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"Abram as portas", pedem migrantes presos na fronteira entre a Turquia e a Grécia

"Abram as portas", pedem migrantes presos na fronteira entre a Turquia e a Grécia

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06 mar, 2020 - 11:50 • Redação com agências

Alguns migrantes viajaram cerca de 1.300 km desde os campos de refugiados na Síria.

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Milhares de migrantes oriundos da Síria, Irão, Paquistão e África estão acampados ao longo da fronteira entre a Turquia e a Grécia. Homens, mulheres e crianças agarram-se à esperança de conseguiram atravessar, enanto se alimentam de biscoitos, bebidas e refeições ligeiras à base de batata que são fornecidos por voluntários de organizações.

Alguns migrantes viajaram cerca de 1.300 km desde os campos de refugiados na Síria.

A Grécia enfrenta uma pressão nas suas fronteiras externas com a Turquia, depois de o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ter decidido ‘abrir as portas’ aos refugiados que pretendem rumar à Europa, numa tentativa de garantir mais apoio ocidental na questão da guerra na Síria.

A União Europeia e a Turquia celebraram em 2016 um acordo no âmbito do qual Ancara se compromete a combater a passagem clandestina de migrantes para território europeu em troca de ajuda financeira num valor total de seis mil milhões de euros para financiar o acolhimento dos refugiados, especialmente os sírios que fogem da guerra.

“Erdogan está a usar-nos para receber mais dinheiro da União Europeia”, disse à agência Reuters Tamam Srmini, um jovem sírio de 21 anos, oriundo da cidade de Alepo. “Mas nós temos que tentar. Não temos outra hipótese, pois não temos qualquer futuro na Turquia.”

Esta sexta-feira há registo de breves na fronteira entre a polícia grega, que lançou gás lacrimogéneo, e migrantes, que ripostaram a atirar pedras.

Após estes confrontos, centenas de migrantes reuniram-se em frente ao posto de fronteira de Pazarkule (Kastanies, no lado grego) a entoar palavras de ordem como "liberdade", "paz" e "abram as portas", de acordo com o fotógrafo da AFP. Algumas pessoas seguravam cartazes acima do arame farpado que diziam "queremos viver em paz".

As autoridades gregas também acusaram as forças turcas de dispararem bombas de gás lacrimogéneo e de lançarem bombas de fumo no lado grego da fronteira.

"Houve ataques coordenados esta manhã", disse uma autoridade grega.

Segundo Atenas, as autoridades turcas também estão a distribuir material para cortar as cercas que impedem a passagem dos migrantes para o lado grego.

Milhares de pessoas estão agora presos na fronteira greco-turca, campos improvisados formaram-se no lado turco. Muitos dormem ao ar livre, apesar do frio.

Também se desenvolveu toda uma economia de miséria, com vendedores ambulantes turcos a vender, dez vezes mais caro em relação ao preço regular, garrafas de água, alimentos ou materiais para fazer abrigos.

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  • Cidadao
    07 mar, 2020 Lisboa 14:13
    A solução passará sempre pela reconstrução da Síria e dos Países afetados pelas guerras provocados por outro - isso de dizerem que é "guerra civil" é uma tanga que não resiste a análises mesmo superficiais onde se verifica que há outros Países a incitar/apoiar/municiar essas guerras. Abrir as portas para deixar entrar quase 4 milhões de pessoas, no mínimo é uma ideia tão romântica, como fora da Realidade. Têm alojamentos/trabalho/condições para receber e enquadrar essa multidão? Estão dispostos a um grande aumento de impostos para haver condições para receber essa multidão, à inevitável baixa salarial - abunda a mão-de-obra, descem salários - à diminuição do valor das Reformas - as Seguranças Sociais ficarão exauridas e esgotadas com o esforço - e já agora, ao pequeno pormenor de ter de conviver com magotes de gente diferente em mentalidade, Deuses, hábitos e costumes e em que uma boa parte deles acha que "fomos nós" que lhes demos cabo do País e temos de pagar por isso?
  • QQ
    06 mar, 2020 Lisboa 17:14
    Mandem-nos de volta. A Europa tem pactuado com a chantagem do presidente turco ha demasiado tempo. Basta de promover esta imigração de massas para a Europa, nao ajuda os paises de onde eles sao oriundos e é ainda pior para a Europa.
  • Desabafo Assim
    06 mar, 2020 15:01
    Caminhar é esperança parar é morrer, "tem cuidado não vá a besta te encontrar a preguiçar"

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