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Futebol internacional

Mascarenhas, outro português no Oviedo, luta pela La Liga: "O Cazorla não é só uma lenda, como companheiro é do melhor que há"

07 jun, 2024 - 17:08 • Redação

O avançado do Oviedo tem 24 anos e é formado no Cascais e no Estoril. Em entrevista a Bola Branca, Francisco Mascarenhas conta como tem sido a aventura.

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Francisco Mascarenhas, "Masca" como é conhecido no futebol, é um jovem avançado que tem sido um dos destaques desta época do Real Oviedo, da 2.ª Divisão Espanhola. O emblema asturiano, onde outrora jogaram Paulo Bento e Abel Xavier, conta também com o mago Santi Cazorla e joga neste sábado, em casa contra o Eibar, a primeira mão das meias-finais do play-off de acesso à La Liga.

Em Portugal, representou clubes como o Estoril Praia, o Cascais, o Belenenses e o Portimonense, que foi o seu último clube por cá. Chegou a Espanha na época 2022/23 para representar a equipa B do Oviedo. Nessa temporada saltou para a equipa principal em nove ocasiões.

Esta temporada, Mascarenhas, de 24 anos, tornou-se o 10.º futebolista mais utilizado pelo técnico Luis Carrión, com 36 jogos realizados. É o quarto melhor marcador da equipa, com sete tiros certeiros. Pelo meio foi ainda considerado o melhor jogador do mês de dezembro do clube das Astúrias, onde tem contrato até 2025.

Como surgiu a oportunidade de ir para Espanha e como foi a adaptação?

Surgiu quando estava a acabar a liga de sub-23 em Portugal. Na altura, decidi não renovar com o Portimonense e esperar um pouco as propostas que me aparecessem. O meu empresário trouxe-me umas propostas de equipas B aqui de Espanha. E eu acabei por decidir o Oviedo porque transmitiram uma ideia de que, se as coisas corressem bem, realmente era possível o salto para a equipa principal. Foi um bocadinho acreditar nessas palavras e que as coisas me corressem bem. Era uma boa oportunidade. A nível de adaptação à 2.ª Liga, no início, claro, foi mais difícil até dezembro. Joguei muito pouco e depois, assim que tive a oportunidade, fiz bastantes jogos e alguns golos também.

Não houve outras propostas?

Sim, tive propostas de clubes da 1.ª Liga. Mas foi um bocadinho acreditar que podia dar um salto realmente importante e entrar no mercado espanhol. Como vocês sabem, também é um mercado muito difícil para os portugueses. Se reparares, não há muitos portugueses aqui a jogar em Espanha. Eu sou uma pessoa que acredito sempre muito em mim e acreditei que as coisas me podiam correr bem e que podia dar este salto.

Como foi esse processo de passagem para a equipa principal? Foi rápido?

Não, não foi um processo muito rápido. Quando cheguei tive uma lesão. Quando assinei faltava um dia para o mercado de transferências fechar. Até janeiro, que foi o primeiro jogo, só disputei cerca de 20 ou 25 minutos em dois jogos e num dos jogos rasguei na parte de trás da coxa. Tive um processo de recuperação e acabei por praticamente não jogar. O meu primeiro jogo é em janeiro, que é quando voltámos das férias de Natal. Depois, fiz o meu primeiro jogo, fiz um hat-trick logo. E pronto, daí posso dizer que o processo foi bastante rápido, porque o meu primeiro jogo foi em janeiro e, em março, estreei-me com a equipa principal.

Sentiste uma grande diferença da REF 2 (4.ª divisão espanhola) para a 2.ª liga?

Sim. O nível é muito diferente, o ritmo, o físico e a experiência. Há uma diferença grande. Eu acho que, felizmente, consegui adaptar-me muito rápido. Também digo que acreditei sempre que vim por estar preparado para a equipa principal e não com a ideia da equipa B.

Acabaste de certa maneira por preferir a 2.ª divisão espanhola à 1.ª portuguesa. O que mais te motivou para dar este passo?

O que mais me motivou foi querer bastante uma experiência fora de Portugal. Era uma coisa que já tinha comentado muito aos meus pais, que eu acreditava que estava bastante preparado para sair do país. Acreditava que era uma coisa que me chamava a atenção, o entrar no mercado internacional. É aqui ao lado, mas que ao mesmo tempo é um mercado internacional. Se, felizmente, conseguirmos a subida para a La Liga, estamos a falar da primeira ou segunda melhor liga do mundo.

O Oviedo está a lutar para subir à La Liga. Foi um objetivo que o clube já tinha estabelecido no início da época?

Claro, é um objetivo que estava traçado neste clube. Afinal, pela história e pela dimensão que tem a nível de 1.ª divisão, tudo o que seja estar abaixo da 1.ª divisão, o clube nunca se contenta. E é o que também tem sido muito bom aqui: a exigência que há sempre, principalmente pela parte dos adeptos e muito também pela estrutura do clube, de querer-se voltar à 1.ª liga o mais rápido possível.

O Oviedo não está na 1.ª liga desde a época 2000/01. Como é que estão as perspetivas para os play-offs e como é que está também o ambiente do balneário para esta fase tão importante?

As expectativas são muito boas. Nota-se uma união das pessoas, todas em prol do mesmo objetivo, ou seja, todos acreditam que é possível e todos acreditam que estamos capazes disso. Os adeptos estão a viver uma ilusão outra vez, passado tantos anos. Isso nota-se. Se fores pela rua, vês toda a gente com camisolas do Oviedo, vês bandeiras penduradas nas janelas. Há sempre uma palavra de força para este fim de semana.

Já tendo jogado contra eles, qual é que vai ser a melhor maneira de os enfrentar e levar a melhor nesta eliminatória?

Bem, acho que isso seria mais uma pergunta para fazeres ao Mister [risos]. Temos estado a preparar bastante a parte que nos faltou, por exemplo, defensivamente. Estivemos a ver o jogo que perdemos, a analisar o que fizemos de bom também, ofensivamente, e a trabalhar sobre esses pontos fortes e sobre esses pontos fracos.

Esta é a época em que tens mais jogos realizados. Em golos também estás bem. Sentes que estás no teu melhor momento de forma?

Sim, poderia dizer que sim. Afinal, nunca estive num patamar tão alto e, ao mesmo tempo, acho que tenho estado a ter um bom rendimento. O meu melhor momento coincide tanto com o nível mais alto que estou a jogar como também ter sido uma opção recorrente.

Olhando para um colega teu “pouco” conhecido – Santi Cazorla. Como é partilhar o balneário com um histórico do futebol mundial?

Santi Cazorla… Eu digo sempre isto às pessoas que a carreira dele fala por si mesma. Ele, como pessoa, diz o mesmo. O Santi não só é uma lenda do futebol espanhol, a nível de companheiro de equipa é do melhor que há. Ele é uma pessoa que já esteve nos patamares mais altos e todos os dias tem um sorriso. Todos os dias está pronto para ajudar e é fantástico.

E em termos de balneário, qual é o papel dele?

São todos. O Santi tanto é o que anima as pessoas que estão mal, tanto é o que pede exigência. Tudo o que é preciso ter um balneário, ele tem tudo.

Dividiste também balneário com Matheus Nunes nos sub-23 do Estoril. Como é que tens visto a sua ascensão neste momento? Na altura esperavas que ele chegasse a este patamar?

Dizer que ele ia chegar a este patamar são sempre palavras maiores, porque, afinal, está numa das melhores equipas do mundo e isso é aquela coisa que é sempre difícil dizer. Mas a verdade é que, desde que chegou, notava-se que o Matheus era diferente. Notava-se que ele era bom, ele era muito bom. As características que ele tinha não as tinha muita gente. Então, sim, notava-se que ele ia dar um salto. Agora se me dissesses que, nesta altura, ia estar no Manchester City, logicamente era difícil dizê-lo. Mas, sim, que ia chegar a patamares altos, isso eu poderia dizer que sim.

Sobre a seleção, achaste tardia essa chamada?

Bem, eu sou sempre suspeito para falar pela boa relação que tenho com ele e então diria que sim. Eu achava que o Matheus merecia a convocatória. Acho que vai ser um jogador bastante importante. Aliás, eu acho que ele, nos amigáveis que jogou já com o Roberto Martinez, demonstrou que tem características diferentes e que pode ser muito importante para Portugal.

Para fechar, pensas voltar a Portugal algum dia?

Sim, acredito que sim, se me chegar uma proposta que me interesse. Mais para frente, num futuro. Logicamente é o meu país e é uma coisa que sempre me chama a atenção. Mas seria num futuro… Agora, de momento, como podes imaginar, nem me passa pela cabeça porque só tenho os play-offs e a subida de divisão na cabeça.

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