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"Fora de Jogo". Braga e Vitória garantem colaboração com as autoridades

25 nov, 2021 - 09:16 • Redação

Vimaranenses lamentam "espetacularização" da investigação. Ambos esperam que a "lisura dos seus atos" seja comprovada.

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As Sociedades Anónimas Desportivas (SAD) de Sporting de Braga Vitória de Guimarães reagiram às buscas realizadas nas suas instalações, no âmbito da operação "Fora de Jogo", com garantia de total colaboração.

Em comunicado no site oficial, o Braga confirma ter recebido, na quarta-feira, "uma equipa de inspetores tributários e de membros do Ministério Público, os quais solicitaram acesso a documentação, no âmbito de buscas alargadas a todo o país e efetuadas em vários locais".

O clube liderado por António Salvador frisa que foi "prontamente prestada toda a informação e colaboração requerida", segundo a "postura altamente colaborante" que "sempre teve perante as autoridades".

A SAD do Sporting de Braga e os seus responsáveis garantem estar "totalmente seguros da lisura dos atos de gestão praticados".

"Estarão sempre disponíveis para ceder toda a documentação e informação necessária, cientes de que a mesma é perentória quanto ao detalhe de cada operação realizada por esta sociedade e por todos os seus responsáveis", pode ler-se no comunicado do clube bracarense.

Vitória lamenta "espetacularização" do processo


O Vitória de Guimarães também confirma ter sido alvo de buscas. Uma equipa de inspetores solicitou acesso a documentação respeitante à atividade da SAD e referente aos anos entre 2010 e 2020, "incidindo sobretudo no período compreendido entre 2015 e 2018".

A SAD do Vitória assegura que "prestou total colaboração" às autoridades e "deseja e confia que este mega processo se conclua com celeridade, salvaguardando o bom nome da instituição e dos seus representantes".

"A Vitória Sport Clube - Futebol, SAD não pode deixar de notar, lamentando-o, que estas operações se revistam de uma espectacularização que, nada acrescentando às investigações, contribui apenas para criar na opinião pública um anátema genérico que não favorece a real identificação e ação sobre eventuais ilícitos que se verifiquem no âmbito desta atividade e dos seus agentes", lê-se.

Detalhes da chamada Operação "Fora de Jogo"


As diligências da investigação que levou às referidas buscas estão a ser acompanhadas pelo juiz do Tribunal Central Carlos Alexandre. "Foram ordenadas na sequência da análise do material apreendido no decurso das buscas realizadas em março de 2020, na designada Operação Fora de Jogo", confirmou o Ministério Público (MP), em comunicado.

"Em causa estão suspeitas de negócios simulados, celebrados entre clubes de futebol e terceiros, que tiveram em vista a ocultação de rendimentos do trabalho dependente, sujeitos a declaração e a retenção na fonte, em sede de IRS, envolvendo jogadores de futebol profissional. Os valores envolvidos rondarão os 15 milhões de euros. Os factos em investigação são suscetíveis de integrarem crimes de fraude fiscal, fraude à segurança social e branqueamento de capitais", esclareceu o MP.

Ao que a Renascença apurou, os agentes da AT procuraram, sobretudo, documentação dos contratos celebrados com a Altice, relativos à venda dos direitos de transmissão dos jogos, e a contratos de transferências de jogadores, em particular, da época 2015/16. No caso do Vitória de Guimarães, da gestão anterior à de Miguel Pinto Lisboa.

Foram emitidos cerca de duas dezenas de mandados de busca domiciliárias e não domiciliárias. Além das instalações de SAD, também decorreram buscas em empresas e escritórios de advogados.

As diligências da segunda fase da operação "Fora de Jogo" levaram à constituição de "cinco arguidos, três pessoas singulares e duas coletivas". Em março, após buscas em várias entidades ligadas ao futebol, já tinham sido constituídos 47 arguidos (24 pessoas coletivas e 23 singulares).

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