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FPF, Liga, jogadores, treinadores e árbitros contra Mundial de dois em dois anos

17 set, 2021 - 17:23 • Redação

Comunicado conjunto dos cinco organismos portugueses de futebol critica "inoportunidade" da proposta da FIFA e apresenta vários argumentos contra maior periodicidade do Mundial.

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Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Liga Portugal (LPFP), Sindicado dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJ), Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) e Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) opuseram-se formalmente, esta sexta-feira, à proposta da FIFA com vista à realização do Mundial de dois em dois anos.

Em comunicado conjunto, os cinco organismos começam por invocar a "sobrecarga dos calendários e a saúde física dos atletas", assim como o "impacto sobre a saúde mental dos jogadores, obrigados, neste formato, a fazerem duas concentrações anuais de várias semanas", como argumentos contra o aumento da periodicidade do Mundial.

A sobreposição de provas continentais e intercontinentais masculinas e femininas, incluindo Europeus e Jogos Olímpicos, nos mesmos anos pode retirar impacto à "forte aposta" feita na promoção do futebol feminino "um pouco por todo o mundo e em particular na Europa".

O comunicado também refere que a paragem competitiva de todos os campeonatos para uma fase de qualificação concentrada em apenas dois meses obrigaria os clubes a ficarem sem competição durante esse período. O que também significaria, argumentam, um "aumento do risco de lesão em torneios concentrados de apuramento e fases finais".

Emprego, escalões jovens, direitos televisivos


Os cinco organismos falam, ainda, de "consequências por aferir" ao nível do emprego global de futebolistas, com concentração nas provas mais mediáticas e "consequente redução de clubes e calendários nacionais". E do "impacto nas competições jovens de seleções, retirando oportunidades e visibilidade", nomeadamente aos escalões de sub-20 e sub-21.

FPF, LPFP, SJ, ANTF e APAF temem, ainda, uma "saturação evidente" do mercado de direitos televisivos e comerciais, "provocando danos por medir nas ligas nacionais e no valor dos seus direitos".

Por fim, os cinco principais organismos futebolísticos em Portugal lamentam a "inoportunidade" da proposta, num momento em que ainda nem se disputou o primeiro Mundial alargado e com o novo formato de 48 seleções, que deverá acontecer pela primeira vez em 2026.

"Por todos estes fatores e muitos outros, resulta claro que não podemos ser favoráveis a que uma medida destas seja implementada e ainda menos como resultado de um processo de consulta inexistente, no que aos clubes, ligas, federações, sindicatos de jogadores, treinadores e árbitros diz respeito", pode ler-se no comunicado conjunto.

UEFA e CONMEBOL ameaçam boicote


A UEFA, confederação europeia de futebol, e a CONMEBOL, confederação sul-americana, também já se mostraram preparadas para boicotar um eventual Campeonato do Mundo de dois em dois anos.

Em entrevista ao jornal britânico "The Times", na passada quinta-feira, Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, deixou críticas à FIFA e argumentou que um Mundial a cada dois anos iria matar o futebol.

"Podemos decidir não jogar esses Mundiais. Tanto quanto sei, os sul-americanos pensam o mesmo, por isso, boa sorte com um Mundial assim. Acho que nunca vai acontecer, porque é contra os princípios básicos do futebol. Jogar todos os verões um torneio de um mês é matar os jogadores. Se for para jogar de dois em dois anos, vai coincidir com o Mundial feminino e os Jogos Olímpicos. O valor da prova está precisamente em jogar-se só de quatro em quatro anos, é um evento enorme. Não imagino as nossas federações a apoiar esta ideia", disse.

Ligas Europeias também contra projeto


As Ligas Europeias manifestaram-se igualmente contra a ideia da FIFA.

O Conselho de Administração do organismo, do qual faz parte Pedro Proença, presidente da Liga Portugal, manifestou publicamente o voto contra o Mundial de dois em dois anos.

"As Ligas estão a trabalhar em conjunto com outras partes interessadas para impedir que os órgãos dirigentes do futebol tomem decisões unilaterais que prejudicam o futebol nacional, que é a base da nossa indústria e de extrema importância para clubes, jogadores e adeptos de toda a Europa e do mundo", informou o organismo, em comunicado.

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