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Euro2024

Guia Euro2024. Conheça as equipas do Grupo E

12 jun, 2024 - 09:00 • Francisco Sousa

A Renascença conta-lhe quais são as ideias e as figuras de Bélgica, Ucrânia, Eslováquia e Roménia. O Europeu vai jogar-se entre 14 de junho e 14 de julho.

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Bélgica ⚽

Um vice-campeonato em 1980 é o melhor que a história tem para oferecer à Bélgica nos Campeonatos da Europa. Esta pode não ser a competição favorita dos belgas, mas ainda assim os ‘diabos vermelhos’ somam duas participações nos quartos de final nas últimas edições, às quais podem juntar o terceiro lugar no Mundial 2018. A coisa foi pior no Catar, com eliminação na fase de grupos e consequente saída de Roberto Martínez – mais tarde, veio a saber-se que era para Portugal.

Para a nova era, foi contratado Domenico Tedesco, que desde logo impôs uma linha defensiva com quatro unidades (Martínez apostava no 3-4-2-1), entre o 4-3-3, 4-2-3-1 e passagens pelo 4-4-2 (com variante 4-2-4 no momento ofensivo).

O antigo treinador do Leipzig fomenta uma ideia de jogo marcadamente ofensiva, procurando que as equipas por ele orientadas sejam agressivas em ataques verticais, explorando a velocidade de ponta dos extremos e utilizando a capacidade de ruptura dos avançados-centro, algo que, com um lançador de excelência como Kevin de Bruyne, acaba por ser mais facilmente potenciado.

Olhando para o provável 11 belga na Alemanha, e atendendo à ausência de Courtois dos convocados (ainda terá pesado a discussão com Tedesco, que o levou a sair de um estágio), há perguntas logo na baliza. A época de Matz Sels entre Estrasburgo e Nottingham foi muito regular e até mereceu titularidade nos dois jogos de março, mas ainda não é certo quem será o titular (Casteels também está na corrida).

A linha defensiva não conheceu ainda toda a renovação desejada e necessária e continua a ser o setor que revela maiores desequilíbrios na equipa. Do lado direito, Meunier ainda surpreende pela chamada, mas o titular deve ser o fiável Castagne. Do lado oposto, foi chamado um lateral de técnica apurada, De Cuyper, mas como titular deve manter-se o central adaptado Theate.

Já no centro da defesa, o iminente reforço do Sporting, Debast, pode ser uma surpreendente aposta como titular, ainda que Vertonghen e Faes partam como candidatos maiores ao onze.

Na zona intermediária, fica a dúvida sobre se será um duplo pivô com médio-ofensivo adiante ou se jogará um trinco mais dois médios interiores. De todas as formas, Amadou Onana, trinco fortíssimo a equilibrar e correto no passe, e o indiscutível Kevin de Bruyne, um dos melhores criadores de jogo da competição, serão opções certas, com Tielemans, Mangala e eventualmente Carrasco (mais adiantado) na luta pelo outro lugar.

Para a frente, entusiasma pensar num trio que junte o pivô potente Lukaku, o irreverente Doku e o consistente Trossard. Há golo, finta, técnica e discernimento em doses repartidas nestes três, que contam com alternativas de luxo como Openda, Bakayoko ou Lukébakio. Não havendo almoços grátis num Europeu, a Bélgica tem tudo para passar o grupo em primeiro.

A figura 🧞‍♂️

Kevin de Bruyne. Voltou de lesão num nível soberbo e o esplendor do seu futebol foi fundamental para a conquista do título ‘cityzen’. Na seleção, pode partir como interior ou atuar nas costas do ponta de lança, mas sempre com movimentos difíceis de decifrar para os oponentes e com cruzamentos deliciosos para os colegas finalizarem (aquelas bolas para o poste do lado oposto...). O poder de finalização de KdB também pode ser acentuado no modelo de Tedesco.

Ucrânia ⚽

A viver o trauma de uma longa e desgastante guerra no próprio país (e que, de resto, tem naturalmente repercussões no futebol do próprio país), a seleção da Ucrânia tenta dar uma alegria ao próprio povo e à gigante diáspora espalhada por essa Europa fora, em particular no país onde se realiza este torneio.

Depois dos quartos de final em 2021, os ucranianos têm razões para confiar no apuramento para a próxima fase, como mínimo. A equipa orientada por Serhii Rebrov, lenda do futebol do país, afastou Bósnia e Islândia (com maior sofrimento) nos "play-offs". A fase de apuramento foi jogada entre solo polaco e alemão, sempre com apoio de um público extremamente entusiasta, portanto é de esperar que a comunidade ucraniana vá marcar presença em força nas bancadas do Europeu.

Não se esperam muitas mudanças em termos táticos e de ideia do jogo para o certame. Rebrov tem como base o 4-2-3-1 e 4-3-3, com variante 4-1-4-1. Não sendo uma equipa amplamente dominadora, tem argumentos para explorar o ataque organizado, podendo até construir a três desde trás, e gerando vantagens a partir dos movimentos na zona central de Zinchenko (mais como interior na seleção) e da jovem revelação Sudakov.

A atual geração ucraniana tem duas mais-valias inquestionáveis na baliza. Lunin deve ser o titular, depois de uma temporada a substituir brilhantemente Courtois na baliza do Real Madrid, e tem como alternativa direta o benfiquista Trubin. A linha defensiva é constituída ao centro por um duo (veremos se passa para o trio em jogos mais competitivos, como se viu no particular com a Alemanha) de alto nível, constituído por Zabarnyi e Matviyenko. Ambos competentes na saída de bola, com capacidade para ler e antecipar de forma correta, e sólidos na defesa da área. À direita, o pujante Konoplya deve continuar a merecer aposta e do lado esquerdo estará outro homem com andamento de Premier League, Vitaliy Mykolenko (épocas com exibições defensivamente sólidas no Everton).

O trinco pode continuar a ser o veterano Stepanenko, mas, tendo em conta a menor disponibilidade física atual, o recuperador Brazkho pode merecer aposta como titular.

Do meio-campo defensivo para a frente, há várias opções de luxo para registos distintos. Zinchenko domina como poucos a maleabilidade posicional e esmera-se para ser o criativo de ruptura que a equipa necessita. Sudakov junta a aproximação à área e a técnica apurada para servir e rematar.

Nas alas, Tsygankov brilha em movimentos de fora para dentro a partir da direita (substituiu a "referência" Yarmolenko) e tem na mira o colega no Girona, Artem Dovbyk, goleador da época na La Liga (faturando de toda a forma e feitio e destacando-se pelo trabalho com a canhota). À esquerda, Mudryk promete partir tudo, assim lhe dêem o espaço de que necessita – procura bem a baliza. Sobre alternativas, há também para todos os gostos, desde os criativos (Malinovskyi, Shaparenko, Zubkov...) até aos avançados de área com remate fácil (Vanat ou Yaremchuk).

A figura 🧞‍♂️

Artem Dovbyk. Numa equipa com vários jogadores que se destacaram nos principais campeonatos europeus esta época, Dovbyk acaba por ser um dos nomes mais entusiasmantes para este torneio. Consagrado como melhor marcador da La Liga, pode muito bem dar o salto na sequência do Campeonato da Europa. Marcou golos de maneira diversa, aproveitando a qualidade do pé esquerdo para tirar adversários do caminho e rematar à baliza, exibindo também eficácia a corresponder a cruzamentos para a área e revelando créditos no jogo aéreo. Vai certamente brilhar na Alemanha.

Eslováquia ⚽

Adversária de Portugal na fase de qualificação, foi possivelmente a equipa que causou mais problemas aos comandados de Roberto Martínez no caminho até à Alemanha. No Dragão, os eslovacos mostraram atrevimento a espaços na pressão e discutindo o jogo. Em Bratislava, propuseram um quebra-cabeças para a equipa lusa gerar vantagens pelo corredor central.

O responsável pela evolução tática e maior estabilidade exibicional dos eslovacos, embora ainda longe do brilhantismo, responde pelo nome Francesco Calzona. Antigo adjunto de Luciano Spalletti no Nápoles, foi responsável por também orientar os napolitanos nos últimos meses da época – sem grande sucesso, diga-se. É um fiel discípulo do 4-3-3 e portanto não serão expectáveis grandes aventuras táticas neste Europeu.

Martin Dúbravka, um veterano com a experiência competitiva do futebol inglês, será o dono da baliza. À direita da defesa, e apesar de mal ter jogado no Hertha o ano inteiro, Peter Pekarík deve ser a aposta. O duo de centrais Vavro-Škriniar garante uma solidez e até critério a construir que poucas seleções da classe média europeia se podem gabar. À esquerda, David Hancko dará conforto a sair de pressão e boa leitura.

Daí para a frente, reina Stanislav Lobotka. Figura indiscutível do Nápoles das últimas temporadas, é um dos médios que sustenta melhor equipas em 4-3-3 a partir da base no futebol da elite europeia, tendo regido com mestria a equipa soberba de Spalletti há poucas épocas. Perto dele, o veterano e garantia de solidez Juraj Kucka e possivelmente Ondrej Duda, outro nome que aprendeu muito de tática em Itália.

No trio de ataque, tudo aponta que o boavisteiro Róbert Boženík vá ser a referência na zona central. Cresceu muito esta época, no caos do ‘xadrez’, mostrando cada vez melhor uso do corpo para segurar a bola ante a pressão dos centrais, dando bons apoios e revelando astúcia na desmarcação para o disparo.

Por fora, despontam Schranz e Haraslín, capazes de alternar movimentos e posições, com o último a chegar entusiasmado depois de uma época soberba no Sparta Praga. Curiosamente, Schranz joga no rival Slavia.

A expectativa para este Europeu é que Calzona possa dar continuidade às performances consistentes da fase de qualificação, ainda que não se afigure fácil derrubar seleções como a Bélgica ou a Ucrânia.

A figura 🧞‍♂️

Stanislav Lobotka. Uma referência na arte de sair a jogar sob pressão, com índices altos de qualidade a diversificar o estilo de passe. É um jogador de início de construção e de estabilidade posicional, não tanto de arriscar subidas no terreno, mas o que faz, habitualmente, faz muito bem. Peça-chave do Nápoles, no qual Calzona o conheceu, valorizando e muito o papel cirúrgico a meio-campo.

Roménia ⚽

A equipa de Edward Iordanescu deve apresentar-se neste Europeu num registo tático entre o 4-1-4-1/4-3-3/4-2-3-1, não sendo de descartar pontuais recursos aos três centrais.

Não devemos esperar uma Roménia demasiado arrojada na proposta de jogo, sendo uma equipa que prefere ataques mais acelerados, sem especular tanto em posse e dando protagonismo aos homens da última linha. O contra-ataque tem sido uma arma muito potenciada na vigência Iordanescu e não se espera alteração de paradigma numa fase final. Defensivamente, há capacidade para juntar gente num bloco médio-baixo compacto, mas é fulcral que o foco não seja apenas esse para a equipa competir melhor.

Na baliza, Horatiu Moldovan deve assumir a titularidade, mesmo que não tenha jogado por clubes desde a mudança para o Atlético de Madrid em janeiro. A defesa deve ter o consistente Ratiu à direita e o ofensivo Bancu à esquerda, com Dragusin e um Andrei Burca sempre pronto para se impor na defesa da área.

Na zona intermediária, não havendo Screciu, é possível que Marius Marin entre para o 11 para dar competência no desarme e equilíbrio no trabalho de sentinela. Junto a ele, dois jogadores muito rotinados, como Razvan Marin (experiência entre Serie A e futebol belga e neerlandês) e o criativo Nicolae Stanciu, elemento-chave desta formação dos últimos anos e mais um habitante da liga saudita.

No ataque há muitas opções para potenciar desequilíbrios, a partir da faixa e atacando o corredor central. A dupla do Parma, Dennis Man e Valentin Mihaila, tem o condão de agitar o jogo, servindo o tal propósito de conduzir e desequilibrar nos ataques rápidos e contra-ofensivos. Coman também revela habilidade e irreverência a partir da faixa esquerda. Ianis Hagi pode marcar a diferença pela técnica e atrevimento no disparo. Ao centro, a discussão deve dar-se entre o veterano Denis Alibec, o robusto George Puscas e um Denis Dragus que se fartou de marcar golos na Turquia e pode encaixar mais facilmente como a potente referência que a Roménia irá necessitar.

A figura 🧞‍♂️

Radu Dragusin. É um dos poucos jogadores romenos a militar numa das equipas de topo do futebol europeu, ainda que não tenha entrado no Tottenham para ser titular indiscutível. Forte em duelos, contundente nas alturas, com sentido posicional, é o jogador ideal para uma equipa que terá de saber resistir no espaço defensivo. Fica a ideia de que pode beneficiar de mais tempo de jogo na Premier League 2024/25.

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