 medidas que considera essenciais para as empresas do setor. “O Governo não vai deixar de olhar para as propostas que lhe vamos apresentar”, diz Carlos Moura, convictamente.

“Tememos muitas portas a fechar”

O verão turístico foi bom, a faturação foi bastante mais elevada do que se esperava inicialmente. Mas isso não quer dizer que as empresas do setor tenham aumentado as margens de lucro.

“Nalguns casos são mesmo negativas”, diz Carlos Moura.

“Em agosto, as matérias-primas alimentares subiram 15,4%. A média de ano está em 10,2% e não há perspetivas de abrandar. Ainda por cima, há probabilidade de escassez de alguns produtos. Por outro lado, os custos de energia, nalguns casos duplicaram ou até triplicaram. Sem contar com a aceleração das taxas de juro. É dramático”, justificou o presidente da AHRESP que admite não dispor, ainda, de dados rigorosos, porque a época ainda não acabou.

Mas a partir de 30 de setembro a associação lança um inquérito aos associados, como faz todos os anos, para saber qual é a situação real.

Carlos Moura diz que não quer ser pessimista, mas diz temer “muitas portas encerradas, não necessariamente por falência formalizada, mas pela chamada falência oculta. Ou seja, (o empresário) fecha as portas e fica à espera de melhores dias, a ver o que dá. Quem nos governa tem que olhar para isto, antecipando medidas para evitar colapsos”.

Resolver o problema da mão-de-obra

Para o líder associativo, as receitas das empresas do setor do turismo e restauração poderiam ser melhores se o problema da mão-de-obra fosse resolvido. “Não temos falta de trabalhadores por pagarmos salários baixos, isso não é verdade, pagamos relativamente bem”.

Carlos Moura lembra que a situação já era complicada antes da pandemia e que se acentuou nessa altura: muitas pessoas mudaram-se para outros sectores que continuaram a laborar e não voltaram ao turismo e restauração. Por outro lado, os imigrantes voltaram aos países de origem.

A AHRESP já tem um plano para a captação de imigração organizada. “Não queremos situações como aquelas que vimos em Odemira. Queremos ter uma imigração com contratos de média e longa duração, capacitação profissional adquirida na origem ou cá, tem que ter autorização de residência e habitação garantida”.

Estas são algumas das preocupações que os cerca de mil associados da AHRESP vão discutir no Congresso agendado para 14 e 15 de outubro, em Coimbra. Ou seja, logo após a entrega da proposta de Orçamento de Estado na Assembleia da República. Carlos Moura admite que a escolha da data não foi feita ao acaso. “Sustentabilidade, Utopia ou Sobrevivência” é o lema.

A AHRESP tem cerca de 15 mil associados a nível nacional e segundo o presidente, recebe uma média de 130 novas inscrições por mês, nuns casos correspondentes a novas aberturas, noutros a recuperação de antigos associados. Mas também há cerca de 80 saídas/mês, em geral, por falência

Já a pensar no futuro, um dos painéis tem o tema “Tasca”. Carlos Moura garante que não está desalinhado do resto do programa. O objetivo é ajudar a criar uma imagem que possa ser universal da gastronomia portuguesa, à semelhança do que existe em Espanha com a Bodega ou a Trattoria italiana.

Outro objetivo é ter um Guia Michelin Portugal e não da Península Ibérica, valorizando os restaurantes e os pratos típicos portugueses.

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  • João
    22 set, 2022 Gaia 11:18
    Sempre com a ameaça de fechar. QUE ENCERREM. QUL É OPRBLEMA. NASCEM OUTROS

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