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Quase mil saltos em 3 minutos. Atleta recordista de rope skipping ambiciona federação

27 out, 2021 - 08:38 • Liliana Carona

João Vieira é recordista nacional e ambiciona uma federação para ter mais apoios. Há cinco clubes de Rope Skipping em Portugal e um total de cerca de 500 atletas. Sabe que modalidade é esta?

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Atleta português recordista de rope skipping ambiciona federação - Reportagem de Liliana Carona
Atleta português recordista de rope skipping ambiciona federação - Reportagem de Liliana Carona
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Foi o desporto escolar que impulsionou a modalidade de Rope Skipping em Portugal, mais concretamente na vila de Caldas das Taipas, em Guimarães. João Vieira, 20 anos, foi um dos primeiros praticantes.

“Rope Skipping é uma modalidade que existe nos Estados Unidos há muito tempo, mas aqui em Portugal tem cerca de 10 anos. Começou com um professor nosso, Nuno Dias, que ensinou como desporto escolar. E criou um grupo, falou comigo e fui dos primeiros atletas a praticar a modalidade, andava eu no 5.º ano, na Escola EB2/3 Caldas das Taipas”, recorda João Vieira, que atualmente estuda Comunicação Multimédia no Instituto Politécnico da Guarda.

João Vieira, do Clube de Rope Skipping das Taipas – Molinhas, treina aos fins-de-semana, quando chega da Guarda. Mas as cordas andam sempre na mochila.

“Temos uma corda de vinil para as provas de 'freestyle', provas de coreografia de 1 minuto e 15 segundos, onde fazemos o maior número de acrobacias e truques com a corda; e depois temos a corda de aço, que é leve, e fazemos os saltos curvados, para vencer a prova de velocidade e resistência”, descreve, salientando que na prova de resistência de três minutos é ele quem detém o recorde nacional.

“Eu estou curvado a fazer a prova e é para dar tudo e nessa prova detenho o recorde nacional: 493 saltos, mas ao todo dá 986 saltos em 3 minutos”, garante. E como se faz a contagem de tanto salto? “É muito difícil contar. Contamos apenas quando o pé direito toca no chão e depois duplicamos esse valor. Temos um retângulo, temos de estar lá dentro e os júris à nossa volta”, explica.

Representar Portugal numa competição "tem de sair do nosso bolso"

Apesar de existir uma associação, Associação Portuguesa de Rope Skipping (APRS), João Vieira sonha ver implementada uma federação da modalidade. “Tentamos ao máximo divulgar a modalidade. Nas Taipas, vamos às escolas fazer demonstrações. Existe uma associação nacional, mas ainda não conseguimos passar para federação, porque precisamos de um número mínimo de atletas para atingir esse estatuto. Em Braga, já há várias escolas a ensinarem esta modalidade”, enaltece.

Braga recebeu um campeonato mundial da modalidade em 2017, mas o atleta medalhado em provas internacionais espera que a sua voz faça com que mais jovens se interessem pela modalidade. É que ter mais atletas é essencial para criar uma federação no país e conseguir saltar além-fronteiras.

“Era muito bom conseguirmos atingir estatuto de federação para conseguirmos mais apoio do Estado. Quando vamos a uma competição, tem de sair do nosso bolso para irmos representar Portugal fora do nosso país”, denuncia, lamentando também que a modalidade “ainda não exista nos Jogos Olímpicos. Existem duas federações mundiais, elas têm de se juntar e creio que já chegaram a acordo, mas ainda se está a trabalhar para isso”.

João Vieira já participou nos campeonatos internacionais que decorreram na Alemanha, em França, na Noruega e na América, sempre como representante de Portugal. “Em provas de equipa, já conquistámos medalhas de primeiro lugar na velocidade. O prémio por que tenho mais carinho foi em Orlando, no campeonato Mundial. Fomos a equipa mais consistente”, conclui.

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