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Análise

Queixos caídos no Grupo E, um duelo tático com pouca baliza e o ‘monstro’: foi assim o dia 4 do Euro

18 jun, 2024 - 08:05 • Francisco Sousa

Roménia e Eslováquia surpreenderam Ucrânia e Bélgica respetivamente, a França sofreu para derrotar a Áustria.

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A desafiante pressão da Áustria e o aparecimento do ‘monstro’ Kanté

Defrontar a Áustria de Rangnick pressupõe sempre capacidade de adaptação a um oponente extremamente agressivo na pressão alta, com capacidade para criar impacto na saída de bola, quer levando ao erro, quer minimizando o impacto das unidades criativas do lado oposto. A França foi sentindo isso, embora arranjando margem para alternar entre um bloco médio-baixo (que só sofreu de verdade naquele lance em que Sabitzer e Maignan foram brilhantes e Baumgartner não tanto) e períodos em que somou iniciativas a partir de Theo Hernández à esquerda. Mbappé assumiu o protagonismo numa ruptura a causar perigo e a cruzar à direita para o auto-golo decisivo (1-0).

Na etapa complementar, uma sucessão de eventos (algum desgaste e trocas de Rangnick) levaram a que os austríacos perdessem alguma capacidade para incomodar, ainda que mantendo intacta a atitude competitiva até final. Na França, e já depois de Rabiot ter brilhado a recuperar e distribuir (que passe para Mbappé desperdiçar…), emergiu um pequeno ‘monstro’ chamado Kanté. O médio esteve em toda a parte nos segundos 45 minutos, equilibrando, acelerando para fazer cortes decisivos, estando sempre colocado no sítio certo e dando até sequência no passe. A este nível, não admira que seja opção.

Fechar e acelerar para golear: eis a receita do sucesso romeno

Já todos sabíamos, desde a fase de qualificação, que era para contar com a Roménia de Edward Iordanescu na dimensão da competição defensiva e a estreia retumbante no Euro confirmou-o. Viu-se um 4-1-4-1 muito compacto, para ceder a iniciativa ao adversário, sem vergonha, e procurar capitalizar a vantagem de uma dupla de centrais muito coesa na defesa da área, boa entreajuda nos flancos e médios agressivos sem bola e capazes de energizar saídas sem ter a bola muito tempo sob domínio.

Stanciu entregou-nos um golo de elevada categoria e quase marcava um canto direto. Tem uma técnica ímpar nesta equipa. Marius e Razvan Marin são o complemento ideal na dimensão defensiva (com o segundo a atrever-se mais). Dennis Man é virtuoso, ataca o espaço e sabe servir colegas. Na frente, mora a novidade mais interessante em Denis Drăguș, goleador na época turca, que se mostrou em apoio e a finalizar na área. A Ucrânia não teve antídoto para a desgraça após o 1-0, foi pouco contundente com bola e errou demasiado atrás (também em termos individuais). Terminou 3-0.

Bélgica arrojada, um festival de falhanços e o ‘guia’ Lobotka

Não há como fugir à evidência de que a Bélgica fez mais do que suficiente para vencer a Eslováquia (0-1). Doku foi réu a originar o golo eslovaco, mas abanou com as estruturas do jogo, primeiro à direita e depois no lado oposto. Junto a ele, Trossard (partindo, primeiro, da esquerda) e Lukaku foram fontes de desperdício, Kevin de Bruyne ganhou protagonismo com o passar dos minutos, sobretudo a nível da distribuição.

Apesar de tudo, sentiu-se que a meio-campo os melhores protagonistas vestiam a camisola branca da Eslováquia. Mangala e Onana não acrescentam variabilidade e recursos finos em posse, enquanto Lobotka voltou a destacar-se pela saída de bola correta, nas costas da primeira pressão, e sentido posicional apurado. Junto com o critério de Duda e o trabalho elementar de Kucka em espaços diferentes, houve capacidade para circular e ativar os atacantes externos – Schranz e Haraslín em evidência. O 4-3-3 de Calzona já tinha deixado bons traços evolutivos no apuramento, veremos até onde pode chegar na fase final.

Sobe 💎

Drăgușin. Essencial para a prova de resistência romena a defender. Imponente em duelos, no jogo aéreo, a defender na própria área e com capacidade para cobrir a última linha com conforto. Pode sair da Alemanha com o estatuto (ainda mais) afirmado.

Desce 🌧️

Lukaku & Lunin. Um pelos falhanços na cara do golo (surgiu nos espaços certos, mas a definição técnica foi absolutamente desapontante). O outro pelos estranhos erros depois de época tão fiável no Real Madrid, nomeadamente a má entrega com o pé na origem do 1-0 da Roménia e na abordagem deficiente no mergulho para o remate do segundo golo. Quando acertou na baliza, viu os golos serem-lhe anulados.

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