Mosteiros e conventos de Lisboa abrem as portas ao público

21 mai, 2019 - 11:02 • Liliana Monteiro

É a iniciativa “Open Conventos”, que decorre na sexta-feira e no sábado. A entrada nos mais de 20 monumentos é gratuita, mas está sujeita a inscrição. Na maioria, a visita é guiada.
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Sabia que Lisboa tem mais de 20 conventos e mosteiros? Na verdade, ao todo existem 59 casas religiosas na capital, mas só metade está ocupada. O “Open Conventos” pretende dar a conhecer este património, às vezes escondido em muitas das ruas da cidade, por onde muitos passam sem sequer reparar.

Em tempos serviram para a oração, acolhimento ou educação, mas hoje muitos estão fechados e abandonados. Nos dias 24 e 25, vão estar de portas abertas ao público. As visitas são gratuitas e na sua maioria serão guiadas, mas sujeitas a inscrição junto do setor do Turismo do Patriarcado, da Santa Casa da Misericórdia, da Câmara de Lisboa ou da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa – todas as entidades promotoras da iniciativa.

Mas o programa arranca no dia 23, quinta-feira, na igreja de São Vicente de Fora, às 18h00. A essa hora terá lugar um concerto de órgão, seguido de debate sobre o tema “O que fazer com os Conventos de Lisboa?”

Muitas questões em aberto

“Basta a porta estar aberta, ser visitado e o espaço ganha outro dinamismo”, afirma José Manuel Pimenta, do Turismo do Patriarcado de Lisboa.

“O Património, para ser preservado, tem de ser usado, porque quando está fechado a degradação ocorre mais rapidamente. Além de que, se estiverem abertos, as pessoas também entram e contribuem”, acrescenta, em declarações à Renascença.

Já Margarida Montenegro, da direção da Cultura da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, sublinha que “estes conventos tiveram uma missão social há muitos anos, mas hoje continuam a ter vocação para servir o outro e encontrar novos usos”.

“A grande pergunta de fundo é: que usos? O que é que se quer? Com certeza que se vão levantar imensas questões. Deve haver critérios éticos nesses usos? Essas intervenções devem preservar a memória material e imaterial desses locais?”, questiona Margarida Montenegro.

Hoje, alguns dos conventos e mosteiros estão ocupados pelos ramos militar, religioso e social. Numa altura em que o setor imobiliário vive uma fase de expansão, transformando muitos edifícios em hotéis ou apartamentos de luxo, o “Open Conventos” quer chamar a atenção para a importância deste património e de como deve ser melhor preservado e conservado.

A iniciativa conta com a ajuda de 100 voluntários.

Convento dos Paulistas, um dos maiores órgãos de Lisboa Foto: Liliana Monteiro/RR

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