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Incêndios

Chamas na Serra da Estrela já consumiram 24 mil hectares

16 ago, 2022 - 19:50 • Diogo Camilo

Incêndios da semana passada e reativações representam quase um terço de toda a área ardida no país e 3,5% do território queimado na União Europeia este ano. Mais de 500 estruturas ficaram danificadas e 249 pessoas foram afetadas nos primeiros sete dias.

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Os incêndios que têm devastado a zona da Serra da Estrela consumiram um total de 24 mil hectares no espaço de 10 dias e representam quase 30% de toda a área ardida no país desde o início do ano.

Segundo estimativas do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), o primeiro incêndio que deflagrou a 6 de agosto na Covilhã, e que se estendeu aos concelhos de Manteigas, Gouveia, Guarda e Celorico da Beira, consumiu uma área de 15.134 hectares até ser dado como dominado na noite da passada sexta-feira.

Esta segunda-feira, três reativações em simultâneo na mesma zona resultaram em mais 8.327 hectares queimados, segundo o programa Copernicus, com parte do território a pertencer ao Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE).

A estes incêndios junta-se um outro na Guarda, que durante o fim de semana destruiu 820 hectares, também pertencentes ao PNSE. O fogo entrou em fase de resolução no domingo e encontra-se em conclusão.

Ao todo, mais de 24 mil hectares de mato e floresta arderam até ao início da tarde desta terça-feira, segundo as estimativas do EFFIS, com o fogo a continuar ativo na Covilhã, onde se encontravam, pelas 19h00 desta terça-feira, 1.293 operacionais, apoiados por 400 meios terrestres e 15 meios aéreos.

A laranja, na representação da EFFIS, está o incêndio na Serra da Estrela e o fogo da Guarda que lavrou durante o fim de semana. A vermelho está representada a estimativa para a área ardida nas reativações desde segunda-feira.

Em termos de comparação, estes incêndios preenchem já uma área semelhante ao concelho da Amadora e equivalem a 3,5% do território queimado em toda a Europa este ano.

Antes da reativação do incêndio, o fogo na Serra da Estrela era já o maior incêndio no país nos últimos quatro anos, ultrapassando os maiores fogos de 2021 (seis mil hectares em Castro Marim), 2020 (cerca de 15 mil hectares em Proença a Nova) e 2019 (quando arderam nove mil hectares em Vila de Rei).

Até esta terça-feira o EFFIS contabiliza cerca de 84 mil hectares de área ardida desde janeiro, com os incêndios na Serra da Estrela a representarem cerca de 29% do total de território queimado este ano.

É preciso recuar até 2018 para encontrar um incêndio de maiores dimensões, quando foram destruídos 27 mil hectares de floresta e mato em Monchique.

Ainda sem se saber se o novo incêndio é uma reativação ou um fogo independente do primeiro, a área ardida em dois dias já o torna no segundo maior do ano, à frente da área ardida em Murça (cerca de 7 mil).

Mais de 500 estruturas e 249 pessoas afetadas

Segundo informações partilhadas pelo Serviço de Emergência Copernicus (CEMS), cerca de 500 estruturas, entre habitações, outras propriedades e terrenos privados foram afetados pelo primeiro fogo da Serra da Estrela que esteve ativo durante seis dias.

Destas, 93 foram destruídas e 298 ficaram danificadas, afetando 249 pessoas na área do incêndio, onde vivem cerca de 22 mil pessoas.

O sistema calcula ainda danos graves em quase três mil hectares de território e danos moderados em cerca de 11 mil hectares.

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