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Incêndios na Serra da Estrela

Quase 4% da área ardida na UE. Fogo da Serra da Estrela em números

22 ago, 2022 - 07:00 • Diogo Camilo

Governo reúne-se esta segunda-feira com os autarcas dos concelhos mais afetados para para o cálculo dos prejuízos causados e discutir o futuro do parque natural. Incêndio foi o maior dos últimos quatro anos e consumiu mais de 26 mil hectares.

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O Governo reúne-se esta segunda-feira, em Manteigas, com os presidentes de câmara dos cinco concelhos mais afetados pelos incêndios na Serra da Estrela, para o cálculo dos prejuízos causados. O objetivo é definir as medidas de apoio necessárias a famílias, empresas e à reabilitação das zonas afetadas pelo maior fogo do ano em Portugal, que representa quase 4% de toda a área ardida na Europa.

Pelo Governo, estarão presentes na reunião a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva; o ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro; a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho; o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Duarte Cordeiro; a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa; e a ministra da Agricultura e da Alimentação, Maria do Céu Antunes.

Na quinta-feira passada, após uma reunião conjunta, os seis municípios abrangidos pelo Parque Natural da Serra da Estrela exigiram que seja decretado "estado de calamidade, devido ao incêndio que atinge a região, e apoios imediatos para colmatar prejuízos de "centenas de milhões de euros".

“Defendemos decretar com efeitos imediatos o estado de calamidade para toda a área do Parque Natural da Serra da Estrela e a elaboração de um plano de revitalização deste nosso parque”, exigiu o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, após uma reunião conjunta com autarcas da Covilhã, Celorico da Beira, Gouveia, Seia e Manteigas.

Chamas na Serra da Estrela consumiram mais de 26 mil hectares

O fogo, que deflagrou durante a madrugada do dia 6 de agosto, em Garrocho, na Covilhã, queimou mais de 15 mil hectares e chegou a mobilizar quase 1.700 bombeiros apoiados por mais de 500 meios terrestres e 17 meios aéreos, até ser dominado às 23h36 do dia 12.

Nessa altura, já estava ativo um outro fogo, também no Parque Natural da Serra da Estrela, mas no concelho da Guarda, em que arderam quase mil hectares.

Na passada segunda-feira, dia 15 de agosto, três reativações na zona da Covilhã obrigaram a um novo combate às chamas, numa altura em que o terreno estava em vigilância sobre eventuais reacendimentos. Foi dominado dois dias depois, mas pelo caminho arderam mais 10 mil hectares de mato e floresta, segundo estimativas do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).

Na quinta-feira, dia 18, um novo incêndio, na zona de Gouveia, que também pertence ao Parque Natural da Serra da Estrela, queimou mais 500 hectares de floresta, tendo sido dominado no mesmo dia.

Ao todo, durante 14 dias, arderam mais de 26.600 hectares na zona, com mais de 24 mil a pertencerem ao mesmo incêndio que afetou cinco concelhos: Covilhã, Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira.

Incêndios na Serra da Estrela representam 3,7% da área ardida na UE

Em termos de comparação, estes incêndios preenchem já uma área superior à soma dos concelhos de Lisboa, Porto, Amadora, Odivelas e Oeiras, que têm uma população conjunta de quase 1,3 milhões de pessoas.

Olhando a nível internacional, os fogos na Serra da Estrela equivalem a 3,7% do território queimado em toda a Europa este ano.

A laranja, na representação da EFFIS, estão os incêndios na Serra da Estrela e o fogo da Guarda que lavrou durante o fim de semana, de 13 e 14 de agosto. A vermelho está representada a estimativa para a área ardida no concelho de Gouveia na quinta-feira.

Antes da reativação do incêndio, o fogo na Serra da Estrela era já o maior incêndio no país nos últimos quatro anos, ultrapassando os maiores fogos de 2021 (seis mil hectares em Castro Marim), 2020 (cerca de 15 mil hectares em Proença a Nova) e 2019 (quando arderam nove mil hectares em Vila de Rei).

É preciso recuar até 2018 para encontrar um incêndio de maiores dimensões, quando foram destruídos 27 mil hectares de floresta e mato em Monchique, no Algarve.

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) contabiliza quase 94 mil hectares de área ardida desde janeiro, com os incêndios na Serra da Estrela a representarem mais de 25% do total de território queimado este ano, num total de mais de 8 mil fogos.

Uma família desalojada e 27 feridos

Uma família ficou desalojada na localidade de Vale Formoso, na Covilhã, e foram assistidas 77 pessoas durante os incêndios na Serra da Estrela, tendo sido registados 24 feridos ligeiros e três feridos graves.

Segundo um balanço do Serviço de Emergência Copernicus (CEMS), mais de mil estruturas, entre habitações, outras propriedades e terrenos privados foram afetados pelo primeiro fogo da Serra da Estrela que esteve ativo durante seis dias.

Destas, 104 foram destruídas e 399 ficaram danificadas, afetando 1.335 pessoas na área do incêndio, onde vivem cerca de 58 mil pessoas. O sistema calcula ainda danos graves em mais de cinco mil hectares de território e danos moderados em cerca de 17.500 hectares.

No local continuam mais de 800 operacionais e quase 300 meios terrestres em operações de rescaldo.

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