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Seleção Nacional

Bruno Fernandes, o analista. "Desde Brahimi e Corona que faltava ao Porto um jogador como Francisco Conceição"

18 mar, 2024 - 18:03 • Inês Braga Sampaio

Qualidades de eventual treinador do médio vieram ao de cima no momento de falar do estreante na seleção nacional. Bruno também falou do sonho de vencer o Euro 2024 e do contraste entre o rendimento na seleção e no Manchester United.

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Bruno Fernandes mostrou, esta segunda-feira, os dotes de analista de futebol, quando lhe foi pedido que dissesse o que pensa de Francisco Conceição.

Em conferência de imprensa na Cidade do Futebol, durante o estágio da seleção nacional, em que o extremo do FC Porto é estreante, o capitão do Manchester United mostrou que anda atento ao futebol português e que não é por acaso que quer ser treinador.

Opinião sobre Francisco Conceição

Para ser sincero, tenho muitas vezes esta conversa com amigos meus fora do futebol, principalmente depois deste ano, que foi o ano em que o Francisco se tem afirmado mais, também porque também tem tido mais minutos. Eu acho que o Francisco provavelmente não se afirmou mais cedo porque, felizmente ou infelizmente, tem o pai dele como treinador e, naturalmente, existe aquela balança que muita gente não sabe fazer a diferença, mas, como profissionais, tenho a certeza que tanto ele como o mister Sérgio Conceição sabem fazer. Ele tem todas as qualidades para estar onde está, por isso merece hoje esta chamada. O pai dele não é selecionador nacional e ele está aqui, por isso algo de bom ele tem de ter. Admiro muito as qualidades dele, gosto muito da atitude dele em campo e daquela irreverência que ele tem e que traz ao jogo do Porto, que na minha opinião faltava muito ao Porto. Desde Brahimi e Corona que faltava muito ao Porto um jogador do estilo dele. Com a diferença de que o Francisco é mais direto que tanto o Brahimi como o Corona e que pode ainda melhorar muito no jogo dele e conseguir ainda mais golos e assistências, pelas qualidades que ele tem tanto de finalização como de passe. Como tem vindo a fazer, e nos últimos jogos tem-se visto isso.

O que disse a Chico e a Jota Silva, os dois estreantes

Ainda não houve muito tempo para falar, mas a primeira coisa que fiz foi dar os parabéns ao Francisco e ao Jota. É aproveitar o momento deles, se estão aqui é porque o selecionador acredita que têm qualidade para cá estar. Ninguém cá vem por favores, por isso se eles cá estão é porque algo de bom fizeram e têm vindo a fazer. Eu que acompanho o campeonato português sei que eles têm vindo a fazer algo especial. É uma oportunidade merecida. Em relação a mim, é sempre uma emoção enorme estar aqui e representar Portugal, e irá sempre sê-lo até ao último jogo.

Sem Ronaldo, Bruno Fernandes tem mais responsabilidade na receção aos novos?

Quando está o Cristiano também não lhe podemos passar toda a responsabilidade de receber toda a gente. O Cristiano sabe bem receber, porque é o jogador que está há mais anos na seleção, mas neste estágio também temos o Pepe e o Bernardo, que são jogadores que também estão aqui há bastante tempo. Mas todos os que estão aqui sempre souberam receber bem quem chega, queremos metê-los o mais à vontade possível, queremos que eles demonstrem o futebol que têm vindo a demonstrar, porque se estão aqui é por mérito próprio. Agora, tudo o que queremos é que demonstrem na seleção tudo o que têm vindo a fazer e que o façam por nós. É por isso que aqui estão e que o mister acreditou que eles poderiam ser uma mais-valia. Esse papel não cabe só a mim, mas a todo o grupo. Havia jogadores com grande experiência quando cá cheguei e eles ajudaram à minha integração, mas a malta mais jovem também te ajuda a sentires-te mais no teu habitat, a estar mais à vontade. Sou um bocadinho mais velho que o Francisco, mas também não é assim tanto [risos]. Estarei aqui para receber todos os que vierem enquanto eu cá estiver e farei o meu melhor para que o melhor deles possa vir ao de cima.

Estágio importante para afinar

Todos os estágios são importantes. Há pontos a melhorar que têm de ser trabalhados nesta altura e naqueles três jogos que temos antes do Europeu, para afinar o que houver a afinar e entrar o mais fortes possível no Europeu.

Euro 2024

O nosso objetivo começou no primeiro estágio com o mister Roberto Martínez. Estamos a dar passos importantes para o objetivo final, que é chegar o mais longe possível no Europeu. Tudo o que fizemos na qualificação será importante se conseguirmos manter o nível ou elevá-lo no Europeu.

Euro 2024 II

O sonho está bem presente nas nossas cabeças. Queremos voltar a dar essa alegria que o grupo em 2016 nos deu a nós. Eu estava de fora, mas sentia-me como se fosse um deles. É o nosso país, é a nossa seleção, algo que sempre sonhámos representar. Não há nada melhor que ter a possibilidade de sermos nós agora a dar essa alegria ao nosso povo.

Convocatória com três grupos

O mister falou com vários jogadores, explicou o porquê desta escolha. Estamos numa fase da época em que vários jogadores terão ainda muitos jogos para fazer, principalmente os que ainda estão nas competições europeias. É muito inteligente da parte do mister tentar gerir ao máximo o grupo, porque sabemos que existem as lesões, há cada vez mais jogos e a intensidade é sempre muito alta, por isso há sempre esse risco. Mas também temos a ambição de ganhar os dois jogos deste estágio.

É fácil desligar o "chip" do clube?

É fácil porque é sempre um orgulho enorme representar o nosso país. Como jogador, é o ponto mais alto da minha carreira. Sabemos que somos afortunados por ter a possibilidade de jogar pela seleção, que é algo único. Penso que é muito fácil desligar do clube e ligar imediatamente na seleção e o contrário igualmente, porque estamos habituados a estas rotinas. A partir do momento em que entramos na seleção e começamos a estar aqui mais vezes, começamos a ganhar o hábito de ligar e desligar.

Bruno está melhor na seleção que no clube, esta época?

Se olharmos às duas vertentes, sei que sempre tive números bastante altos e sei que é isso que tem influenciado o facto de acharmos que estou mal no clube e bem na seleção, porque antes marcava pouco na seleção e muito no clube e agora estou a marcar menos no clube e mais na seleção. Isso faz parecer que os jogos não sejam tão bem conseguidos. Jogo numa posição um bocadinho avançada e tenho a responsabilidade de fazer golos e dar assistências. Este ano na seleção foi o melhor apuramento que eu tive, mas também foi o melhor apuramento da seleção, é um conjunto de fatores que fazem com que o melhor de mim venha ao de cima, com a ajuda dos meus colegas, que fazem com que as minhas qualidades sobressaiam. No Manchester United, coletivamente, não tem sido uma época bem conseguida e, individualmente, tenho a noção de que consigo fazer mais e melhor, mas o meu empenho e a minha dedicação estão sempre no máximo.

Comentários
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  • Joaquim Correto
    18 mar, 2024 Paços 22:02
    ...que ambos saíram a custo zero!

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